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Quarta-feira, 16 de agosto de 2017 - 13h16
Um mercado de oportunidades
De olho nos principais polos consumidores do país, a Friozem tem expandido cada vez mais sua presença e suas operações no atendimento ao setor de alimentos que demandam temperatura controlada, por meio de aquisições ou da implantação de novas unidades. O diretor-presidente Fábio Fonseca detalha a estrutura e os planos da companhia e fala sobre a situação do mercado da logística frigorificada como um todo, que, na opinião do executivo, deve passar por uma grande consolidação, fazendo com que os níveis de serviço se tornem cada vez melhores
Foto: Radamés Jr.

Revista Tecnologística – Conte-nos um pouco a respeito da história da Friozem.

Fábio Fonseca – A empresa começou com o meu pai, Fábio Fonseca, como estoque regulador de carne, em 1978, na cidade de Jandira (SP). Se hoje o Brasil é o maior exportador mundial de carne, naquela época o país era importador. A Friozem começou então baseada nessa necessidade de se armazenar a carne que chegava ao Brasil por meio da importação. Até os anos 1990, os negócios estavam focados na atividade de armazenagem. Eram grandes estoques, mas eu posso dizer que eram estoques estáticos. O Brasil importava volumes muito grandes de carne, e isso era mais do que suficiente para encher esses armazéns. Quando isso mudou, os negócios precisaram mudar também, e com o tempo começamos a fazer a distribuição das cargas, compostas sempre por produtos congelados, e passamos de simples estoques estáticos para uma logística dinâmica.

Tecnologística – Como um verdadeiro operador logístico, apesar de o termo ainda não existir na época?

Fonseca – Sim. Em vez de armazenarmos grandes volumes estáticos, passamos a trabalhar com menores volumes, mas de forma dinâmica. Assim, nós nos tornamos uma extensão dos clientes, atuando como um verdadeiro centro de distribuição. Foi nessa época que começamos a atender grandes clientes do ramo alimentício, como Danone, Seara e Sadia, e passamos então a contar com uma operação mais parecida com a que temos hoje.

Nessa mesma década, de 1990, o mercado brasileiro se abriu para a importação de diversos outros produtos alimentícios, então nós ampliamos nosso portfólio de clientes, com empresas como Ferrero Rocher e Bonduelle. E começaram a surgir também mais empresas brasileiras atuando nesse segmento. Foi aí que os negócios se consolidaram de vez.

Tecnologística – Foi um novo momento do mercado que demandou novas mudanças na forma de trabalhar?

Fonseca – Na verdade foi aí que entrou todo o aparato que hoje é necessário para operar nesse setor, como as ferramentas de gestão e os controles mais rigorosos de temperatura. Até então, o gerenciamento dos estoques, por exemplo, era feito na prancheta, mas a operação se profissionalizou com a adoção de softwares como o WMS. Os anos 1990 representaram uma mudança drástica para o mercado, com a entrada da tecnologia. E essa tecnologia não parou de evoluir. Antigamente quem trabalhava com ambientes congelados e refrigerados tinha que literalmente girar as válvulas. Hoje é tudo programado, controlado por sistemas que operam com os compressores, ligando e desligando automaticamente. Agora as válvulas giram sozinhas.

Tecnologística – Que segmento é o carro-chefe da Friozem?

Fonseca – Nós trabalhamos com todos os tipos de alimentos que necessitam de temperatura controlada, especialmente congelados e refrigerados, e também um pouco de climatizados. Nosso foco é bem específico em alimentos. Claro que, como um grande operador logístico da cadeia do frio, nós temos a expertise para atender também ao segmento de medicamentos, por exemplo, que possui exigências parecidas, mas o setor de alimentos é tão grande que eu acredito que, para atendê-lo bem de verdade, com excelência, você precisa estar focado nele. E ainda existe muito espaço para a Friozem crescer dentro desse mercado. Além disso, apesar de serem operações parecidas, como eu disse, os alimentos precisam ser armazenados em separado. Eu até poderia operar com medicamentos, ou cosméticos, digamos, mas em uma estrutura separada, até mesmo devido às regulações e às habilitações necessárias para cada um desses setores.

Tecnologística – Fale um pouco a respeito da estrutura da empresa.

Fonseca – Em determinado momento nós começamos a expandir a empresa para outras regiões, para não ficarmos tão dependentes de São Paulo, onde começamos. O mercado paulista é bastante concorrido e, no mesmo período em que nós iniciamos nossas operações em Jandira, surgiram outras empresas no estado, é claro. Então, para que tivéssemos um diferencial perante o cliente, nós partimos para operações também em Recife, em 1984, porque a Região Nordeste era muito carente desse tipo de operação. Nós fomos pioneiros nesse mercado, e não fomos para lá motivados por um contrato com algum cliente ou algo assim. Nós fizemos uma pesquisa de mercado e percebemos que por aqui as coisas eram mais concorridas, mas no mercado nordestino havia uma carência por empresas que atuassem na logística do frio. Pensando nisso, em 1992 a Friozem inaugurou mais uma unidade na região, localizada em Fortaleza, dando continuidade aos negócios desenvolvidos no Nordeste. É importante destacar que nessa época as operações já estavam mais completas, não só com a armazenagem, mas também com serviços de distribuição.

