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Quinta-feira, 20 de julho de 2017 - 11h44
Sinônimo de empilhadeira
Responsável pela criação do equipamento de movimentação de cargas que é um verdadeiro símbolo da logística, a Clark completa 100 anos de história totalmente reestruturada. Hoje parte do grupo coreano Young An, a empresa figura novamente em posições de destaque no cenário mundial em um mercado extremamente competitivo e está pronta para crescer ainda mais. CI Kim, CEO da Clark no Brasil, fala sobre essa tradição secular e detalha as estratégias da empresa para ganhar cada vez mais participação também no mercado nacional, onde está prestes a completar 60 anos de atuação
Fotos: Moisés Nascimento

Revista Tecnologística – Neste ano de 2017 a Clark está comemorando os cem anos da invenção da empilhadeira, certo? Conte-nos mais sobre isso.

CI Kim – Em 1917, Eugene Clark, fundador e primeiro presidente da empresa, desenvolveu o Tructrator, em Michigan, nos Estados Unidos, que foi o primeiro conceito de uma empilhadeira (leia mais na edição 251 da Revista Tecnologística, página 6). Por muitas décadas, a Clark foi a única empresa do mundo que fabricava esse tipo de equipamento, dominando totalmente o mercado. Assim, ela se tornou tão conhecida que o nome Clark virou sinônimo de empilhadeira.

Para comemorar o centenário da Clark, a Young An promoveu uma grande celebração em Lexington, no estado norte-americano do Kentucky, que reuniu colaboradores, distribuidores e clientes de todo o mundo. A Clark conta com uma planta em Lexington, inaugurada em 1987, mas que teve sua produção descontinuada em 2000, quando a empresa passava por um momento ruim. Depois da aquisição por parte da Young An, Lexington se transformou na sede da Clark nos Estados Unidos. A unidade é historicamente significativa para a empresa e também importante para os planos de expansão da marca para o futuro. A intenção é aumentar em 50% a produção atual até o ano de 2020.

No evento esteve presente o chairman e fundador da Young An, o senhor Baik Sung-Hak, e sua família. Em 2003, a Young An trouxe a Clark de volta ao mercado global de uma situação de falência, e rapidamente promoveu uma expansão muito grande da empresa no mundo todo. E isso se deve ao Chairmain Baik, como é conhecido, por seu profundo respeito e orgulho quanto à história e aos produtos da Clark.

Tecnologística – A Young An opera em segmentos bastante variados, certo? O mercado de empilhadeiras já era um deles?

Kim – A Young An Hat Company foi fundada em 1959 para atuar no segmento de chapéus e é até hoje a maior fabricante de chapéus do mundo. Mas atualmente a companhia opera também nos mercados de ônibus, hotéis, educação, filantropia, celulares e temos até mesmo um canal de TV. O segmento de empilhadeiras, porém, é muito representativo hoje dentro dos negócios da companhia. Em 2014 as vendas totais das empresas da Young An passaram de 2,3 bilhões de dólares. Somente a Clark obteve globalmente um faturamento de US$ 822 milhões.

E nós entramos no segmento de empilhadeiras justamente ao adquirir a Clark, em 2003. Ela havia entrado com o pedido de falência, e então a Young An viu a oportunidade de investir nesse mercado, reconhecendo a importância da marca. Assim, o grupo promoveu uma profunda reorganização e a Clark ressurgiu com muita força. Apesar de estar muito mal naquele momento, a Clark é uma marca conhecida, confiável, com tradição, e a Young An soube enxergar todo esse potencial. Hoje, menos de 15 anos depois da compra, a Clark já é a décima maior empresa do segmento em todo o mundo. Somos novamente uma companhia lucrativa e que vem crescendo mundialmente.

 Tecnologística – O fato de a Clark ser a inventora da empilhadeira coloca um peso maior sobre os ombros da empresa?

Kim – Sem dúvidas. E a importância da Clark não se resume à criação da empilhadeira. A empresa continuou com seu pioneirismo, tendo sido o primeiro fabricante a colocar adesivos de aviso e segurança nos equipamentos, desenvolvendo a primeira torre vertical com vigas em I e introduzindo os protetores de carga como padrão em todas as empilhadeiras para operador sentado.

