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Terça-feira, 20 de dezembro de 2016 - 15h03
Compromisso com o futuro
A norte-americana Lift Technologies (Lift-Tek), fornecedora de equipamentos de front-end para fabricantes de empilhadeiras e outros equipamentos, busca expandir cada vez mais sua atuação no Brasil. Com uma nova fábrica no país, localizada em Indaiatuba (SP), a empresa produz uma linha completa de mastros, deslocadores laterais integrados e posicionadores de garfos para o mercado nacional. Seu CEO, Konrad Ostmeier, fala sobre os novos investimentos feitos em solo brasileiro, os atuais desafios impactando o mercado sul-americano e os planos da empresa no longo prazo

Revista Tecnologística – Você é um alemão, que mora em Manchester, na Inglaterra, e trabalha para uma empresa nos Estados Unidos. Como funciona essa dinâmica?

Konrad Ostmeier – Na Lift-Tek, sediada em Westminster, no estado da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, nós temos uma equipe de gestão muito distinta. Nosso diretor de Tecnologia da Informação mora em Ontário, no Canadá. O diretor de Marketing mora perto de Toronto, também no Canadá. Um de nossos diretores de Vendas mora no estado norte-americano do Kansas, e outro diretor de Vendas mora em Jacksonville, na Flórida. Geograficamente estamos longe, e acho que esse é o futuro do mercado global.

Com o gerenciamento localizado em vários locais, ampliamos nossa visão do que está acontecendo em diferentes mercados. Precisamos ser muito eficientes na maneira de operar e se comunicar com uma equipe de gestão enxuta, muitas vezes trabalhando e viajando em vários fusos. Possuímos uma base de clientes globais, então temos de trabalhar de tal forma que, independentemente da localização, nossos clientes tenham os produtos, suporte e informações efetivamente necessárias para executar seus negócios do dia-a-dia.

Tecnologística – Conte-nos um pouco da sua trajetória e também a história da empresa.

Ostmeier Quando terminei meus estudos de MBA no Reino Unido, comecei minha carreira em gestão em duas empresas britânicas, ambas fabricantes de produtos para saúde. Depois, atuei em uma grande empresa industrial até abril de 1995, quando entrei para a Kenhar Corporation, com sede no Canadá, como diretor-geral da Europa. Na época a Kenhar era a maior fabricante de garfos para empilhadeiras, com presença global para atender a uma vasta clientela.

Fundamos a Lift-Tek em 1999 com dois grandes clientes, Komatsu e Mitsubishi Caterpillar. Em sete anos atingimos uma receita de vendas superior a US$ 128 milhões e, posteriormente, fomos adquiridos pela empresa Calvi Holding, com sede em Milão, na Itália. O Grupo Calvi é composto por várias empresas especializadas na produção de diferentes tipos de perfis de aço para várias indústrias, como fabricantes de empilhadeiras, equipamentos militares, armas, geração de energia e movimento linear. Entretanto, quando a Lift-Tek foi adquirida por esse grupo, eu continuei no comando da empresa.

Além das nossas plantas em Westminster, temos também uma fábrica situada em Piacenza, na Itália, para servir ao mercado europeu. Nós temos a capacidade para produzir cerca de 22 mil mastros por ano com 200 funcionários nos Estados Unidos. Atualmente, temos 140 funcionários em Piacenza e podemos produzir aproximadamente 10 mil mastros por ano. Todas as instalações de produção são projetadas para serem ampliadas para atender à demanda de produção conforme necessário.

Tecnologística – Quando exatamente a Lift-Tek chegou ao Brasil?

Ostmeier – Estamos no Brasil desde março de 2014. Quando a crise econômica chegou, em 2008, o mercado global para empilhadores diminuiu em aproximadamente 50%. Em 2009, a crise estava chegando ao fim e o mercado começou a crescer novamente. Nós começamos a procurar oportunidades de expansão e vimos o Brasil como uma oportunidade de investimento. De 2009 a 2013 a quantidade de empilhadeiras no Brasil passou de 8.400 para 24 mil. Então, tomamos a decisão, como muitos de nossos clientes na Europa e na América do Norte, de que o Brasil seria um local para marcarmos presença e investirmos em longo prazo.