Tecnologística – De lá para cá, foram inauguradas várias outras unidades, certo? Qual é a metragem total dos armazéns da Friozem?

Fonseca – Em 1995 iniciamos as operações de Belo Horizonte, em 1998 de São Bernardo do Campo (SP), em 2009 de Araraquara (SP) e em 2016 de Curitiba. E acabamos de comprar a operação da Brado em Porto Alegre, que é bastante grande, com 169 mil m³ e 27 mil posições-palete. A unidade de Curitiba já havia sido adquirida junto à Brado, e agora isso ocorreu na capital do Rio Grande do Sul também. Com isso, nós chegamos a um total de 812 mil m³, considerando todas as diferentes temperaturas com as quais trabalhamos. Nossa capacidade de armazenagem chega a 136 mil paletes.

Tecnologística – O que motivou essa aquisição em Porto Alegre?

Fonseca – O fato de ser uma grande capital, e de a unidade complementar muito bem nossas operações na Região Sul, onde temos agora duas filiais. Nossa estratégia é focar nos maiores centros urbanos, então nós operamos em regiões metropolitanas que representam grandes mercados consumidores. Nossos estudos de posicionamento são sempre baseados em população e poder de consumo.

Tecnologística – A Friozem tem uma nova unidade em Salvador também, correto?

Fonseca – Sim. Em Simões Filho, na verdade, na região da Grande Salvador. Ainda não fizemos a cerimônia de inauguração oficial, mas a unidade já está em operação desde junho e deve gerar cerca de 200 empregos diretos. A previsão é que até o final do mês de agosto essa unidade já conte com uma ocupação de 90%. Essa filial, que tem capacidade para aproximadamente 15 mil paletes, não foi uma aquisição. Nós a construímos, com um investimento de R$ 35 milhões. Lá, especificamente, existe demanda, existe mercado potencial e carência por novas operações no setor.

Temos então duas unidades no Sul, três no Nordeste e quatro no Sudeste, além de já contarmos com um terreno no Rio de Janeiro, para um projeto futuro. Com toda essa estrutura, nós estamos caminhando muito bem dentro do projeto da Friozem de atuar nas principais regiões de consumo do país. Rio de Janeiro é nosso foco atual e, no futuro, Brasília, provavelmente realizando alguma aquisição. Depois dessas principais regiões, o abismo no consumo é muito grande, e ele está tão abaixo que é possível atender a partir das unidades com que já contamos.

Tecnologística – Você considera então que o Brasil não está bem servido de espaços de armazenagem voltados à cadeia do frio de uma maneira geral?

Fonseca – Em termos de espaços destinados à armazenagem, os números do mercado brasileiro são cerca de 20 vezes menores que os dos Estados Unidos, por exemplo, que é um mercado mais maduro. O que acontece, na realidade, é que o Brasil ainda é um país muito pobre, e a grande maioria da população não está inserida no mercado consumidor em potencial. Se a renda brasileira fosse classificada como nos Estados Unidos, talvez 70% da população nacional fosse considerada de uma classe muito pobre, sem poder aquisitivo. E a baixa renda faz com que o consumo de congelados seja consequentemente baixo.

Algumas regiões do país estão muito ofertadas, com uma grande ociosidade instalada, enquanto outras ainda são muito carentes de serviços nessa área, então ainda existem grandes oportunidades. No momento, com a crise que o país atravessa, fica mais difícil falar sobre isso, porque acaba havendo ociosidade nas operações, já que o consumo diminuiu muito. O segmento de lácteos, por exemplo, teve uma queda de 30%. Mas, sem dúvidas, ainda existe muito potencial de crescimento, e isso depende de uma melhora no cenário macroeconômico, o que é bastante difícil de prever atualmente.

Tecnologística – Mas, mesmo com essa situação complicada que o país atravessa, a Friozem segue investindo.

Fonseca – Nós estamos aproveitando algumas oportunidades, como foram os casos de Curitiba e Porto Alegre, de não aumentar a cubagem da região, e sim absorver espaços que já existem. Se houvesse um crescimento no inventário dessas regiões, isso resultaria em excesso, então o que nós fizemos foi assumir operações que já existiam.

