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Quarta-feira, 17 de agosto de 2005 - 17h38
Novos números para a logística no Brasil

No fechamento do XI Fórum Nacional e Seminário Internacional de Logística nesta quarta-feira, foi divulgada uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Logística (CEL) do Coppead UFRJ – organizador do evento – trazendo novos números relativos à logística no Brasil. Conduzida pelo pesquisador Maurício Pimenta Lima e uma equipe de nove pesquisadores do CEL, a pesquisa corrige o percentual da logística frente ao PIB nacional, que seria de 12,1% e não 17%, número comumente adotado e que teve origem numa pesquisa do Banco Mundial realizada em 1996.

“A cada vez que nos deparávamos com este número, ele nos incomodava. Na verdade, ele teve como base o levantamento dos custos de transportes no Brasil feito na época pelo Banco Mundial, que era de entre 9% e 10%. Como o transporte representa cerca de 60% sobre o total de custos logísticos, chegou-se a esses 17%. Queríamos validar esses números e acabamos descobrindo que eles são menores”, afirmou Lima.

O estudo revelou também que o custo dos transportes no Brasil seria de 7% do PIB. Quanto aos demais custos logísticos, o de estoques representa 4% do PIB, a armazenagem, 0,6% e o administrativo, 0,5%.

Os cálculos foram feitos através de uma série de levantamentos e checagens envolvendo várias fontes de informação. O do transporte rodoviário foi feito levando em conta o consumo do Diesel sobre o valor do frete. Foram consideradas as rotas inter-regionais e regionais, e os transportes fracionados e perigosos. “Dessa forma, concluímos que o diesel representa 33,6% do valor do frete, numa média ponderada”, disse o pesquisador do CEL. Este número também contrasta com os do Banco Mundial relativos a 1996, que avaliaram o custo do diesel em 25%. Só que, de lá pra cá, este custo subiu 292%. Dessa forma, o CEL concluiu que o custo total do transporte rodoviário de cargas no Brasil é de R$ 104,3 bilhões

O estudo levantou também o custo dos outros modais, chegando a um total de R$ 122,5 bilhões nos transportes, R$ 70,7 bilhões no estoque, R$ 11,2  bilhões o de armazenagem e R$ 8,2 bilhões os custos de administração, totalizando um custo logístico total de R$ 212,6 bilhões.

Transformando os valores em dólares, o CEL fez ainda a comparação dos valores de custo em dólares por tonelada/km dos modais no Brasil e nos EUA. Os resultados, sempre considerando Brasil versus EUA, são de 18 x 9 no dutoviário; 22 x 9 no aquaviário; 70 x 274 no rodoviário; 12 x 17 no ferroviário e 628 x 898 no aéreo. No rodoviário, a grande diferença é o excesso de oferta no Brasil e, no ferroviário, os números são influenciados pela Vale do Rio Doce. Sem ela, este custo seria muito maior, de acordo com Maurício Lima. Os números são relativos a 2004 e, para corrigi-los para a realidade atual, deve-se levar em conta a desvalorização de 25% do dólar frente ao real este ano.

A pesquisa começou a ser feita em janeiro e é a primeira do gênero feita pelo CEL. Os números completos da pesquisa estarão na edição de setembro da Revista Tecnologística.


Crescimento

O XI Fórum Nacional de Logística, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 15 e 17 de agosto, apresentou novamente crescimento no número de participantes: 810 (de 880 inscritos). Destes 20% são de fora do eixo Rio-São Paulo. Isto, de acordo com o professor César Lavalle, que coordena o evento pelo CEL, configura o Fórum como um evento nacional de logística. “Com esta visão pretendemos torná-lo um evento itinerante, provavelmente a partir de 2007”, disse Lavalle.

O evento teve uma média de 50 apresentações em três dias, com aproximadamente 100 empresas se apresentando. “Nossa preocupação é manter um equilíbrio entre compradores e vendedores, tornando o evento um encontro de negócios efetivo”, disse Lavalle.

Entre as principais discussões, estiveram o RFID, que mereceu um minifórum dentro do fórum, com a participação de entidades e empresas envolvidas na padronização, e a questão da intermodalidade no Brasil, fazendo uma comparação com os EUA.

A cobertura completa do XI Fórum estará na edição de setembro da Revista Tecnologística.

www.cel.coppead.ufrj.br

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