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Segunda-feira, 24 de setembro de 2018 - 12h02
Muito mais do que apenas um prestador de serviços logísticos
Em prol de uma relação forte e duradoura, a Ativa Logística e a Jeunesse do Brasil investem na ampliação constante do escopo de tarefas e desenvolvem em conjunto projetos que aumentam a expertise de ambas as companhias, incluindo a utilização do modal aéreo e a logística de eventos

Você conhece aquela máxima que diz que é difícil chegar ao topo e ter sucesso, mas que se manter nessa posição é bem mais complicado? No mercado de operadores logísticos essa teoria também é válida. Em um setor cada vez mais competitivo, não é das tarefas mais fáceis manter, e quem dirá reforçar, seu portfólio de clientes. Aqueles que participam constantemente de BIDs conhecem bem as dificuldades.

Além disso, em um cenário econômico ainda envolto em incertezas, conseguir ampliar o os serviços oferecidos aos clientes tem se mostrado um dos grandes desafios.

Algumas organizações, contudo, não apenas mantêm o sucesso – neste caso uma relação duradoura com seu parceiro de negócios – mas também amplia o escopo de tarefas e participa objetivamente das alterações e melhorias operacionais do cliente. Esse é o caso do trabalho realizado pela Ativa Logística junto à Jeunesse, empresa de soluções antienvelhecimento que atualmente opera no Brasil com 100 mil consultores, chamados de distribuidores.

Gil, presidente da Ativa
Gil, presidente da Ativa

O presidente da Ativa Logística, Clóvis Gil, explica que o acordo entre as organizações foi firmado em 2016. À época, o contrato estabelecia apenas a prestação de serviço de transporte. “O plano inicial foi desenvolver um projeto para a movimentação de um produto cosmético específico que atendesse às especificações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, diz.

O executivo lembra que a meta era transportar 2 mil pedidos por mês com atendimento multinível, uma expertise que a Ativa não possuía. “Entregávamos também em residências, mas tivemos que rapidamente montar uma estrutura para atendê-los. Os resultados foram positivos e passamos a movimentar 2 mil pedidos por dia apenas de um produto”, relata.

Para a gerente de Operações e Transportes da Jeunesse Brasil, Wandy Verza, o resultado não foi uma surpresa, uma vez que a qualidade e a flexibilidade da Ativa se mostraram marcas registradas desde o início do contrato. “Inicialmente, procurávamos um operador logístico com know-how e experiência nos segmentos cosmético e alimentício. Além disso, havia a necessidade de estabelecer uma parceria com uma empresa com seriedade e que possuíssem todas as licenças necessárias para ampliação do negócio”, conta a executiva.

Evolução

O serviço eficaz de transporte que a Ativa realizou logo no primeiro contrato fez com que a Jeunesse decidisse na sequência terceirizar completamente suas operações junto ao provedor logístico. Com isso, além do cosmético, a movimentação dos demais produtos que compõe o portfólio da empresa também passou a ser responsabilidade da Ativa Logística. Vale lembrar que a Jeunesse comercializa produtos de beleza e saúde e também de suplementação alimentar.

De acordo com Gil, a companhia oferece uma solução logística completa. “Por mais complexa que seja, nós estamos preparados para desenvolvê-la”, garante. Na opinião da gerente de Contas da Ativa Logística, Ione Lima de Oliveira, o que contribuiu para a rápida evolução dos negócios entre as companhias foi a capacidade de modificação e desenvolvimento ágil que a Ativa apresentou, o que gerou confiança no cliente.

Ione, gerente de Contas da Ativa
Ione, gerente de Contas da Ativa

Os números comprovam o que diz Ione. De imediato, a terceirização proporcionou uma redução de 30% nos gastos, maior controle de custos, melhor qualidade nos serviços e a possibilidade de focar nos principais objetivos da empresa. “Tínhamos grandes desafios, como toda operação startup. Mas a Ativa soube nos atender com qualidade e flexibilidade, atingindo uma acuracidade de 98%”, destaca Wandy.

Apesar de rápida, a evolução do projeto demandou uma série de análises. “O cliente nos passou suas necessidades e começamos a estudar. Para isso, envolvemos os departamentos de Engenharia de Projetos, Operações, Comercial, Tecnologia da Informação e Financeiro”, descreve Gil. Wandy revela que uma das premissas para o desenvolvimento do trabalho estava relacionada à rápida adaptação e ao atendimento das necessidades da Jeunesse, que poderia ter grande variação durante o primeiro ano de operação. Outro ponto de atenção, completa a diretora, seria em relação à automatização de algumas áreas, que demandavam uma gestão de informações mais ampla.

Ione pontua que o cliente necessitava de uma mudança rápida, pois havia pensado num pré-planejamento de faturamento que iria triplicar o volume no Brasil. “Para atender uma operação tão grande como a da Jeunesse, fizemos uma análise de um pré-projeto para que houvesse tempo hábil para investimentos em tecnologia, equipamentos e treinamento de equipe. Realizamos adaptações, definimos processos e instalamos maquinário para ganhar agilidade desde a entrada, movimentação, separação dos produtos e montagem de kits”, afirma a executiva.