Essa diferença entre as regiões é um problema difícil de se resolver, pois é claro que as empresas buscam estar mais perto dos grandes mercados consumidores. E existe outro fator: não se removem estruturas já instaladas. Essa é uma grande questão nesse mercado frigorificado, pois são instalações com investimentos muito altos. Para se ter uma ideia, o piso dos armazéns já demanda altas quantias. Além de ele ter que ser capaz de suportar até 8 toneladas por m², já que operamos com cargas pesadas, é preciso haver dois níveis, devido ao isolamento necessário para o controle da temperatura. Então, já no piso, vai um caminhão de dinheiro. E ainda tem toda a parte de refrigeração, com compressores que também são muito caros.

Esses investimentos em estrutura têm um retorno de longuíssimo prazo. Essas características, inclusive, são determinantes para que, com o tempo, somente as grandes empresas do setor consigam sobreviver nesse mercado. Além disso, trata-se de um segmento em que você precisa estar constantemente reinvestindo em manutenção, tecnologia e melhorias.

Tecnologística – A crise não afetou a Friozem, então?

Fonseca – É um momento complicado, claro, pois, como eu disse, o consumo caiu, mas nesses momentos surgem também boas oportunidades. Muitas empresas estão revendo sua política, como é o caso da Brado, que está focando mais no transporte de contêineres por ferrovia, e aí surgem oportunidades que em outras épocas talvez não surgissem. As margens estão apertadas, isso é um fato, mas nós, em particular, estamos operando no positivo em todas as regiões e preparados para quando a economia voltar. E atravessar esse momento expandindo nossa atuação com novas unidades dilui bastante o risco, pois problemas pontuais em determinados mercados não surtem efeitos tão negativos nas operações como um todo.

Tecnologística – Você está confiante quanto a essa retomada do mercado?

Fonseca – Está cada vez mais difícil fazer qualquer previsão no Brasil. A confiança estava alta para 2017, mas está sendo um ano complicado. O atual governo está trabalhando única e exclusivamente para se manter e, com isso, reformas que deveriam ser aprovadas para aliviar a situação do país, como a da previdência, ficam paradas. E para 2018, que é ano de eleição, a coisa fica mais complicada ainda, pois é tudo uma grande incógnita por enquanto. Vamos ver como fica em 2019...

Tecnologística – No quesito tecnologia você considera que o Brasil está no mesmo patamar que mercados mais consolidados?

Fonseca – Está sim. Isso já evoluiu muito, e contar com altos níveis tecnológicos já é um pré-requisito no setor. Quem não se deu conta disso, não consegue mais nem participar das concorrências dos clientes. Os grandes operadores desse mercado já têm essa preocupação e investem cada vez mais em tecnologia.

Tecnologística – Trata-se de um mercado com grandes exigências, correto?

Fonseca – Sem dúvidas. Porque é um setor da logística que demanda muita responsabilidade. Você tem o Ministério da Agricultura (SIF) dentro do seu estabelecimento, por exemplo. O mercado frigorificado precisa de uma expertise diferenciada, muito própria. E, além de exigir muitos investimentos, ele não é um negócio com grandes margens de lucro. O que é natural, já que se trata de um mercado com um risco muito baixo, afinal, ainda que as coisas oscilem um pouco, as pessoas não vão parar de consumir alimentos. Nos últimos anos, nós vimos muitas empresas especulando o mercado, mas elas acabam saindo, porque estão em busca de margens que não existem.

Tecnologística – Você está bastante empenhado na troca de experiências com empresas e entidades internacionais (leia mais na edição 252 da Revista Tecnologística, na reportagem Operações frigorificadas no estado da arte). Fale um pouco mais sobre isso.

Fonseca – Isso é fundamental para que qualquer empresa possa se posicionar de forma adequada no mercado. É preciso saber como o mundo trabalha e conhecer o que há de mais moderno no segmento, seja em relação a equipamentos de refrigeração, às portas utilizadas nos armazéns e centros de distribuição, às tecnologias para reduzir o consumo de energia ou às melhores práticas das empresas em outros países. Nós estamos, sim, muito atentos a tudo isso sempre.

Tecnologística – A energia é um custo muito alto nesse segmento?

 Fonseca – Ela representa de 20 a 25% do custo total de um armazém. Eu nem diria que ela é tão cara no Brasil, mas, por se tratar de energia hidrelétrica, deveria ser muito mais barata. A grande questão é que existe muita ineficiência, como tudo que está relacionado a infraestrutura no país. Nos Estados Unidos, por exemplo, há estados com energia muito mais cara que a brasileira, mas outros com uma energia muito mais barata, dependendo justamente da fonte.

Tecnologística – Estamos falando sobre armazenagem, mas na cadeia do frio a preocupação com tecnologia de ponta se estende ao transporte, certo?

