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Quarta-feira, 15 de março de 2017 - 15h44
Pronta para crescer ainda mais
Mesmo em meio a um cenário político e econômico complicado, que trouxe incertezas e resultou em quedas nos volumes dos clientes, a Gat Logística ampliou sua estrutura, com a inauguração de um CD no segundo semestre de 2016, de olho em novos contratos e na recuperação da economia. O sócio e diretor Comercial da empresa, Anderson Massa Moraes, fala sobre como essa decisão acertada deu fôlego para que a Gat se destacasse no mercado e continuasse crescendo

Tecnologística – A Gat nasceu em 1994, certo? Conte-nos um pouco a respeito da história da empresa.

Anderson Massa Moraes – A Gat Transportes era uma transportadora de carga fracionada, que atuava no setor calçadista. Mas em 1997, a Ipiranga, grande empresa do segmento de lubrificantes, chegou até nós por indicação e apresentou algumas necessidades bastante específicas de operação, como o transporte exclusivo, sem misturar com outros tipos de carga, por exemplo. Como a Gat já estava prospectando clientes desse setor há um tempo no mercado, nós resolvemos assumir o desafio de partir para uma operação totalmente dedicada.

Então a empresa como é hoje, especializada no segmento de lubrificantes, nasceu a partir da necessidade desse cliente. Nós evoluímos para atender a esse mercado. Como o produto apresenta condições de transporte especiais, foi montado todo um projeto em cima disso. E o mercado de transporte, de uma forma geral, não se atentava a essas necessidades. Ele enxergava o lubrificante como um produto normal, um commodity que deveria ser tratado da mesma maneira que muitos outros, o que, obviamente, não é verdade. A Gat percebeu isso, desenvolveu esse projeto e passou a atender o cliente como ele realmente precisava ser atendido.

Tecnologística – Ali vocês já se transformaram em operador logístico e a Gat Transportes virou Gat Logística?

Moraes – Nessa época nós não nos víamos ainda como um operador logístico. Isso era bastante novo, e nossa impressão era de que isso era uma coisa para as grandes empresas, especialmente as que estavam chegando de fora. Até que, em 2001, esse mesmo cliente nos apresentou outra necessidade: ele precisava passar a contar com um centro de distribuição em São Paulo. Confesso que nós relutamos um pouco, argumentando que nosso negócio era só transportar, e não armazenar. Mas no fim das contas essa é uma evolução natural, até porque se o cliente passasse a utilizar os serviços de outra empresa para armazenar, ele poderia migrar o transporte também e nós o perderíamos. Então nós decidimos encarar mais esse desafio e, em 2002, iniciamos as operações em um armazém em Guarulhos (SP).

Tecnologística – Nesse segmento de lubrificantes, que se tornou o carro-chefe da empresa, vocês atendiam somente a Ipiranga?

Moraes – Na verdade o trabalho foi se multiplicando. Até mesmo porque não havia como operar para um único cliente, é claro. É impossível você sustentar toda uma estrutura prestando seus serviços para uma só empresa. E, naturalmente, nós começamos a atrair as congêneres do mercado, como Shell, Repsol, Total, Chevron e Cosan. Hoje, os lubrificantes consistem, literalmente, em um segmento totalmente independente dentro da Gat, que não depende das outras atividades, não depende de conjugação de cargas, por exemplo.

Tecnologística – Além dos lubrificantes, quais são as principais cargas com as quais vocês operam?

Moraes – Hoje a Gat é dividida em três segmentos: o de lubrificantes, que é um produto químico, claro, mas não é classificado como perigoso, o de químicos classificados e o farmacêutico. É interessante explicar o porquê de trabalharmos com esse último: o segmento farmacêutico lida com muitos produtos classificados, como as substâncias e matérias-primas dos medicamentos. Então é um setor com exigências regulatórias, além de suas necessidades próprias. A indústria farmacêutica depende de um operador logístico que esteja apto a trabalhar com produtos químicos e seus compliances.

Tecnologística – Então você lida com insumos para o segmento farmacêutico?

