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Quinta-feira, 19 de outubro de 2017 - 13h49
Força em dobro
Com seis décadas de história no Brasil, a Hyster-Yale tem investido intensamente em inovação e tecnologia para crescer cada vez mais no disputado mercado nacional de empilhadeiras com suas duas marcas de equipamentos. Jessica Forti, diretora de Vendas, destaca os principais diferenciais da companhia, que inaugurou recentemente sua nova fábrica em solo brasileiro. Apostando em um portfólio abrangente, a empresa oferece desde máquinas de menor porte para operações de intralogística até as mais robustas, indicadas para trabalhos pesados como a movimentação de contêineres em portos
Fotos: Radamés Jr.

Revista Tecnologística – Vocês estão comemorando, em 2017, 60 anos de Brasil, correto? Conte-nos mais a respeito da história da companhia. 

Jessica Forti – A Hyster-Yale Group iniciou sua operação no Brasil por meio da instalação da Hyster Company, em 1957 e, em 1959, tornou-se a primeira empresa a fabricar empilhadeiras no país, instalada, na época, no bairro de Santo Amaro (SP). Em 1973, a empresa se mudou para a Avenida das Nações Unidas, também em São Paulo, e pouco mais de dez anos depois a área fabril passou a ser de aproximadamente 10 mil m². Em 2015, nós inauguramos nossa planta atual, localizada na cidade de Itu (SP). É uma fábrica supermoderna, com aproximadamente 19 mil m² e que funciona totalmente sob o conceito de lean manufacturing. Hoje, nós temos capacidade para fornecer ao mercado de 8 a 10 mil máquinas por ano. A antiga fábrica era totalmente voltada para máquinas a combustão, mas na nova planta nós pudemos contar com um espaço maior para as linhas de produção de cada tipo de empilhadeira, incluindo as elétricas.

Tecnologística – Em quantos países vocês estão presentes?

Jessica – Atuamos em 130 países, tendo como sede os Estados Unidos, em Cleveland, no estado de Ohio. Também temos atualmente 12 fábricas em diversas regiões de países como China, Estados Unidos, Holanda, Irlanda, Itália, Japão e México, além da planta brasileira, a única da América do Sul. Ao todo, são mais de 6.300 funcionários no mundo todo, e por volta de 200 funcionários diretos somente no Brasil. Em 2016, o faturamento global da companhia chegou a US$ 2,6 bilhões.

A Hyster-Yale Group nasceu da união das empresas Hyster e Yale após a aquisição pela Nacco Materials Handling Group (NMHG), em 1985, e em 2000, aqui no Brasil, a Hyster passa também a adotar o nome do novo grupo. Em 2012, porém, a empresa tornou- se independente do grupo Nacco, com suas ações abertas na Bolsa de Nova Iorque. Foi feito um spin-off do grupo em todos os países em que atuamos, e optou-se por adotar o nome Hyster Yale Group justamente por serem duas marcas bastante conhecidas e consolidadas no mercado mundial de empilhadeiras. É importante mencionar que há dois anos a companhia adquiriu a fabricante de acessórios italiana Bolzoni. É uma excelente marca, muito respeitada no mercado, e nós vamos manter a identidade da empresa. A aquisição foi feita com o objetivo de agregar mais valor e tecnologia de ponta à nossa linha de produtos. Fora do Brasil já comercializamos os acessórios da Bolzoni e por aqui nós estamos em fase de estudos a respeito da viabilidade econômica, apesar de já importarmos garfos da marca.

Tecnologística – Vocês apresentam uma característica muito peculiar, de contar com duas marcas que apresentam produtos bastante similares entre si. Como funciona essa dinâmica no mercado?