Fonseca – Sem dúvidas, as tecnologias de controle de temperatura são muito importantes no transporte também. Mas, falando especificamente da atividade de distribuição, vale a pena mencionar um fator importante: particularmente eu não vejo mais como viável oferecer o serviço utilizando frota própria. E por um motivo muito simples. Existe uma indústria da multa que faz com que isso seja muito caro. A Friozem desinvestiu em frota e passou a operar com terceiros justamente por isso. Por mais que você ofereça todo tipo de treinamento para o motorista, é praticamente impossível não receber multas no Brasil. E a questão é que você não pode perder motoristas por excesso de multas, mas quando não há também a indicação de um condutor, a multa fica se multiplicando. Imagine isso em grande escala dentro das atividades de transporte de uma empresa. É inviável. Você acaba ficando com um custo que pode se tornar maior que o valor da própria frota.

Com o motorista agregado, a história é diferente. Além de ele tomar muito mais cuidado, é claro, porque ele não pode perder a habilitação, quando acontece de tomar uma multa, ele mesmo assume. Dessa maneira, o transportador autônomo está praticamente monopolizando a atividade, pois até mesmo para grandes operadores logísticos não está valendo a pena contar com ativos próprios. Nós já tivemos uma frota composta por 80 veículos, mas hoje isso mudou. E o motorista autônomo apresenta muita qualidade, obedecendo aos nossos critérios e também cuidando muito bem do caminhão, porque é dele, é o instrumento de trabalho diário dele, do qual ele depende. Então atualmente nós utilizamos uma frota de veículos terceirizada, com o gerenciamento todo feito pela própria Friozem. São empregados aproximadamente cem veículos por dia nas operações de transporte.

Tecnologística – Como membro da diretoria da Associação Brasileira da Indústria de Armazenagem Frigorificada (Abiaf), você diria que o setor é organizado?

Fonseca – É sim, mas é claro que ainda tem muito que evoluir. Pode-se observar, pela própria Abiaf, que existem ainda muitos pequenos operadores que não são associados simplesmente porque não atendem a pré-requisitos básicos de qualidade. Mas o mercado tende a se consolidar naturalmente, porque o próprio cliente está selecionando melhor seu operador logístico, exigindo mais dele, então a tendência natural é que esses pequenos se aprimorem cada vez mais, ou estão fadados a sumir. Isso é muito bom, pois eleva o nível do mercado como um todo, com um setor mais forte e atendendo melhor o cliente.

Tecnologística – Mas, de uma maneira geral, temos boas empresas atuando no mercado?

Fonseca – As grandes empresas estão se profissionalizando muito, e isso é extremamente importante. Com essa consolidação que eu citei, quando o mercado for composto somente por empresas de um porte maior, os serviços em si vão melhorar muito. Hoje ainda existem muitas empresas menores atuando localmente. Elas apresentam preços menores para o cliente, mas não possuem o know-how, a especialização, a estrutura que uma empresa grande tem. E muitas vezes o cliente vê somente o preço. Mas eu acredito que essa tal consolidação é uma tendência natural. Vão restar poucas empresas, porém maiores e com bons níveis de serviço de fato. Sendo assim, é possível dizer que ainda haverá muitas fusões e aquisições nesse mercado.

Tecnologística – Existe algum elo da cadeia em que você considera ter persistido mais problemas na logística fria?

Fonseca – Eu acredito que ainda existam problemas em toda a cadeia, mas não por parte dos operadores, e sim porque há uma grande fatia de mercado com operações logísticas feitas pela própria indústria. As gigantes do ramo alimentício ainda têm muitas operações logísticas próprias. Isso não é vantagem para elas de forma alguma, mas muitas companhias não enxergam o custo de forma global, focando somente no custo direto, e aí elas acham que é mais barato fazer a própria logística, quando na verdade existem muitos custos indiretos embutidos, como o de tecnologia da informação, de recursos humanos, tributário, ou com estrutura. São empresas que deveriam ser clientes dos operadores logísticos, mas que estão fazendo a logística. E elas não são especializadas nisso, essa não é a atividade principal delas.

Esse é um pensamento muito específico de alguns executivos que estão nessas gigantes, que tende a mudar com o tempo, até mesmo impulsionado por essa consolidação pela qual o mercado da logística da cadeia do frio vai passar. Essa percepção vai mudar, porque não faz sentido você investir em algo que não seja seu core business, vai contra a tendência mundial. Com o tempo, todas essas empresas vão migrar para os prestadores de serviços. O consumidor é cada vez mais exigente, e não quer comprar um leite no mercado e descobrir que ele está estragado quando chega em casa. Isso obriga a indústria a contar com uma logística cada vez melhor e mais eficiente, para garantir a qualidade dos produtos. O que é muito bom para empresas como a Friozem, que estão realmente preparadas para atender o mercado, e vai contribuir para essa consolidação do segmento da logística fria.

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