Nossos clientes nos incentivaram a olhar para o Brasil, pois eles precisam dos mesmos equipamentos de front-end que já oferecemos na Europa e na América do Norte. São empresas como Combilift, UniCarriers, Jungheinrich, Kion e BYD. Nós tivemos um forte sentimento de que o Brasil seria um investimento positivo de longo prazo.

Entre 2012 e 2013 começamos a olhar para o mercado brasileiro mais detalhadamente e identificar a melhor forma de investir e fazer crescer a nossa empresa. Participamos da CeMat South America em 2013 e 2015 e a reação do público era cada vez mais positiva. Com a decisão de prosseguir com a nova fábrica, também aprendemos muito rapidamente sobre a quantidade de burocracia envolvida neste país, e que o processo para abrir uma fábrica seria lento. Hoje sou um homem muito mais paciente por causa dessa experiência e, com a minha persistência, formalizamos a empresa no início de 2014. Tivemos muitos obstáculos jurídicos durante a fase de start-up da planta, mas conseguimos resolvê-los até o ponto em que estamos hoje, visto que os nossos equipamentos estão instalados, nossos colaboradores foram contratados e treinados e estamos produzindo.

Tecnologística – Que tipo de equipamentos vocês produzem na planta brasileira?

Ostmeier – Essa fábrica em Indaiatuba é uma réplica da planta de Westminster. Utilizamos estações de trabalho individuais que fornecem a flexibilidade necessária para fabricar diversas peças soldadas. Nosso primeiro robô de soldagem está instalado junto com um sistema de tratamento de superfície, um sistema de pintura a pó, uma completa linha de montagem além de um completo sistema de testes para todos os mastros fabricados. Temos também firmada a compra de um Centro de Usinagem Vertical CNC e vamos continuar realizando investimentos em outros equipamentos de alta tecnologia em 2017. O que queremos é criar no Brasil não somente uma empresa de alta tecnologia, mas uma réplica do sistema de qualidade de produção comprovada que temos nos Estados Unidos, com produtos de alta qualidade e baseados no sistema just in time.

Tecnologística – A Lift-Tek Brasil trabalha com fornecedores locais?

Ostmeier – Sim. Entre 2012 e 2015 nós trabalhamos muito para estabelecer a nossa rede de fornecedores no Brasil. Existem alguns componentes que usamos, como os perfis, por exemplo, que só estão disponíveis a partir de um grupo restrito de fornecedores no mundo, mas a maioria dos componentes nós podemos comprar localmente e produzir aqui no Brasil.

Tecnologística – Como vocês se destacam e se tornam interessantes para os OEMs (Original Equipment Manufacturers)?

Ostmeier – A indústria da manipulação de materiais está se tornando muito mais flexível no atendimento às necessidades exclusivas do usuário final de forma ambientalmente responsável. Isso significa que ela oferece soluções de manuseio de materiais que originais e adaptadas para essas aplicações específicas dos clientes. Como um fornecedor-chave para o mercado OEM, estamos normalmente envolvidos nas fases iniciais do ciclo de desenvolvimento das empilhadeiras, onde podemos trabalhar próximo às equipes de engenharia para desenvolver a melhor solução global de front-end. Isso mantém nossos recursos de engenharia alinhados com os mais recentes desenvolvimentos de empilhadeiras e garante a maximização e a interface de nossos produtos com os equipamentos dos OEMs.

Nós temos muitos projetos diferentes de mastros aprovados em campo, que os OEMs podem utilizar para completar as suas ofertas de produtos de forma muito oportuna. Uma consideração importante é a velocidade com que oferecemos o atendimento ao mercado com nossa linha de produtos, o que representa uma vantagem comercial aos nossos clientes.

Tecnologística – Como está a carteira de clientes da empresa aqui no Brasil?

Ostmeier – Nosso primeiro cliente no Brasil foi a Kion. Nosso objetivo é atingir todos os grandes OEMs com fabricação e distribuição no Brasil, visto que muitos já são nossos clientes em outras partes do mundo. Estamos otimistas de que a empresa será bem sucedida não só no Brasilmas também na Argentina e no Chile, onde existem muitas oportunidades. Esses são os três mercados em que estamos focados na América do Sul.