Moraes – Insumos e produtos acabados também. Somos transportadores primários de produtos acabados. Nós retiramos o medicamento na indústria e armazenamos, para que ele siga para a distribuição fracionada. A partir do nosso CD, os produtos são distribuídos para todo o Brasil. A indústria farmacêutica produz grande parte do que é usado, mas muitos itens são feitos por terceiristas, e esse trabalho, de levar a matéria-prima até o beneficiador, e seu devido retorno, também é nosso.

Tecnologística – Qual é a representatividade do segmento de lubrificantes nas operações da Gat?

Moraes – Nós trabalhamos com um volume muito grande nesse segmento. Hoje os lubrificantes representam 40% do nosso negócio.

Tecnologística – Como vocês foram afetados pela crise econômica que o país atravessou?

Moraes – Pra muita gente a crise chegou só em 2015, mas eu posso dizer que nós começamos a sentir antes, já em 2014, quando pudemos perceber quedas nos volumes. Mas a verdade é que ela não nos afetou tanto assim, porque nós vínhamos fazendo um trabalho muito grande de prospecção desde 2012, então fomos salvos pela entrada de novos clientes. Claro que nós sentimos os efeitos, mas os problemas foram compensados com essas novas contas conquistadas. E assim nós fomos driblando a crise até o final de 2015, com quedas nos volumes – e consequentemente quedas no faturamento –, mas em contrapartida com novas operações com novas empresas para equilibrar as receitas.

Já 2016 tinha tudo para ser um ano muito difícil, mas logo em janeiro conquistamos um novo cliente com um volume muito significativo. Nós assumimos 30% das operações logísticas da Castrol e, logo depois, em abril, passamos a trabalhar com um volume maior do seu estoque, pois as operações da empresa no Brasil passaram por uma grande reformulação. Então hoje o CD utilizado pela Castrol no Brasil é da Gat. Isso nos ajudou muito, até porque não era nem algo que nós esperávamos, mas que simplesmente aconteceu. E é claro que aconteceu porque eles já estavam trabalhando conosco e se sentiram seguros para ampliar o contrato, percebendo que nós tínhamos totais condições de dar conta dessa demanda.

Tecnologística – Isso alavancou o faturamento da Gat mesmo em meio à crise?

Moraes – De 2015 pra 2016 nós conseguimos manter a receita, e em 2016 tivemos um crescimento de 8%. E isso nos deu fôlego para começarmos 2017 com tudo. Talvez não seja possível afirmar que este será um ano muito melhor, mas já é possível perceber certa movimentação e os clientes já começam a se manifestar, demonstrando crescimento nos volumes. A grande questão é que ainda existe a briga por preços. Como consequência de uma crise, o prestador de serviços sofre com um arrocho muito grande nos preços. É preciso ser muito consciente para administrar essa questão.

Tecnologística – Para passar a atender a operação Castrol vocês precisaram ampliar a estrutura de armazenagem?

Moraes – Na verdade não. Em 2002 nós iniciamos nossas operações de armazenagem com a inauguração do CD de Guarulhos, como já foi dito, de 2.500 m². Mas em 2012 nós mudamos de endereço, apesar de permanecer em Guarulhos, e passamos a contar com um CD com 30 mil posições porta-palete. E, em setembro de 2016, foi inaugurado um segundo prédio no mesmo terreno, com 20 mil posições porta-palete. Para atender a Castrol nós tivemos que fazer apenas uma pequena alteração, que foi mover um cliente do segmento farmacêutico de um dos prédios para o outro. Para que o contrato fosse estabelecido, a Castrol realizou uma auditoria em nossos CDs e viu que havia espaço suficiente e condições ideais para assumirmos toda a operação. E, por força do contrato, mesmo em meio à crise, a Gat abriu novos postos de trabalho.

Tecnologística – Se a operação só veio depois, o que motivou então a inauguração do novo armazém, em 2016?

Moraes – O novo prédio nasceu motivado por novas prospecções. Existem muitos contratos sendo trabalhados pensando nele, mas na verdade a previsão para entrar em operação nem era 2016. O intuito era inaugurarmos o espaço somente neste ano, mas com essa ampliação junto à Castrol, nós optamos por colocá-lo logo para funcionar. E ainda temos muito espaço para novos clientes, pois o prédio está com apenas 20% de ocupação.

Tecnologística – Então em um período de economia complicada vocês estavam investindo em uma nova estrutura mesmo sem a certeza de ocupação?

