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Segunda-feira, 19 de novembro de 2018 - 8h45
DHL apresenta estudo sobre as tendências do transporte terrestre
Análise global aponta que empresas estão dispostas a pagar mais por serviços melhores; no Brasil, processo de inovação está em estágio inicial

A DHL divulgou na primeira quinzena deste mês seu mais recente estudo sobre logística via transporte terrestre. O relatório revela que a evolução acelerada do setor está mudando a maneira de pensar das empresas ao adquirir suas soluções de transporte. A pesquisa global, realizada com profissionais que contratam serviços de transportes e profissionais de operações, revelou que 83% das empresas estão dispostas a pagar mais por serviços melhores e com mais valor agregado, contanto que eles forneçam um retorno mensurável sobre seus investimentos.

Denominado “The logistics transport evolution: the road ahead”, o trabalho  é um relatório da DHL Supply Chain que usa os dados coletados pela Lieberman Research Worldwide, LLC (LRW) para identificar os fatores que estão impactando a logística via transporte terrestre e como a indústria está se adaptando à nova fronteira de soluções disponíveis. O relatório constatou que cada vez mais, em todos os setores e regiões, as empresas enxergam o transporte terrestre como mais do que uma simples commodity tática, sendo que 71% já o consideram como um componente estratégico de seus negócios. As empresas concordam que há uma correlação direta entre o transporte terrestre e o desempenho nos negócios, e três quartos (75%) dos entrevistados acreditam que investir tempo e recursos no transporte terrestre causa um impacto positivo direto sobre as vendas da empresa.

Na opinião do líder Global de Transportes e CEO América Latina da DHL Supply Chain, Javier Bilbao, transporte é, sem dúvida, um aspecto crítico do ambiente mundial de negócios e os resultados do relatório indicam que empresas de todos os setores e mercados estão começando a reconhecer também seu valor estratégico. “Realizamos este estudo para ter uma visão exata do que as empresas esperam de seus provedores de serviços de transporte, no presente e no futuro. Nossa pesquisa nos mostrou que, cada vez mais, os clientes estão buscando soluções completas com alcance global, pois oferecem a capacidade de resolver uma ampla gama de problemas e requisitos de transporte.”

Algumas mudanças globais no ambiente de negócios foram identificadas como revolucionárias para o cenário do transporte terrestre. Entre elas, o crescimento exponencial do comércio eletrônico e suas implicações no atendimento foi um fator identificado por 65% das empresas como causador de impactos significativos em suas cadeias de suprimento, a serem sentidos ao longo dos próximos um a dois anos.

Divulgação

“De acordo com as descobertas da nossa pesquisa de digitalização, a tecnologia será fundamental para atravessarmos essa nova era do transporte terrestre. A capacidade da inteligência artificial (IA) e das soluções analíticas de dados de gerenciar o perfil do pedido e os padrões de envio dos modelos operacionais cada vez mais complexos e exigentes dos clientes, otimizando custos e serviços, sinaliza que eles agora são vistos como serviços essenciais, e não mais como meros benefícios adicionais”, acrescente Bilbao.

Embora essa mudança na dinâmica do setor esteja sendo observada em todas as regiões, nota-se, de acordo com o estudo, certa variação também em função da maturidade do mercado e das demandas impostas às transportadoras por suas bases de consumidores. Na América Latina, por exemplo, a consideração prioritária na escolha de um fornecedor de transportes terrestres é a entrega dentro do prazo, enquanto que na Europa, por sua vez, onde o mercado é mais maduro, a otimização de redes é o foco principal das transportadoras.

Demandas brasileiras

No Brasil, o cenário é bastante semelhante, mas traz algumas peculiaridades. O diretor de Transportes da DHL Supply Chain Brasil, Fábio Miquellin, explica que devido às suas dimensões continentais e diversidade climática por região, o Brasil apresenta grandes desafios no setor de transporte. Ele cita, por exemplo, a falta de segurança e infraestrutura adequada à demanda atual, rotas muito longas e, em alguns casos, a necessidade de monitoramento e controle de temperatura dos produtos. “Soma-se a isso um sistema tributário complexo e a grande concentração de empresas e indústrias na região Sudeste do País e temos um cenário que demanda ainda mais soluções inovadoras para a manutenção da competitividade das empresas”, completa.

De acordo com o executivo, o processo de inovação em transportes no Brasil está em estágios iniciais, mas já apresenta iniciativas concretas e com impactos significativos em termos de ganho de eficiência. “Vemos que o mercado vem se movimentando na busca de sistemas e tecnologias que fazem uso de big data, digitalização de processos e machine learning na área de transportes. Na DHL, inclusive, estamos avançando constantemente no uso e implementação diária destas ferramentas em nossos processos, além de já trabalharmos com equipamentos semiautônomos e uso de realidade aumentada para treinamentos”, conta.

Outro item mapeado no setor de transportes é a crescente exigência de alguns clientes pelo controle e redução de emissão de carbono no meio ambiente. “Como na DHL temos como meta ‘zerar’ a emissão de carbono até 2050, já temos em nossa frota veículos elétricos dedicados em algumas de nossas operações”, lembra Miquellin.

Na pesquisa, fatores mais amplos da sociedade como um todo também foram destacados como desafios relacionados: 61% das empresas, por exemplo, citaram o aumento da urbanização como um fator que impactará significativamente seus negócios no futuro. A tecnologia – e sua capacidade de ajudar a gerenciar esse complexo ambiente –  é cada vez mais vista como um requisito padrão para as 3PLs: mais de dois terços (67%) das empresas acreditam que as soluções analíticas de big data e a IA são serviços essenciais a serem oferecidos pelas 3PLs às empresas clientes.

Comentários




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Thyrso Guilarducciem 22/11/2018, às 10h01
Excelentes abordagens pela DHL sobre um tema extremamente complexo e divergente, pelo menos aqui no Brasil. As questões limitadoras de infraestrutura viária com estradas e vias mais adequadas e a segurança (Safety) comprometida com tantos acidentes merecem sem dúvida enfoques e ações de base.
Por outro lado a Segurança patrimonial e individual (Security) ainda é insuficiente e compromete sobremaneira os desempenhos e custos adicionais com a gestão de riscos.
As disposições que cada corporação adota para suas gestões de riscos assemelham-se à uma neurose coletiva e sem precedentes.
É assombroso o diferencial entre os ataques aos caminhões em percurso no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo. Escolta por lá apenas para veículos com cargas extra dimensionais ou de peso. Enquanto as políticas públicas (dever do Estado) não enfrentar com a máxima inteligência e efetividade o alarmante indicador de ocorrências de assaltos o Setor de Transportes estará deficitário com elevados custos e complicações de validação de seguros nos quais muito são recusados pela exposição aos graus de risco acima (muito acima) da curva média.
Um fio de esperança em um novo Poder Executivo para um Star Up da segurança e trazer o país para uma posição menos parecida com cenas de um filme apocalíptico.