Tecnologística – Como você se sente em relação à instabilidade econômica brasileira?

Ostmeier – No curto prazo será um desafio, mas já estamos vendo sinais de melhora e aumento da estabilidade. No entanto, esse é um investimento de longo prazo, então não estamos focados em ganhos rápidos, mas sim investindo para o futuro. É um compromisso de longo prazo para o mercado brasileiro de empilhadeiras.

Tecnologística – E quanto à instabilidade política atual?

Ostmeier – Existem alguns desafios com o ambiente político no Brasil, entretanto o país tem 210 milhões de habitantes, dos quais 83% têm menos de 54 anos de idade. A taxa anual de pedidos para novas empilhadeiras passou de 8.400 unidades em 2009 para mais de 24.300 em 2013. Embora as condições de mercado tenham declinado mais recentemente devido aos desafios econômicos enfrentados no país, a expectativa é de um mercado de empilhadeiras muito mais favorável, com volumes aproximando-se de 40 mil unidades em longo prazo.

Sempre existem oportunidades, mesmo em um mercado reprimido. Mas como eu disse, é um investimento pensando no futuro este que estamos desenvolvendo no Brasil e na América Latina.

Tecnologística – Quais são as principais diferenças entre os mercados brasileiro e norte-americano?

Ostmeier – Nós já estamos familiarizados com todos os principais clientes operando no Brasil, pois já somos seus fornecedores em outros mercados. Uma diferença fundamental de operar no Brasil é o período de planejamento e desenvolvimento mais longo nos Estados Unidos, que impacta o nosso ciclo de desenvolvimento do produto.

Tecnologística – A Lift-Tek utiliza mão-de-obra local?

Ostmeier – Sim. Nossa equipe é brasileira. É muito importante para nós, em todos os países em que operamos, trabalhar com profissionais locais para entender o mercado e suas exigências. Especialmente em um ambiente competitivo de fábrica, você precisa de uma gestão que compreenda a cultura e o povo.

Além disso, é muito importante ter um entendimento detalhado do sistema fiscal brasileiro, que é muito complicado. Nós utilizamos especialistas locais e assessores com conhecimento e expertise em administração, contabilidade e leis fiscais para garantir que estamos em conformidade com todos os requisitos locais. Como se trata de um investimento de longo prazo, nós quisemos fazer tudo certo desde o primeiro dia. Isso é muito importante.

Tecnologística – Existem novas tendências tecnológicas na indústria global que podem ser aplicadas no Brasil?

Ostmeier – Existem novas tecnologias que acreditamos que possam ser oferecidas em longo prazo, como o manuseio de material guiado por processos a laser. Temos diversas soluções front-end disponíveis que utilizam tecnologias em uso em outras partes do mundo e que certamente serão adotadas no Brasil.

Tecnologística – Quanto a Lift-Tek investiu para iniciar suas operações no Brasil?

Ostmeier – O investimento inicial total foi superior a US$ 2 milhões, que resultou na fábrica com capacidade para produzir até 4.500 mastros por ano e pode ter sua capacidade ampliada com a adição de um segundo e terceiro turnos conforme o aumento da demanda. Nós temos muito cuidado com nossos investimentos, e já fazemos isso de forma a assegurar que produzimos soluções front-end de alta qualidade usando um sistema de produção flexível e que atenda às necessidades do usuário local.

Tecnologística – Existem planos para contar com novas instalações em solo brasileiro?

Ostmeier – Não no momento. Estamos à procura de oportunidades de expansão na América do Norte e, com o tempo, vamos procurar novas aquisições por lá. Nós continuaremos a monitorar nossas atividades na Europa, mas para o Brasil o principal objetivo é estabelecer uma empresa estável de médio porte que possa atender ao mercado sul-americano e satisfazer as necessidades completas do cliente. Estamos também desenvolvendo programas específicos, adaptados para os OEMs no Brasil.

Conversamos recentemente com um cliente que tem produtos que nós potencialmente podemos produzir. Esses produtos não fazem parte da nossa atividade padrão nos Estados Unidos, mas se é isso que o cliente brasileiro precisa, é o que faremos. Nosso objetivo não é apenas atender pedidos, mas criar uma base sólida e parcerias genuínas de longo prazo com nossos clientes.

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