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Segunda-feira, 9 de novembro de 2015 - 14h28
Abal divulga índice de reciclagem de alumínio do país
A associação também mostrou detalhes do ciclo de vida das latas de bebidas

A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas) divulgaram, no dia 5 de novembro, o índice de reciclagem de alumínio do Brasil referente a 2014. O país reciclou 289,5 mil toneladas de latas de alumínio para bebidas, das 294,2 mil toneladas disponíveis no mercado em no ano, número que representa um crescimento de 12,5% em relação aos resultados de 2013. Com isso, o índice de reciclagem atingiu 98,4%, mantendo o Brasil na liderança mundial, posição que já ocupa desde 2001. Segundo dados das duas entidades, em unidades, foram recicladas, no ano passado, 22,9 bilhões de latas, o que corresponde a 62,7 milhões por dia, ou 2,6 milhões por hora.

“A manutenção do índice próximo aos 100% de reciclagem é uma demonstração de que o modelo, referência para a construção da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRNS), está consolidado e serve de exemplo para uma economia de baixo carbono, com geração simultânea de emprego e renda, conforme os objetivos que se pretende atingir na COP-21, em Paris”, analisa Renault Castro, presidente executivo da Abralatas.

Segundo um estudo conduzido pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea), que analisa o ciclo de vida da lata de alumínio para bebidas, a reciclagem do material para a obtenção de uma nova embalagem reduz em 70% as emissões de CO2 e em 71% o consumo de energia, quando comparada à produção de latas com apenas alumínio primário, que é obtido a partir de extração da bauxita. “Mais que uma fonte de energia permanente, a reciclagem contribui para outra questão muito importante, que são as emissões atmosféricas, uma questão para a qual o Brasil terá de apresentar objetivos de redução nos próximos anos”, alerta o presidente-executivo da Abal, Milton Rego.

Ciclo da lata

A Revista Tecnologística esteve na cidade de Pindamonhangaba (SP), onde pode presenciar todo o ciclo de vida da lata de alumínio. Para iniciar as visitas, foi escolhida a Cooperativa Moreira César Recicla, que reúne 23 colaboradores responsáveis por recolher o lixo reciclável durante o dia e separar manualmente durante a tarde. No local, são recebidas em torno de quatro toneladas de resíduos diariamente. A cooperativa vende o material separado, como garrafas Pet (politereftalato de etileno), isopor, plástico PEAD (polietileno de alta densidade) e alguns tipos de metais. O alumínio é vendido para a Latasa, empresa de reciclagem que faz parte do Grupo ReciclaBR e possui 22 centros de coleta localizados em 13 estados.

As latas são então transportadas para o centro de coleta da Latasa em Pindamonhangaba. Lá, o material passa por uma prensa que separa a lata de resíduos indesejados e comprime o metal em fardos de 11 kg e, posteriormente, os paletiza em unidades de cerca de 1,3 toneladas. A capacidade de processamento do material no centro é de 4 toneladas por hora. O alumínio é levado então para a fábrica da Latasa, que o funde para que seja vendido em forma líquida (transportado em cadinhos que mantêm a temperatura do metal) ou em blocos sólidos.

Atualmente, 200 mil toneladas de alumínio são recicladas pelo Grupo ReciclaBR, que vende a matéria prima reciclada para indústrias automobilísticas, de embalagens, bens de consumo, construção civil e siderúrgicas. “A reciclagem já se tornou uma atitude extremamente importante para as indústrias e para a sociedade como um todo. Não podemos desperdiçar os recursos naturais, necessários para as futuras gerações, já que possuímos o material disponível no nosso dia a dia”, diz Mario Fernandez, CEO do Grupo ReciclaBR.

No caso do ciclo da lata de alumínio, a Latasa vende o metal para a Novelis, que recebe em torno de 40 carretas por dia, cada uma com um cadinho, que tem capacidade para 9 toneladas. A unidade da Novelis de Pindamonhangaba concentra-se na produção de lâminas de alumínio para abastecer os segmentos de embalagem, automotivo e construção civil e produz 400 toneladas do material por ano. A Novelis recebe o alumínio líquido e produz blocos do metal com 16 toneladas. Esses blocos passam por prensas específicas que transformam o alumínio em lâminas, que são colocadas em bobinas que, futuramente, serão transformadas em novas latas.

O comprador dessas bobinas é a Rexam, empresa global com sede em Londres, na Inglaterra, e última ponta do ciclo industrial da lata. Sua fábrica em Jacareí (SP) produz latas de alumínio para bebidas e atende grandes marcas brasileiras, como a Ambev. Na unidade fabril, as bobinas de alumínio são cortadas e moldadas nas especificações do cliente (latas de 350 ml, 473 ml, etc.), rotuladas de acordo com o produto e higienizadas. O espaço de armazenagem da fábrica possui 17 mil m² e capacidade para armazenar 200 milhões de latas.

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