Ao todo, o planejamento levou quatro meses. Ione explica que enquanto os profissionais da Jeunesse efetuam os processos de importação, na Ativa os funcionários alinhavam a questão de adequação de sistemas, contrato, definição de funcionários e adequação da área operacional. “No início da operação no Brasil não tínhamos histórico de vendas, portanto fomos nos ajustando juntamente com a Ativa para atender a demandas de alto fluxo de vendas que chegavam a triplicar o faturamento”, informa Wandy.

Gil ressalta que alguns pontos no planejamento mereceram atenção. “Os produtos movimentados são 100 % fracionados, por isso definimos como seria a recepção e a adequação dos itens”, resume. Um aspecto importante é salientado pelo presidente: os produtos vêm com suas especificações em inglês e também seria papel da Ativa nacionalizá-los, o que demanda a autorização da Anvisa e exige muito cuidado, pois é uma atividade que se assemelha à fabricação do item. “É muito positiva essa agilidade da Ativa em se adequar à nossa operação para entregar o resultado final. A personalização do atendimento é fantástica”, comemora Wandy.

Wandy, gerente de Operações e Transportes da Jeunesse
Wandy, gerente de Operações e Transportes da Jeunesse

Estrutura física

Para atender a todas as exigências, a Ativa investiu no seu centro de distribuição multicliente localizado em Itapevi (SP), estrutura aplicada neste contrato. Ao todo, a edificação, climatizada entre 15º e 28º graus e que recebe operações de 44 clientes, conta com uma área de 25 mil m², sendo 17 mil m² de área operacional, com pé-direito de 10 metros e 17 mil posições-palete, operando com 224 colaboradores.

Somente para a Jeunesse, hoje são destinadas 2 mil posições-palete, em uma área de 1.700 m². Regularmente, a Jeunesse tem uma equipe fixa de 37 funcionários no CD de Itapevi, incluindo um grupo na recepção telefônica, no Administrativo e no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) exclusivo para atender a marca. Vale ressaltar que o quadro destinado às operações da Jeunesse pode ser ampliado para 100 ou 150 colaboradores em questão de 24 horas para atender às necessidades do cliente em ocasiões especiais, como o Dia das Mães.

Os serviços prestados no CD são consultoria fiscal e regulatória, nacionalização do produto, etiquetagem, montagem de kits, manuais e folhetos, reembalagem de produtos, inkjet e shrink, coleta em fornecedor, separação, picking e packing, processamento dos pedidos de venda, conferência, faturamento, preparação para expedição, tracking do processo na web e distribuição nacional de produtos acabados.

Para realizá-los, o operador logístico, sem revelar valores e números de ativos, anuncia que foram necessários investimentos. Isso porque nessa operação é aplicado um sistema de flow rack e foi adotada uma tecnologia de picking que permite ao final da linha uma conferência automatizada por leitor de código de barras. Além disso, foram adquiridas empilhadeiras e estruturas porta-paletes.

Gil afirma que se trata de uma operação com características diferentes dos demais clientes em Itapevi. Ela não possui um grande volume de armazenagem, mas apresenta um alto giro de entrada e saída de mercadorias. Atualmente, são 20 mil entregas por mês para todo o Brasil. Desse total, a Região Sudeste responde por 50% do volume, com a aplicação basicamente do modal rodoviário, atendimento em até 48 horas e nível de serviço de 99%.

A frota disponível é composta por 800 veículos que chegam a 2.510 cidades e são atendidas pelas 17 filiais da Ativa localizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

Multimodalidade

Para reforçar a distribuição dos itens da Jeunesse no restante do Brasil e ampliar o escopo de serviços, uma das marcas do negócio entre as empresas, a Ativa, por meio da Trans Model Air Express, empresa adquirida no primeiro semestre de 2016, ampliou os serviços no princípio deste segundo ano de contrato, adotando a distribuição aérea para as regiões Norte e Nordeste do país.

“Acabamos de ‘virar a chave’ do terrestre para o aéreo em Fortaleza, Salvador, Recife, Belém e Goiânia”, diz Ione. Gil explica a dinâmica do serviço. “A Trans Model realiza a coleta em Itapevi, transfere os itens para os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, onde efetua a emissão dos documentos para embarque nos porões das aeronaves das companhias aéreas comerciais, e os envia”.

Ione comemora a ampliação do escopo de serviços. “Agilizamos as entregas em áreas distantes, fazendo com que os produtos cheguem aos seus destinos em menos de 24 horas”, assegura. Antes, revela a executiva, esse tempo chegava a uma semana. Atualmente, das 20 mil entregas feitas por mês, 10% utilizam o modal aéreo, com um nível de serviço de 99%.

