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Terça-feira, 3 de outubro de 2017 - 11h25
USP recebe evento para colocar em pauta a logística urbana
Universidade recebeu pesquisadores do Centro de Inovação e Sistemas Logísticos e do Massachusetts Institute of Technology

Com o auditório Prof. Francisco Romeu Landi quase que completamente preenchido, a Escola Politécnica da USP recebeu o debate VII Novas Fronteiras & Desafios da Logística, focado principalmente em debater as nuances e possibilidades para a logística urbana nas grandes cidades. O evento teve como mestre de cerimônias o professor Hugo Yoshizaki, colaborador da Revista Tecnologística e contou com o diretor do Centro de Inovação em Sistemas Logísticos (Cislog), Claudio Barbieri da Cunha, e com o palestrante convidado Matthias Winkenbach, do Massachusetts Institute of Technology (MIT)

O norte-americano, que chefia dois laboratórios no MIT, o de Análises Visuais em Supply Chain e o de Logística nas Megacidades, apresentou uma série de projetos entre a universidade e grandes metrópoles em todo o mundo, sempre visando aumentar a produtividade logística com sustentabilidade e redução de custos. “Temos pesquisas que dizem que, em alguns anos, dois terços de todos os produtos comercializados vão sair das grandes cidades. Isso é só pra ter uma ideia da importância que tem a discussão em torno das metrópoles, que também abrange questões como crescimento sustentável e qualidade de vida”, explicou Matthias.

Dentre os conceitos, disse o representante do MIT, a perspectiva do last mile ainda gera dúvidas e receios de como aplicar as rotas mais eficientes e menos custosas. A questão é delicada pois qualquer pequena alteração na cadeia logística, por menor que seja, impacta de forma  consistente todo o processo. Um exemplo disso é o fato de que, segundo pesquisas do MIT, com a redução de pouco mais de um quilômetro por entrega, a empresa poderia reduzir seus gastos em até 50 milhões de dólares ao ano.

A problemática da densidade populacional também foi amplamente mencionada por Matthias, que explicou sua visão utilizando a Cidade do México como exemplo. Segundo o pesquisador em alguns centros comerciais da cidade a grande maioria dos comércios e lojas é de origem familiar e é dirigida por um único dono. “62% são pequenos negócios, e eles não trabalham com estoque, costumam possuir em suas lojas produtos para um ou dois dias de vendas. Isso significa que quase todos os dias os caminhões têm de fazer entregas nesses locais. Ou seja, a densidade é um desafio enorme para todos nós”, conta Matthias.

Foto: Alex Tajra
Foto: Alex Tajra

O pesquisador do MIT ainda criticou certas “inovações” que, segundo ele, tendem mais a publicidade do que a práticas logísticas com um futuro concreto dentro da cadeia de produção. Entre as tecnologias, Matthias destacou as entregas feitas por drones e robôs, divulgadas exaustivamente por empresas como a Amazon. “Vocês veem a propaganda na Amazon, tudo bonito, grandes jardins para a entrega com drones. Mas isso não é uma realidade, as cidades não possuem infraestrutura pra esse tipo de serviço e as pessoas não querem drones sobrevoando suas cabeças. Outra questão é a regulamentação, já que não existem leis versando sobre a situação de drones e robôs”

Já o professor Claudio Barbieri discorreu sobre diversos projetos alternativos de entrega e logística aplicada, como por exemplo um piloto desenvolvido pela USP nos últimos anos que trata de entregas noturnas em São Paulo. O Cislog se inspirou em uma iniciativa que já acontece em Nova York envolvendo grandes recebedores de carga como lojas em Shoppings Centers, hipermercados, redes de drogaria etc. “Fizemos um mapeamento de dados  para entender cada detalhe do last mile dos operadores. A grande diferença é que em Nova York houve um incentivo financeiro por parte do Estado, e aqui as empresas participaram de forma voluntária”, explicou Barbieri.

Em uma participação especial no evento, a mestranda e pesquisadora do Cislog, Patrícia Laranjeiro, expôs algumas alternativas que vêm sendo pensadas para otimizar as entregas na cidade e reduzir os custos operacionais. Uma possiblidade citada por ela são os Lockers, armários instalados em locais estratégicos da cidade onde os consumidores podem retirar o produto. Além de mais barato, os Lockers podem resolver diversos dilemas do last mile, mas ainda esbarram na questão da legislação.

As leis, segundo Laranjeiro, por vezes acabam sendo mal elaboradas e podem prejudicar alguns aspectos logísticos se não forem realmente trabalhadas. “Temos um exemplo claro em São Paulo, onde proibiram recentemente de circular caminhões no centro expandido, permitindo somente os Veículos Urbanos de Carga (Vuc). O problema é que as empresas aumentaram suas frotas de VUCs e isso acabou gerando mais veículos, mais poluição e mais trânsito. Então o que era pra ser uma coisa boa acaba se transformando no contrário”, contou Patrícia.

Ao final das palestras, em entrevista à Revista Tecnologística, o pesquisador Matthias Winkenbach comentou um pouco sobre os desafios da logística em uma cidade como São Paulo. “Aqui temos questões muito diferentes, a cidade cresceu de maneira orgânica, sem planejamento, com uma urbanização muito rápida e isso tem de ser levado em consideração. Outra questão é a imprevisibilidade, por conta do trânsito intenso por exemplo, e isso acaba aumentando os custos.”, concluiu Winkenbach.

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