Jessica – Ao longo do tempo decidiu- se que a companhia manteria as duas marcas, justamente por todo o valor e peso que elas possuem. Existem sim produtos semelhantes nos dois portfólios, mas também há uma segmentação. A gama de produtos da Hyster vai desde as paleteiras manuais até os reach stackers, que suportam até 45 toneladas, então é uma marca que foca também em máquinas mais robustas, para operações pesadas, atuando 24 horas por dia, sete dias por semana. Já a Yale conta com máquinas mais focadas na sofisticação, com mais tecnologia embarcada, indicadas para trabalhos de intralogística de até 16 toneladas. Essas diferenças exigem que nós tenhamos uma comunicação muito clara com o mercado em relação às duas marcas.

Tecnologística – Você citou que a fábrica brasileira é a única na América do Sul. Ela abastece os mercados vizinhos também?

Jessica – Sim, a partir dela nós atendemos outros países da América do Sul, especialmente o mercado argentino. E a tendência é que essas exportações cresçam no futuro próximo.

Tecnologística – Nessa nova fábrica vocês produzem equipamentos elétricos, certo? Esse é um segmento em que a companhia tem investido bastante?

Jessica – Sem dúvida, porque essa é uma tendência muito forte no mercado. Quando essa crise que o Brasil está atravessando começou, o mix do setor de empilhadeiras era composto  em 60% por máquinas a combustão e em 40% por elétricas. Com a crise, esse mix se inverteu rapidamente, porque a indústria procurou enxugar os custos. Para se ter uma ideia, somente nos dois últimos anos nós nacionalizamos seis modelos de equipamentos elétricos. É um mercado que se mostra muito forte.

Tecnologística – Todos os modelos disponíveis já são fabricados em Itu ou a companhia ainda traz algo de fora? 

Jessica – Hoje, 85% do que é vendido no Brasil é fabricado localmente. E os 15% que restam só são importados porque são modelos com um volume que ainda não justifica a produção nacional, mas a ideia é produzir cada vez mais na fábrica brasileira conforme as vendas aumentem. Em geral, ainda são importados os ReachStackers, por exemplo. Esse é um mercado com muito potencial, mas com volumes baixos.

Tecnologística – Um crescimento do setor portuário seria muito interessante para vocês, então?

Jessica – É um setor que tem chamado muito nossa atenção e que nós vemos com bons olhos. Reach stackers são máquinas que duram muitos anos, então as oportunidades estão nas aquisições por parte das novas empresas e também na renovação das frotas. Temos produtos muito competitivos para esse segmento, com tecnologias embarcadas muito boas, por isso estamos torcendo para esse mercado seguir forte, e estamos preparados para atendê-lo muito bem.

Tecnologística – Vocês estão otimistas quanto à recuperação do mercado de uma forma geral?

Jessica – O que estamos percebendo é que o mercado vem crescendo em termos de volume. Nossa projeção é crescer entre 10% e 15% em vendas até meados do ano que vem. Essas previsões são baseadas nos pedidos que foram feitos, e, se analisarmos o mercado de janeiro até aqui, houve um aumento considerável de pedidos. Até o final de agosto, por exemplo, a demanda do mercado foi de aproximadamente 7 mil máquinas. A movimentação de negócios ainda é tímida, mas mostra recuperação. Isso significa que durante a crise as empresas não investiram, mas chega uma hora em que é necessário renovar a frota de empilhadeiras. São negócios pontuais que estavam parados e que agora voltam a sair do papel. Então, estamos vendo sim um sinal de melhora na economia. As eleições presidenciais no ano que vem serão um fator complicador, mas já são três anos em recessão e, por essa movimentação que podemos perceber por parte das grandes empresas, existem muitos investimentos represados, apenas aguardando por algum sinal de estabilidade, por um cenário um pouco mais claro no horizonte e que dê mais segurança. É para isso que estamos nos preparando.

Tecnologística – É possível dizer então que essa recuperação depende, em grande parte, das empresas com maior poder de investimento, que estão atravessando a crise capitalizada?

