Sexta-feira, 18 de janeiro de 2019 - 11h09
Quais os caminhos para o crescimento em 2019?
Autoria de GUILHERME JULIANI

Pode-se dizer que 2018 foi um ano bom para o setor logístico, mesmo com colapsos imprevistos de grande magnitude, como a greve dos caminhoneiros, além é claro das crises no cenário macro, como os recorrentes casos de corrupção. Diversos fatores tumultuaram o país e impactaram o mundo dos negócios de maneira geral. Mas mesmo assim o mercado seguiu, inovações ocorreram e o ano não apenas passou, mas deu frutos. As duras turbulências foram atravessadas, muitas empresas cresceram e, felizmente, há certo otimismo e disposição para o cenário econômico de 2019.

Da perspectiva macro, esse bom humor se justifica pelo inicio de um novo ciclo político, de forma que a expectativa mínima é de bom senso e responsabilidade. As primeiras medidas do ano devem dar o tom, ao passo que, se as reformas necessárias forem encaminhadas, a iniciativa privada encontra seus caminhos, a economia seguirá em crescimento e haverá geração de emprego, pois há boa vontade por parte dos investidores.

A mesma premissa é válida e se aplica ao mercado logístico, considerando é claro seus gargalos e obstáculos específicos. Lá na ponta do consumidor, o insucesso de entregas ainda é uma dor muito grande, e isso reverbera na reputação de players de diversos portes e setores, que pagam o preço da péssima experiência de quem compra. Não que seja o único responsável, mas o operador logístico que quiser crescer deve oferecer uma solução. Considerando um país de dimensões continentais com mais de 200 milhões de habitantes e o grau de insatisfação, o problema se revela uma oportunidade de ouro: há um oceano azul no mercado.

Nesse contexto, existem diversas variáveis e maneiras de se destacar frente à concorrência e nadar de braçada. Eu gostaria de destacar dois caminhos que podem potencializar o crescimento das empresas do setor e um meio pelo qual essa ascensão pode ser atingida. Os caminhos são a adequação às novas exigências do governo federal para o setor logístico e o atendimento à demanda reprimida de produtos regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). E a maneira para trilhar e ter sucesso em ambos os caminhos passa impreterivelmente por investimentos pesados em tecnologia e inovação.

A começar pelas novas regulamentações. O governo federal está cada vez mais exigente nas obrigações de CT-e, MDF-e, SPED, para citar as principais, que no geral buscam transparência e segurança para o setor. São medidas compreensíveis, mas na prática é preciso uma dose cavalar de investimentos para a estruturação de processos complexos e eficientes capazes de prover as informações e dados exigidos. Isso envolve tecnologia pesada, especialmente big data e robótica, além é claro de encontrar e fomentar talentos para tocar essa operação.

A distribuição logística de produtos Anvisa também exige um trabalho duro no sentido de adequação às especificidades e aos tantos por menores que envolvem o transporte porta a porta desse tipo de produto. Não é à toa que existe um gap aqui. Realmente é difícil realizar essa missão. E aí as necessidades são as mesmas: capital, tecnologia e talentos. Mas aqueles que estiverem devidamente preparados e estruturados tendem a crescer exponencialmente.

Antes de iniciar os trabalhos que exigem o certificado da Anivsa, vale ressaltar que é extremamente importante que a empresa realize um estudo muito cuidadoso no que diz respeito aos processos. Isso porque todo setor tem suas particularidades e, em muitos casos, as empresas acreditam que a excelência alcançada em uma determinada área é válida em outra, sendo necessário apenas replicar o modelo. Só que nem sempre é assim.

No caso específico de produtos que exigem o certificado da Anvisa, há uma série de peculiaridades, como a adequação física e de processos que devem ser feitas por um farmacêutico local em cada cidade. O ponto é que, para ingressar nesse tipo de operação com sucesso sem prejudicar as demais atribuições, a empresa também precisa passar por um processo de reorganização interna, o que se desdobra invariavelmente por quebras de paradigmas, uso de novas tecnologias, estabelecimento de novos processos. É preciso inovar dentro do próprio negócio. Muitas companhias precisam atravessar essa zona de arrebentação, mas poucas têm disposição para isso.

Resumidamente, o ano mudou, o humor melhorou, mas os problemas no setor permanecem os mesmos. Creio que nesse novo momento, só irão sobreviver empresas que tenham uma operação muito disciplinada. É preciso investir em tecnologia, talentos, gerar as informações que o governo exige e assim, possivelmente, reduzir os casos de insucesso de entrega. E a boa notícia é que o cenário, ao menos no curto prazo, está favorável. Para quem gosta de desafios, é um grande ano.