Segunda-feira, 22 de abril de 2019 - 10h08
Foco absoluto em saúde e nutrição
Reestruturada e mais robusta do que nunca, a AGV Health & Nutrition projeta para 2019 um crescimento ainda mais acelerado do que o observado nos últimos anos. Em entrevista exclusiva, o presidente da empresa, Maurício Motta, conta os detalhes da estratégia do maior operador logístico do mercado de saúde e nutrição do Brasil
Créditos: Divulgação

A AGV acaba de completar 20 anos e passa por um dos melhores momentos de sua história, correto? Como foi a trajetória da empresa até aqui?

Maurício Motta – A AGV nasceu como uma empresa familiar, em 1998, com foco em criar soluções inteligentes e ir além da entrega padrão. Pode-se dizer que nossa história se divide em quatro fases. A primeira delas foi um período de crescimento orgânico nos primeiros dez anos da companhia, no qual atuávamos em segmentos diversificados, embora 80% dos clientes já pertencessem ao setor de saúde.

A segunda fase ocorreu entre 2008 e 2011, quando demos início a processos de M&A (sigla em inglês para merges and aquisitions, fusões e aquisições). Nela a empresa viveu um crescimento muito acelerado. Em apenas quatro anos nós compramos oito empresas, aumentando nosso faturamento em 350% e ampliando nossa abrangência no mercado nacional.

Após tantas mudanças, de 2012 a 2014, passamos pela terceira fase, na qual sentimos a necessidade de reestruturar e redesenhar nossas operações para garantir o nível de qualidade logística em todos os múltiplos segmentos em que atuávamos. Nós nos reorganizamos e hoje, na quarta fase, estamos divididos em AGV Health & Nutrition, focada nos mercados de saúde e nutrição, e em 3PL, empresa dedicada à logística para os demais segmentos.

A AGV H&N é líder de mercado no segmento de saúde animal e o segundo player no segmento de saúde humana. Em nutrição nós somos pioneiros. Estamos crescendo muito e somos líderes quando o assunto é pet food, por exemplo. Esse é um setor que estava muito carente de uma empresa especializada, portanto, nós preenchemos essa lacuna.

Nesta quarta fase, a empresa praticamente dobrou de tamanho, em virtude do seu foco absoluto em saúde e nutrição. Por mais que outros operadores logísticos atendam esses setores, nós somos o único realmente especializado, com mais de 1.500 pessoas pensando apenas neles.

Especialização foi o principal motivo da divisão em duas empresas diferentes?

Motta – Sem dúvidas. A intenção sempre foi ser um operador logístico totalmente focado. Até mesmo internamente nós somos assim. Temos três times dentro da AGV: um dedicado aos negócios de saúde animal, outro à saúde humana e outro aos negócios do setor de nutrição. Isso faz, inclusive, com que exista um balanceamento entre os setores atendidos, para que nenhum deles cresça prejudicando o outro, por exemplo. Isso parece uma coisa simples, mas nem todo mundo faz.

Que diferenciais você diria que toda essa especialização proporciona à AGV?

Motta – O primeiro deles é justamente o foco absoluto em nossos setores de atuação, o que acaba enfraquecendo a concorrência. Afinal, temos 20 anos de experiência, já conhecemos muito bem o mercado, sabemos quais são as suas necessidades e estamos aptos a atender como ninguém.

O segundo diferencial é o rápido poder de decisão. Nós temos na AGV uma estrutura leve. Entre os diretores e eu, as decisões são tomadas muito rapidamente, ao passo que outras empresas precisam até mesmo aguardar algumas decisões virem de fora do país. Entendemos que nossos clientes – muitos deles empresas globais – já têm suas próprias questões burocráticas, portanto nosso papel é oferecer serviços ágeis. Essa característica tem rendido à AGV o fechamento de muitos negócios.

O terceiro ponto é a tecnologia proprietária. Como nós lidamos com um setor bastante específico como o da saúde, que exige muitas certificações para os sistemas aplicados, nós desenvolvemos internamente todas as nossas ferramentas. O fato delas serem feitas pela nossa própria equipe nos proporciona muita flexibilidade. Não são sistemas adquiridos e aplicados de forma engessada. Pelo contrário, são moldados conforme nossas necessidades.

Nós contamos com 52 colaboradores internos dedicados ao desenvolvimento de tecnologia. Algumas empresas podem considerar esse investimento um custo fixo alto, mas na prática isso não é verdade. Quando precisamos customizar algum sistema, a equipe já está lá para atender o cliente com agilidade, tornando o processo mais rápido.

O quarto diferencial é o nosso posicionamento geográfico estratégico. Hoje nós estamos presentes em 16 estados. Recentemente, inauguramos uma nova filial em Rondônia e em breve vamos inaugurar outra no Tocantins. Nossa presença é bastante pulverizada, com filiais próprias e in house, com equipe própria à frente das operações.

Essa capilaridade ajuda muito a malha de transporte, com as filiais atuando como transit points. O Brasil tem pouco mais de 5.500 municípios e, somente no ano passado, nós realizamos entregas em 3.800.

Como a carteira de clientes da AGV está dividida entre os setores atendidos?

Motta – Atualmente, 44% dos nossos clientes são de saúde animal, 40% são de saúde humana e 16% são de nutrição. É um grupo bastante grande de empresas, e bastante representativo também. Dentre elas estão as maiores desses segmentos.