Jessica – Sim, e durante uma crise todas as empresas passam a trabalhar muito melhor seus custos internos, cortando as “gorduras”, ficando mais enxutas, mantendo mais os pés no chão. Este acaba sendo um exercício obrigatório. E quando o mercado se recupera e as empresas já enxugaram tudo o que podiam, é a hora de voltar a investir para crescer. Aí entra com muita importância a venda consultiva, área à qual temos nos dedicado muito, pois envolve não somente a venda simples do produto, mas uma solução completa para o nosso cliente, com base naquilo que ele realmente necessita. Afinal, reduzir os custos não é importante somente durante uma crise. Essa otimização deve acontecer o tempo todo.

Tecnologística – Buscar novas tecnologias e soluções, como as empilhadeiras elétricas, também tem seu papel nessa otimização, correto?

Jessica – Com certeza. E estamos muito atentos à essa demanda do mercado. Em 2014, o grupo adquiriu a Nuvera Fuel Cells, localizada nos Estados Unidos, em Billerica, Massachusetts. É uma empresa que atua no mercado de células de hidrogênio. Com isso, é possível, por exemplo, produzir eletricidade partindo do hidrogênio e oxigênio, com vapor de água e calor como seus subprodutos, gerando assim um equipamento de energia 100% limpa. Claro que as baterias de lítio são a grande realidade do momento, mas nós já estamos olhando para frente com essa tecnologia de células de hidrogênio. A Nuvera era uma startup de engenheiros norte-americanos que inventou essa tecnologia. Estamos trabalhando fortemente na sua aplicação e na adequação às nossas empilhadeiras. Nos Estados Unidos, já existe hoje um kit que as empresas podem comprar a fim de converter a máquina para a utilização do hidrogênio como combustível.

Tecnologística – Trata-se de uma tecnologia que se aplica às empilhadeiras que já estão no mercado, então? 

Jessica – Sim, exatamente, e essa é a grande vantagem. Não é preciso renovar a frota, mas apenas converter as máquinas já utilizadas. Isso vale para equipamentos elétricos, e o kit de conversão não ocupa nenhum espaço além do já ocupado pela bateria. A ideia é simplesmente substituir uma tecnologia por outra, adaptando o equipamento. Somos pioneiros nessa tecnologia e temos todo o know-how desse processo de conversão. Disponível por enquanto somente nos Estados Unidos, acreditamos que, muito em breve, esta tecnologia será uma grande tendência por aqui também.

Tecnologística – O que falta para que essa tecnologia se popularize?

Jessica – A grande questão para que ela se popularize ainda está na geração da célula de hidrogênio. Para que o modelo comercial tome maiores proporções, as pesquisas agora buscam fazer com que essa alternativa, além de mais limpa e sustentável, seja mais barata. O mais interessante da tecnologia é que, mesmo no caso das baterias mais modernas, ainda existe a questão do descarte. Já na propulsão por hidrogênio não há qualquer descarte, além da vantagem da emissão ser apenas de água e calor. É uma energia 100% limpa.

Tecnologística – A companhia conta com soluções de telemetria também?

Jessica – A telemetria é uma grande tendência no mercado de empilhadeiras. Oferecemos essa tecnologia como um acessório plug and play. É um kit que pode ser acoplado ao equipamento e que funciona utilizando os sistemas GSM e 2G. Nós realizamos um estudo bastante aprofundado a respeito das tecnologias de telemetria que são oferecidas no mercado e, baseados nisso, podemos dizer que temos uma solução completa, que tem por princípio ser uma tecnologia a qual permite o gerenciamento de toda a frota do cliente, com acesso ao sistema 24 horas por dia, em três níveis de operação e abrangência. O kit é importado dos Estados Unidos, e contamos com equipes de desenvolvimento tanto lá quanto aqui no Brasil, que atuam também na melhoria dos produtos. Isso porque muita coisa desenvolvida lá fora precisa ser adaptada para a nossa realidade. Nós temos uma área de engenharia aqui no Brasil que se dedica totalmente a esse projeto. Globalmente, a Hyster-Yale Group investe em média de 3% a 4% do seu faturamento total em inovação, justamente pensando em tecnologia e em novas soluções.

 Tecnologística – Vocês já estão trabalhando com automated guided vehicles (AGVs)?