Como eu disse, por muito tempo, até a Segunda Guerra Mundial, a Clark era a única fabricante de empilhadeiras do mundo, dominando totalmente esse mercado. Foram mais de 1,3 milhão de unidades produzidas desde 1917. Depois da guerra, surgiram muitos competidores no segmento, especialmente empresas japonesas e alemãs. Assim, apesar de continuar no topo nas décadas de 1950 e 1960, aos poucos a participação de mercado da Clark foi caindo e chegou a níveis bastante baixos, fazendo a empresa passar por sérias dificuldades. Mas trata-se de uma marca muito importante, até mesmo por toda sua história, e nós conseguimos trazê-la de volta.

 Tecnologística – Você já trabalhou em diversos outros mercados, como o do México e também de países da Ásia, certo? Quais as principais diferenças entre eles e o mercado brasileiro?

Kim – O Brasil é um mercado muito específico, com muitas particularidades. Por exemplo: nossos competidores aqui são as principais companhias que atuam no segmento de empilhadeiras em todo o mundo. Não existem muitas marcas presentes no país, mas as que estão aqui são as maiores do mercado mundial. Já em países como Estados Unidos e Coreia existem muitas marcas, e isso inclui empresas de pequeno porte. Essa característica poderia até mesmo fazer o mercado brasileiro ser menos competitivo, mas isso não acontece. Na verdade, o que existe é uma competição muito forte, pois somos todos grandes players.

A peça decorativa em homenagem aos 100 anos da empilhadeira está presente em todas as unidades da Clark

Tecnologística – Qual é o motivo para que o mercado brasileiro se configure dessa maneira?

Kim – Isso acontece porque o custo para se estabelecer aqui é muito alto. Na Clark, nós fazemos grandes investimentos para ter um estoque considerável de equipamentos, e marcas menores não têm condições de fazer esse tipo de investimento. É muito importante também prestar um suporte contínuo e de qualidade para o cliente, o que empresas menores não são capazes de fazer. Contar com uma rede de representantes forte também é essencial, e a Clark, como uma marca muito conhecida e estabelecida, dispõe de representantes que já possuem uma história de parceria de longa data. Somos como uma grande família, e isso nos dá uma enorme vantagem no mercado.

Tecnologística – Todas as empilhadeiras comercializadas pela Clark no Brasil são importadas, certo? Existem planos para estabelecer uma produção nacional?

Kim – Sim. Hoje nós importamos todos os equipamentos e realizamos localmente certas modificações e customizações, com acessórios que, em sua maioria, são produzidos aqui no Brasil. Cerca de 70%, eu diria. Com certeza a produção local dos equipamentos faz parte dos planos da Clark para o futuro. O país está passando por um momento complicado, a moeda está muito instável, e isso torna as coisas mais difíceis, mas nós esperamos ter novidades em breve quanto a isso. Contar com uma fábrica no Brasil é, sem dúvida, um dos nossos objetivos.

É importante lembrar que, dentre as grandes marcas do segmento, nós somos a única que não tem uma fábrica local, e mesmo assim estamos competindo forte no mercado, com um bom estoque de máquinas para servir às necessidades dos clientes, especialmente para estarmos preparados para atender demandas por diferentes especificações, capacidades e tamanhos. Isso exige bastante investimento, e nós estamos fazendo esses investimentos, porque estamos realmente muito confiantes quanto ao futuro do mercado nacional e estamos muito determinados a penetrar cada vez mais no Brasil, desenvolvendo nosso negócio e, quando o momento chegar, contando com uma fábrica própria.

Tecnologística – Para abastecer o mercado brasileiro e também o latino-americano?

Kim – Inicialmente, estamos pensando no mercado brasileiro. Mas é claro que, quando já estivermos atendendo o mercado nacional com uma fábrica local, poderemos expandir essa produção brasileira para países como Argentina, Chile e Colômbia. Eu diria que é um segundo passo natural, mas o primeiro passo é focar 100% no mercado brasileiro.