Wandy também destaca o novo serviço. “Ganhamos tempo para atender aos distribuidores que estão em diversas regiões do país”. Segundo ela o modal aéreo auxilia no tempo de entrega nas regiões Norte e Nordeste melhorando ainda mais a performance e em paralelo reduzindo custos.

De acordo com Gil, a operação logística é complexa e muitas empresas buscam por meio dela obter um diferencial competitivo, fazendo seus produtos chegarem aos destinos com qualidade, segurança e no prazo certo. “Temos as soluções completas em nossas operações e, se necessário for, podemos desenvolver um projeto sob medida, com a eficiência estratégica que o negócio do cliente exige, como fizemos com a Jeunesse”.

Logística de eventos

O que afirma o executivo é comprovado mais uma vez com a ampliação do escopo de serviço. O diferencial, agora, fica por conta das operações de equipamentos e produtos utilizados em ações de marketing da Jeunesse, iniciativas que merecem atenção da companhia uma vez que o objetivo em terras brasileiras, sob o comando do executivo Marcel Szajubok, é chegar à primeira posição no ranking da Jeunesse Global em faturamento e vendas. Hoje, o país está na lista dos top 3, atrás apenas de China e ao lado dos Estados Unidos.

Está sob responsabilidade da Ativa, por exemplo, a movimentação de bicicletas utilizadas em eventos de ativação em todo o Brasil. Elas são embaladas, transportadas, desembaladas e expostas no local da ação. Depois disso, são retiradas e levadas novamente para serem estocadas no CD de Itapevi.

O envio, gestão do estoque, embalagem e entrega dos produtos em promoções de vendas realizadas pela Jeunesse por todo o país também contam com o gerenciamento da Ativa. “Existem eventos menores que a Jeunesse faz no decorrer do ano em cada um dos estados e também dois eventos maiores, que chegam a receber 14 mil pessoas cada. Em todos eles somos os responsáveis, também, pela reposição dos materiais utilizados nas ações e pela gestão de estoque dos produtos comercializados”, explica Ione.

Para Wandy, a participação da Ativa nos eventos da Jeunesse tem se tornado essencial, tanto pela agilidade na montagem e desmontagem da operação quanto no acompanhamento de seus gestores e das equipes que participam juntamente com a Jeunesse dos eventos.

Novos projetos

Em paralelo a todos os outros projetos desenvolvidos e já em atuação no mercado, as companhias estudam uma série de expansões. Gil revela que a Ativa atualmente estuda junto ao cliente um projeto para disponibilizar em determinados pontos do Brasil mais alguns pequenos estoques a fim de agilizar as entrega. O objetivo é seguir o padrão do local já disponível em São Paulo, instalado na região da Berrini, Zona Sul da cidade.

O projeto dessas estruturas, chamadas Espaço Jeunesse, é todo da Ativa. O segundo foi inaugurado na primeira quinzena de setembro, na capital do estado da Bahia, Salvador. Nesse trabalho é função da Ativa, além de conceber os espaços e gerenciar o estoque, administrar os funcionários que atuam no local.

Outro espaço deve ser aberto na Região Norte, provavelmente em Belém, e um no Centro-Oeste, em Goiânia ou Campo Grande, antecipa Wandy, que completa dizendo que essa estratégia é muito importante para o modelo de negócio, pois a empresa passa a oferecer aos distribuidores a facilidade de obterem seus produtos de forma mais rápida e ampliar também sua rede. “Para as lojas no Norte e Nordeste, os pontos fundamentais são a localização de fácil acesso e a região mais nobre”, salienta Ione. Um espaço no Rio de Janeiro também está previsto, mas ainda sem local e datas definidos.

Fora a ampliação do número de Espaços Jeunesse, as companhias também estão estudando desde o ano passado a inauguração de um novo CD. O empreendimento deverá estar localizado em Pernambuco, possivelmente em Recife, Suape ou Jaboatão dos Guararapes. “Estudamos toda a infraestrutura, desde a melhor localização, estrutura predial e a contratação de toda equipe de trabalho”, frisa Ione.

A gerente de Contas da Ativa explica que o projeto ainda não saiu do papel, pois toda ação de marketing multinível é muito dinâmica e surgem variadas ideias. “O cliente nos mostra as demandas e tentamos desenhar da melhor maneira possível para poder apresentar e viabilizar o projeto. Ele já foi entregue e a Jeunesse está estudando, para analisar se vale a pena ter dois estoques”, pontua.

Além da questão logística, há outros fatores importantes analisados no processo do novo CD. “Se importarmos nossas mercadorias por Recife, temos incentivos fiscais e um ganho tributário muito grande”, afirma Wandy. Sobre o centro em Pernambuco a gerente de Operações e Transportes salienta que a fase é de análise de custos, por isso neste momento ainda não é possível abrir qualquer tipo de informação.

Fábio Penteado

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