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Quarta-feira, 16 de dezembro de 2015 - 9h57
CNT divulga pesquisa sobre as ferrovias brasileiras
Segundo a entidade, gargalos reduzem a eficiência do modal e a velocidade das composições é reduzida em até oito vezes nas áreas urbanas

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou ontem, dia 15, os resultados da quinta edição da Pesquisa CNT de Ferrovias 2015. De acordo com o estudo, o transporte ferroviário brasileiro registrou significativo crescimento desde o início das concessões, em 1996. Após os investimentos das concessionárias, a produção ferroviária (toneladas transportadas por km) cresceu 28,9%. Mas os baixos níveis de investimento em infraestrutura por parte do poder público e a existência de gargalos operacionais ainda comprometem a eficiência do setor.

Segundo o documento, em áreas urbanas, as composições chegam a reduzir em até oito vezes sua velocidade, passando de 40 km/h para 5 km/h, causando prejuízos no transporte. O estudo caracterizou os 13 principais corredores ferroviários em relação ao desempenho operacional e descreveu a evolução recente do sistema ferroviário brasileiro. Foram ouvidos ainda os clientes das ferrovias sobre a qualidade dos serviços. O Brasil tem 12 principais malhas destinadas ao transporte ferroviário de cargas. Juntas, compreendem 28.176 km. Onze são operadas por empresas privadas e constituem o foco da pesquisa.

Em nove anos (de 2006 para 2014), o setor público investiu R$ 12,93 bilhões na expansão da malha e na solução de entraves – média anual de R$ 1,44 bilhão. O valor representa 67,5% do total de R$ 19,16 bilhões autorizados. Nesse mesmo período, o investimento do setor privado nas ferrovias foi quase o triplo, R$ 33,51 bilhões – em infraestrutura, material rodante, sinalização telecomunicações, oficinas, capacitação, entre outros. Desde o início das concessões até 2014, as concessionárias pagaram cerca de R$ 8 bilhões pelas outorgas e arrendamentos.

“Estamos convencidos de que, para resolver os entraves operacionais e garantir maior competitividade econômica, devem-se aumentar os investimentos na expansão da malha e na resolução dos gargalos atuais”, diz o presidente da CNT, Clésio Andrade. “Um dos caminhos para o Brasil retomar o desenvolvimento e permitir maior integração nacional é a priorização do transporte ferroviário, que levará ao equilíbrio da matriz de transporte de cargas e a consequente redução dos custos logísticos”, conta. De 2011 a 2014, as principais mercadorias transportadas nas ferrovias brasileiras foram minério de ferro, soja, milho, açúcar e carvão mineral.

Um dos entraves explicitados na pesquisa foram os conflitos urbanos. Há pelo menos 355 invasões de faixas de domínio – aglomerações às margens das ferrovias, que surgiram na implantação e na gestão da extinta Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA). A redução da velocidade em algumas áreas gera aumento

do consumo de combustível, perda de eficiência e produtividade, entre outros problemas.

Também foram identificadas 279 passagens em nível críticas. Os cruzamentos de ferrovias com rodovias, em um mesmo plano, oferecem risco à segurança. Mesmo com todos esses problemas, de 2006 a 2014, com os investimentos que vêm sendo realizados pelas concessionárias, o número de acidentes diminuiu cerca de 50%.

Nas entrevistas com os clientes das ferrovias brasileiras, 41,1% citaram a baixa qualidade da infraestrutura disponível como um dos principais entraves. E 26% reclamaram da insuficiência de ferrovias. Foram selecionadas as empresas responsáveis pelas principais mercadorias transportadas nos 13 corredores avaliados.

O último Plano CNT de Transporte de Logística identifica a necessidade de R$ 281,70 bilhões em 213 obras ferroviárias, além da construção de 72 terminais intermodais de carga com integração ferroviária e a ampliação de outros sete. No ritmo atual de investimentos, seriam necessários mais de 54 anos para concluir os projetos prioritários previstos no estudo da CNT.

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