Qual o tamanho da estrutura de armazenagem e transporte da AGV?

Motta – Nós temos mais de 150 mil m² de capacidade instalada de armazéns, em 16 estados brasileiros, com aproximadamente 2 bilhões de produtos em estoque. Apesar de termos uma estrutura muito grande, somos uma empresa totalmente baseada no conceito asset light. O grande poder hoje não está nos ativos, mas na informação, na tecnologia. Nós precisamos ter flexibilidade para nos adequarmos às melhores soluções para os nossos clientes. Se determinado cliente passa a atuar em outra região, eu preciso ter disponibilidade para locar um armazém próximo a ele com agilidade. Por isso, 100% dos nossos armazéns são locados.

No transporte, a frota não é própria, mas é dedicada. São transportadores fiéis à AGV, gerenciados pela nossa equipe, que trabalha com dois modelos de entrega. Um deles é o full truck load (FTL) – sistema de transporte com carga completa – que representa hoje 80% do nosso volume. Esse modelo nos permite fazer a consolidação de cargas, um mapeamento inteligente de rotas e a utilização da nossa base de filiais como apoio para as entregas. Os demais 20% são representados pelo transporte fracionado, com prestadores de serviço esporádicos.

Toda sua operação de transporte está concentrada no modal rodoviário?

Motta – Não. Ela está dividida 80% no rodoviário e 20% no modal aéreo. Existem algumas operações em que o atendimento precisa ser pelo aéreo, para levar itens mais urgentes, por exemplo. Por mais que a nossa extensa malha nos permita chegar à maioria dos lugares usando o rodoviário – o que é muito bom, porque o custo do transporte aéreo ainda é alto –, em alguns poucos casos o aéreo ainda se faz necessário.

Você citou várias vezes a importância da tecnologia e sabemos que o valor da informação hoje é muito grande na logística. Ele é ainda maior para a AGV, levando em conta os segmentos com os quais a empresa opera?

Motta – Sem dúvidas. Quando se lida com itens de saúde, a tecnologia e a informação são indispensáveis. Nos últimos anos, os maiores investimentos da empresa foram direcionados à gestão da informação. Nós já temos uma visibilidade muito boa de tudo o que acontece nas nossas operações, mas em breve teremos uma grande novidade, com um projeto que está em desenvolvimento há cerca de um ano e meio, totalmente voltado para a gestão da informação, que vai significar um salto muito grande nesse sentido. Hoje, inovar no que diz respeito à informação é o que um operador logístico pode ter de melhor como diferencial de mercado. É o que os clientes mais buscam atualmente.

Quais são os maiores desafios enfrentados no mercado brasileiro de logística?

Motta – Eu diria que o grande desafio é equilibrar a balança de atender com excelência, inovar e apresentar altos níveis de serviço ao mesmo tempo em que se busca eficiência a um custo competitivo. Nós estamos fazendo isso muito bem na AGV, motivo pelo qual a empresa vem crescendo, embora esse seja um grande desafio em um país como o Brasil, que apresenta muitas deficiências. No transporte, por exemplo, somos altamente dependentes do modal rodoviário, visto que os trens e a cabotagem ainda não recebem a atenção que merecem.

Você disse que a partir de 2015 a empresa praticamente dobrou de tamanho, mas trata-se justamente de um período em que a maioria das empresas não estava crescendo. Qual o segredo da AGV?

Motta – É verdade. Por incrível que pareça em 2016 nós alcançamos o melhor resultado da nossa história. Mas não há segredo. Eu acredito que em meio a uma crise todas as empresas estão buscando a solução mais adequada pelo menor custo. Isso é natural. Então quem pode oferecer uma solução enxuta, focada de verdade, obviamente vai se destacar. É totalmente clichê, mas para quem está preparado, a crise pode se transformar em oportunidade. E foi isso que aconteceu com a AGV.

E quais são as perspectivas para os próximos anos?

Motta – Nós estamos bastante otimistas quanto a 2019, não apenas pelo momento que a AGV vive, mas também pelo mercado já se mostrar mais aquecido e otimista com a mudança de governo. Os nossos objetivos são manter a liderança no mercado de saúde animal, oferecendo novos produtos, melhorando sempre os níveis de serviço e operando cada vez com mais inteligência, e continuar crescendo no segmento de saúde humana, pois apesar de sermos o segundo maior operador logístico, esse mercado ainda apresenta muito espaço para crescimento.

Logo, a estratégia da AGV é se manter focada, afinal esse é realmente nosso grande diferencial; fidelizar cada vez mais nossos clientes e crescer nos setores em que ainda há espaço. Pode ser que no futuro a empresa amplie sua atuação junto ao agronegócio, entrando no setor de defensivos, por exemplo.

Um dos maiores trunfos da AGV Health & Nutrition, e que inclusive nós ouvimos dos clientes, é o fato de nós termos toda a estrutura, todo o know-how, as certificações, a profissionalização, a governança, a saúde financeira e o poder de investimento de uma empresa global, mas com a abordagem de uma empresa local. Assim nós nos posicionamos como um operador logístico bastante robusto, mas próximo, focado, flexível e com soluções customizáveis de acordo com as necessidades do cliente.