Moraes – A nossa nova matriz nasceu a partir de um investidor, que soube que nós estávamos procurando um novo espaço, pois sabíamos que o que tínhamos na época não daria conta dos nossos planos de expansão. Nós negociamos durante um ano, aproximadamente, a Gat apresentou suas necessidades, e esse investidor construiu o primeiro CD. O compromisso que nós tínhamos, porém, era de não parar no primeiro. As condições já estavam todas negociadas, e o objetivo sempre foi ter um segundo prédio. E ainda existe a possibilidade de, conforme a necessidade, contarmos com mais armazéns dentro do mesmo complexo.

A grande vantagem é que se as operações crescerem muito, nós não precisamos nos mudar, procurar outro espaço ou coisa parecida. Nós estamos preparados para chegar a 100 mil posições porta-palete no local em que estamos hoje. E isso é um verdadeiro trunfo nosso quando participamos de concorrências. Muitos clientes têm medo de que o seu operador logístico não seja capaz de suportar um possível crescimento das operações. Então contar com toda essa estrutura nos deu muito mais segurança e lastro para buscar novos clientes. O empreendimento foi todo feito sob medida para a nossa operação, projetado pela própria Gat e construído no modelo built to suit.

Tecnologística – Os armazéns contam com áreas específicas para produtos perigosos?

Moraes – Sim. O prédio mais novo, por exemplo, possui um espaço dedicado especialmente à armazenagem de produtos inflamáveis. São 2 mil posições-palete e, para cada par de posição, temos cinco sprinklers, instalados em conjunto com a própria estrutura de armazenagem. É um investimento realmente alto, para garantir a segurança da carga. São poucos os operadores logísticos que contam com esse tipo de sofisticação quando falamos em armazenagem de produtos inflamáveis. Esse investimento, assim como a climatização e o piso epóxi, foram feitos pela própria Gat.

Tecnologística – Quantas unidades vocês têm ao todo e qual o tamanho da frota da Gat?

Moraes – Hoje são cinco unidades. Além da matriz, em Guarulhos, estamos presentes em Hortolândia (SP), Ribeirão Preto (SP), Marília (SP) e Rio de Janeiro, sempre com estruturas próprias. Na matriz nós temos os maiores espaços de armazenagem, e as demais unidades funcionam como transit points, com 3 mil, 4 mil m². Elas atuam com armazenagem também, mas são operações mais pontuais, estoques mais estratégicos. E a empresa vem realizando estudos para marcar presença em toda a Região Sudeste, incluindo o Espírito Santo e Minas Gerais, mas vamos ver como o mercado se comporta para podermos falar com mais certeza sobre investimentos. Nós entendemos que o momento ainda não é tão oportuno pra isso. Quanto à frota, temos 134 veículos próprios e cerca de 200 agregados.

Tecnologística – Vocês possuem alguma operação in house?

Moraes – A Gat tem pequenas operações in house, com pontos avançados dentro de alguns clientes. Como nós lidamos com operações de grande porte, esses pontos geram enormes ganhos. Imagine uma operação em que não há consolidação da carga, por exemplo, em que 100% dessa carga sai da unidade do cliente direto pros destinos. Contar com colaboradores nossos no local, dedicados a cada operação, é primordial. Com isso você faz com que todo o trabalho ganhe muito mais eficiência e velocidade.

Tecnologística – Com esse crescimento acelerado, a empresa tem investido em tecnologia da informação?

Moraes – Sem dúvidas. Dois aspectos nos quais temos investido muito ultimamente são Projetos e TI. Eu ouso dizer que nós nos transformamos e chegamos onde chegamos nos últimos anos justamente devido a esses investimentos. Na Gat não se faz nada, não se fecha nenhum contrato, sem um cronograma detalhado e sem um projeto de implantação perfeito. Temos ótimos engenheiros de projeto e somos constantemente enaltecidos pelos clientes por nossa excelência no desenvolvimento de projetos, até mesmo em BIDs dos quais eventualmente nós não saímos como vencedores.

