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Terça-feira, 27 de novembro de 2018 - 11h39
Mais 30 em três
Ao completar 30 anos de história, a Brasilmaxi lançou o desafio de duplicar seu faturamento nos próximos três anos. Apostando na recuperação do mercado depois da crise econômica, o presidente do operador logístico, Marcelo Cunha, revela os investimentos previstos e detalha os planos da empresa para alcançar esse objetivo

A Brasilmaxi está completando 30 anos em 2018, certo? Conte-nos um pouco sobre essa trajetória.

Marcelo Cunha – Minha família toda sempre trabalhou com transporte, e meu pai, Paulo Fernandes da Cunha, tinha o sonho de ter um negócio próprio nesse segmento. Ele vinha tentando desde a década de 1970, mas faltava a habilidade de empresário. Todos nós trabalhávamos com o meu tio, Fausto Montenegro, que é um dos maiores empresários do transporte no Brasil e um grande exemplo pra mim. Mas em 1988 eu e meu irmão Claudio, decidimos abrir uma nova empresa, que na época se chamava Transmaxi.

No início nós estávamos no bairro do Pari (na cidade de São Paulo), com um galpãozinho modesto. Meu pai continuou trabalhando na empresa do meu tio, mas em apenas três meses, acreditando no sonho que ele sempre teve, veio trabalhar com a gente. Ele já tinha muita experiência no setor, era muito astuto na atividade de transporte e a essa altura já havia aprendido muito com os erros do passado. Depois de um ano meu irmão Fausto também veio trabalhar na nossa empresa. Foi um início muito bom, com uma capitalização bastante rápida.

Marcelo e Claudio Cunha, na festa de 30 anos da Brasilmaxi, e Fausto Cunha, diretor Comercial da empresa
Marcelo e Claudio Cunha, na festa de 30 anos da Brasilmaxi, e Fausto Cunha, diretor Comercial da empresa

Logo no primeiro ano da empresa  houve a crise do Sarney, e no início da década de 1990 a crise do Collor, mas nós sobrevivemos a tudo isso. A verdade é que logo depois veio o Plano Real e então os negócios deslancharam de vez. Foi um período virtuoso para a empresa. Durante a transição da moeda nós pagávamos em Cruzeiro Novo e recebíamos em URV (Unidade Real de Valor). É como pagar em Real hoje e receber em Dólar. Isso fez com que a empresa se capitalizasse muito bem, além de termos conseguidos clientes muito bons.

Como o momento era favorável, em 1994 nós saímos do bairro do Pari e fomos para a Vila Guilherme, ocupando um armazém maior, aplicando empilhadeira na operação, passando a contar com frota própria de caminhão, investindo de verdade nas operações. Nós crescemos tanto nessa época que já em 1997 o espaço ficou pequeno e nós nos mudamos de novo, dessa vez para Guarulhos. Ali nós vivemos outro período muito bom. Foi nessa época, inclusive, que nós passamos a operar para o segmento químico. É uma operação bastante especializada, devido às variadas exigências do setor, e nós conseguimos grandes clientes nesse ramo, e alguns deles estão conosco desde então.

Crédito: Radamés Jr.
Crédito: Radamés Jr.

Quando foi inaugurada a atual sede da empresa?

Cunha – Em 2001 surgiu a oportunidade de nos mudarmos para o bairro do Brás, bem ao lado de um terminal ferroviário. Hoje ele está desativado, mas nós chegamos a operar bastante com ele, inclusive embarcando contêineres na ferrovia. Essa unidade tem 70 mil m² e a grande vantagem de estar inserida no perímetro urbano. É uma área extremamente nobre. Nós estamos localizados em uma posição de atendimento extremamente privilegiada, com um raio de 25 km para atender a toda Grande São Paulo. Isso para as operações de entrega do setor de e-commerce, especialmente, é de uma importância enorme. O tempo de atendimento que nós conseguimos a partir dessa unidade é um grande diferencial.

A Brasilmaxi tem operações in house também?

Cunha – Sim. Nós fazemos toda a gestão de armazém, com equipe e equipamentos na unidade do cliente. E temos o contrário também, com clientes que têm filiais dentro da nossa estrutura. Além da sede no Brás, nós temos 25 mil m² de área de armazenagem distribuídos em outras oito unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Qual o tamanho da frota de transporte da empresa?

Cunha – Hoje nós temos cerca de 320 caminhões próprios e aproximadamente 400 agregados. Só na sede nós embarcamos todos os dias uma média de cem veículos. Contando todas as unidades, esse número sobre pra cerca de 180 viagens diárias.

Quais são os principais setores atendidos?