Jessica – Sim. Na verdade a Hyster-Yale Group tem se dedicado muito a estudar os AGVs. É mais uma das frentes de trabalho dentro de todo esse conceito tecnológico da companhia. Muitos grandes clientes estão surgindo com a necessidade de contar com AGVs, especialmente fora do Brasil. E, nesse aspecto, a nossa solução também é bastante interessante porque, assim como no caso das células de hidrogênio e da telemetria, a ideia é que o cliente possa empregá-la nos equipamentos standard. Ela consiste em um kit que, quando aplicado à empilhadeira, dá a opção de a máquina operar de forma automática ou manual. Então, se o operador precisar voltar a controlar o equipamento, basta girar uma chave e ele volta ao modo tradicional. Girando a chave novamente, a empilhadeira retorna à sua rotina como AGV. É uma solução que oferece muita flexibilidade e é bastante completa também, funcionando totalmente baseada no conceito de inteligência artificial. O equipamento sabe onde estão as colunas do armazém, onde os produtos estão estocados, desvia de obstáculos, lê as etiquetas, faz a coleta e a entrega, tudo de forma automatizada. E nosso grande diferencial está no fato de que a empresa não precisa realizar grandes investimentos para substituir a frota. Basta acoplar o kit de AGV aos equipamentos que ela já tem.

Tecnologística – Como é a percepção do cliente a respeito dessas tecnologias? As empresas já procuram por isso ou cabe a vocês apresentarem as novidades ao mercado? 

Jessica – É possível perceber que todas essas tecnologias consistem em tendências muito fortes no mercado. Grandes clientes, com grandes frotas, especialmente, já conhecem o valor da telemetria, por exemplo. Eles precisam controlar todos os equipamentos, gerenciar as informações, melhorar a produtividade, enxergar possíveis falhas nas máquinas, controlar o operador, etc. Algumas empresas já estão vendo o que está acontecendo lá fora e nos procuram para saber mais sobre essas tecnologias. Eu acredito que a grande questão no Brasil ainda está no payback do investimento. Tudo isso gera muita curiosidade, mas as empresas precisam fazer um estudo profundo a respeito do impacto real na operação. E isso depende muito do perfil e do porte da própria atividade. Em empresas com grandes operações, os investimentos em todas essas novidades tecnológicas são muito rentáveis, porque eliminam erros e geram ganhos de produtividade consideráveis.

Tecnologística – É aí que entra a questão da venda consultiva que você citou anteriormente?

Jessica – Exato. Cabe a nós mostrar quando os investimentos em determinada tecnologia fazem sentido ou não.

Tecnologística – Como uma empresa global, qual a percepção da Hyster-Yale Group a respeito do mercado brasileiro atual?

Jessica – Bem, nós já temos 60 anos de Brasil, então entendemos bem a realidade do país. A Hyster-Yale Group já viu de tudo por aqui. É claro que, historicamente, esta é uma das crises mais profundas e doloridas pelas quais o Brasil já passou, então, a corporação está empregando uma atenção muito especial para a nossa divisão, oferecendo todo tipo de suporte para nos auxiliar.

O nosso setor é competitivo, e estamos trabalhando forte para crescer cada vez mais e figurar em posições destacadas no mercado. Tudo o que estamos fazendo visa o crescimento de marketshare. Essa mudança pela qual o mercado passou, na relação entre as empilhadeiras a combustão e elétricas, gerou muita movimentação no marketshare, e sempre fomos muito bem posicionados no segmento de máquinas a combustão. Mas hoje a Hyster-Yale Group é muito forte também no mercado de elétricas, e estamos investindo pesado para seguir crescendo. Nesse sentido, vale ressaltar a nossa maior fortaleza como companhia, a nossa rede de distribuidores. Essa rede tem como missão a cobertura de 100% do território nacional, garantindo que nossos clientes tenham acesso à peças e serviços especializados, assim como à uma frota de locação de empilhadeiras, proporcionando velocidade e foco no atendimento.

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