E o que nos fez alcançar os níveis de excelência que apresentamos hoje nas nossas operações foram, com certeza, os investimentos em tecnologia. Quando um cliente vê um inventário com 100% de acuracidade, ele se sente muito mais confortável com o prestador de serviço logístico. Nossa parceira tecnológica é a Store Automação. Eles realmente compraram o nosso jeito de trabalhar e se tornaram grandes parceiros. A implantação das ferramentas tecnológicas nos trouxe benefícios realmente excelentes. Hoje nosso cliente pode acompanhar de casa todo o andamento e o resultado do inventário dele, por meio de um aplicativo para smartphones, por exemplo. A confiança que isso gera é muito grande. Na operação, nós não temos uma única folha de papel. Tudo é feito via coletor de dados.

Nós temos uma área interna de TI muito bem estruturada também, inclusive com uma equipe própria. Para se ter uma ideia, dos três geradores que temos na matriz, um é dedicado exclusivamente para garantir o funcionamento das ferramentas tecnológicas, como o WMS.

Tecnologística – Qual o tamanho do quadro de funcionários da Gat?

Moraes – Hoje nós temos 450 colaboradores diretos. Dentro do assunto mão de obra, eu costumo dizer que nossa grande matéria-prima são nossos colaboradores. Por isso nós temos um grande cuidado com eles e investimos em sua formação. Temos muitos motoristas, por exemplo, que crescerem dentro da empresa, foram treinados e estão agora transportando. Vale lembrar também que nossa frota é 100% rastreada e nós estamos na iminência de contar com uma nova ferramenta, que vai permitir que o próprio motorista faça a leitura do canhoto de entrega da mercadoria usando um smartphone. A informação sobe automaticamente para a nuvem, o que facilita muito o dia a dia e acaba de vez com a papelada gerada.

Os investimentos em mão de obra são levados muito a sério na Gat. Um operador logístico, na verdade, não produz nada, ele presta serviço, então se você não contar com uma mão de obra qualificada, você está perdido. Eu posso dar a melhor ferramenta da Store, por exemplo, na mão do meu funcionário, mas se ele não souber usar e aplicar aquilo na operação, não vai adiantar nada. Nós temos orgulho de dizer que contamos com uma equipe muito bem formada e muito capacitada.

Tecnologística – Quais são suas expectativas em relação ao mercado daqui pra frente?

Moraes – Nós estamos vendo os clientes mais confiantes, muitos querendo retomar negociações. Então a tendência em 2017 é de que todos possamos respirar um pouco melhor. Porém, como eu já citei, é preciso ficar atento à questão dos preços, e aqui eu não falo somente da Gat, mas dos prestadores de serviços logísticos como um todo. A briga por preços é o resultado natural de um momento de incertezas, de retomada, mas é preciso ficar claro que o setor não pode perder a mão nesse sentido, para que as empresas não apertem tanto o fornecedor. O mercado está bastante voraz, batendo forte na questão preço, e nós precisamos ter nosso ponto de equilíbrio. Na Gat nós temos uma área Financeira muito boa e nosso plano de contas é revisado constantemente.

Tecnologística – Qual sua opinião a respeito da infraestrutura logística brasileira?

Moraes – O país ainda precisa investir muito nesse aspecto para termos uma logística cada vez mais eficaz. Nós estamos ansiosos aguardando a inauguração do último trecho do Rodoanel, por exemplo. E os nossos portos, que apresentam condições precárias de infraestrutura? E eu falo isso operando na Região Sudeste, onde a situação é um pouco melhor. Em outras regiões os problemas são ainda maiores. As coisas precisam andar de verdade. Infelizmente, nós estamos muito atrasados quando comparamos nossa infraestrutura logística com o que se vê na Europa ou nos Estados Unidos.

Tecnologística – E olhando para o atual e para o recente cenário político do Brasil, o que podemos esperar nesse sentido?

Moraes – Eu acho que o país está vivendo uma espécie de ressaca quanto à política. Até bem pouco tempo, ninguém poderia imaginar eficácia no enfrentamento à corrupção. A Operação Lava-Jato está demonstrando que esse objetivo é factível. Temos agora novas caras na politica dizendo que vieram para mostrar que a coisa vai ser diferente, que teremos em pouco tempo exemplos de uma gestão eficaz e funcional. Sem demagogia, temos que acreditar, porque caso contrário continuaremos em um caminho negativo que fará um mal a este país que jamais vimos acontecer.

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