Tecnologística – Então a Clark está otimista quanto ao Brasil mesmo com todos os problemas políticos e econômicos que o país está atravessando?

Kim – Sim, nós estamos muito otimistas. E eu tenho conversado com muitos representantes e fornecedores e tenho percebido que eles também estão confiantes de que o mercado brasileiro se tornará muito forte novamente no futuro.

Tecnologística – Vocês estão lançando uma nova linha de equipamentos elétricos, correto? É uma aposta em mercado em ascensão?

Kim – O setor de equipamentos elétricos é muito forte em todo o mundo e nos últimos anos tem apresentado um ótimo crescimento. O investimento inicial pode até ser mais alto na comparação com equipamentos a combustão, mas considerando a redução nos gastos por exigirem menos manutenção, eles se tornam extremamente competitivos.

E as questões ambientais também são muito importantes, claro. As máquinas elétricas são menos poluentes, e as regulações quanto à emissão de gases são cada vez mais severas no mundo todo. Para reduzir essas emissões em empilhadeiras a combustão interna, movidas a gasolina, diesel ou gás liquefeito de petróleo (GLP), o custo acaba se elevando, naturalmente, porque é preciso haver mais tecnologia embutida, aplicar filtros, e isso faz com que esses equipamentos percam competitividade no mercado. As empilhadeiras elétricas estão preparadas para o futuro.

Essa é uma tendência muito forte ao redor de todo o globo, e no Brasil também. Os números do mercado mostram isso. O país não está passando por um bom momento, claro, e nos últimos anos o setor de empilhadeiras tem reduzido. O segmento de equipamentos a combustão apresentou uma queda de mais de 50% desde 2015, mas, quando falamos das empilhadeiras elétricas, essa queda foi de somente 15%. Hoje esse tipo de equipamento já representa 45% das vendas de empilhadeiras no mercado.

Tecnologística – A Clark importa as baterias para os equipamentos elétricos?

Kim – Não. Nós temos nossos fornecedores aqui no Brasil mesmo. Não há necessidade de importar, porque existem empresas produzindo baterias de ótima qualidade em território nacional.

Tecnologística – Qual é o maior mercado da Clark no mundo?

Kim – A América do Norte, mais especificamente os Estados Unidos, é o mercado número um. O segundo maior é o europeu, seguido pela Ásia. O Brasil já esteve entre os dez maiores mercados da Clark em todo o mundo, mas hoje ele caiu um pouco nesse ranking.

A Clark está presente no país desde 1958. Em 2005, depois da reestruturação da empresa, nos estabelecemos na cidade de Valinhos (SP), e em 2009 nos mudamos para Vinhedo (SP). Desde então já foram comercializadas mais de 9 mil máquinas no mercado nacional. Além disso, em 2014 comercializamos mais de 50 mil peças junto aos nossos distribuidores, que cobrem 100% do território nacional.

Nós estamos esperançosos de que o Brasil é um mercado que vai continuar crescendo muito dentro dos negócios da Clark. Foi precisamente por isso que a Young An me enviou para o país: para focar o máximo possível no mercado nacional. O Brasil é um país-chave dentro da estratégia da companhia.

Edição comemorativa

A Clark escolheu a família GTS25-33, lançada em 2016, para receber uma edição especial e limitada de aniversário de 100 anos, que ficará disponível somente até dezembro deste ano.

A empilhadeira de design robusto, baseado no princípio “Feitas para Durar” da empresa, traz uma aparência renovada e moderna, com rodas pretas, o logotipo do centenário na torre, o adesivo de edição de aniversário na lateral e o novo modelo de assento especial, com a inscrição 1917 em relevo e a insígnia de Eugene Clark.

Com capacidade de carga nominal de 2,5 a 3,3 toneladas, a linha GTS25-33 possui freios a disco banhado a óleo, combinados com uma transmissão de alto desempenho. Preparada para trabalhos pesados, a empilhadeira combina configuração premium com motores potentes e eficientes, movidos a diesel e GLP.

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