Cunha – No início nós lidávamos com carga geral, até passarmos a operar com químicos, como eu disse. Logo veio o setor de motocicletas e o automotivo. Hoje, além desses três, nós atuamos também com alimentos, no e-commerce e com logística promocional. Para atender a esse último, inclusive, nós contamos com uma unidade de negócios distinta, chamada Maxi Promotions.

Com a tendência de a indústria primarizar o transporte, as transportadoras precisaram passar a oferecer muitos serviços agregados, levando mais valor ao negócio. Assim, com o tempo naturalmente a Brasilmaxi passou de uma transportadora para um operador logístico que oferece serviços completos, desde a linha de produção do cliente até a entrega de produtos para o consumidor final.

E eu acredito que hoje o grande diferencial mesmo está na informação. Eu costumo dizer que atualmente nós não vendemos mais serviços, mas informação. Hoje o compliance das empresas é muito forte, e atender a todos os requisitos necessários demanda uma operação que gere total visibilidade e proporcione cada vez mais informações a respeito de tudo que é feito.

Crédito: Radamés Jr.
Crédito: Radamés Jr.

O que levou à criação da Maxi Promotions?

Cunha – O setor de materiais promocionais é muito diferente de todos os demais. Quem cuida disso, por exemplo, não é uma pessoa de logística, mas de marketing. As demandas são diferentes, as urgências são diferentes, as negociações são feitas de outra maneira, as equipes de venda são distintas. Nós detectamos uma boa oportunidade de mercado nesse setor e, há cerca de cinco anos, montamos essa divisão.

E nesse setor o que eu falei sobre o valor da informação é maior ainda. Uma virada de marca, ou uma nova campanha promocional, por exemplo, demandam muita atenção e uma equipe extremamente afiada para atender a todas as necessidades do cliente.

Quantos funcionários atuam na Brasilmaxi?

Cunha – Hoje são quase 400 colaboradores. E nós temos também uma empresa chamada Mpserv, que presta serviços de engenharia e manutenção. Ela foi adquirida em 2013 para ser um braço da Brasilmaxi, oferecendo serviços de manutenção predial, hidráulica, de ar condicionado, eficiência energética e obras e reformas em geral. Esse é um negócio muito importante para o grupo, com grande sinergia com a logística, e que vem crescendo cerca de 30% ao ano.

Como você avalia o atual momento da empresa?

Cunha – A Brasilmaxi chega aos 30 anos de idade com uma saúde financeira muito boa e acreditando muito no mercado, na retomada dos investimentos. Os últimos três anos foram muito difíceis pra todo mundo, mas nós nos mantivemos de pé. Como eu disse, nós já passamos por algumas crises, até piores que essa última, na verdade. O que aconteceu recentemente é que houve uma necessidade muito grande de readequação, tanto de processos quanto de pessoas.

Mas nós estamos otimistas, pois agora parece que o clima mudou e a situação está mais favorável. Nós mesmos seguramos alguns investimentos por um tempo, mas agora vamos colocar em prática, tanto em novos veículos e equipamentos quanto em novos armazéns e em tecnologia. Isso já começou em 2018, inclusive, pois nós trocamos todo nosso parque de softwares. Mudamos de ERP, WMS e TMS, buscando evolução, buscando as melhores e mais atualizadas soluções que o mercado oferece. Agora todos eles são oferecidos pela Senior. O TMS e o ERP estão em fase de implantação e o WMS já está em funcionamento.

Aliás, o departamento de Tecnologia da Informação é muito importante para a Brasilmaxi, então além de investir nas ferramentas, nós investimos também e equipe. Hoje são quase dez pessoas trabalhando internamente, e essa equipe com certeza vai aumentar no futuro próximo.

Teremos ainda mais investimentos já no ano que vem, direcionados a automação, por exemplo, além de um grande projeto voltado para o e-commerce, mas sobre isso eu ainda não posso revelar mais detalhes.

Comente o novo slogan da empresa, "Mais 30 em três". 

Cunha – Nossa meta é duplicar o faturamento nos próximos três anos. O desafio foi aceito por todos e eu digo, sem dúvidas, que isso é possível, especialmente agora com essa mudança no clima e com a demanda reprimida existente, que é muito grande. Somente para o ano que vem a nossa expectativa é crescer 30%.

Para se ter uma ideia, depois que as eleições passaram nós fechamos, em um mesmo dia, com seis clientes. Eram coisas que estavam pendentes e andaram, justamente porque o ambiente mudou. E o legado mais importante que nós temos na Brasilmaxi nesses 30 anos de mercado, sem dúvida, é a nossa carteira de clientes.

Isso é reflexo dos bons serviços prestados, da eficiência, do bom relacionamento, da idoneidade da empresa e também das pessoas que atuam nela, da confiança que é depositada em todos nós, que somos os representantes da instituição. Esse crescimento esperado tem muito a ver não só com novos clientes, mas com que os já estão conosco.

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