Segunda-feira, 17 de setembro de 2018 - 15h20
Vale terá a primeira mina somente com caminhões autônomos do Brasil
Sete veículos fora de estrada já rodam sem operadores na mina Brucutu, que até 2019 contará com 13 equipamentos

A Vale começou a utilizar sete caminhões autônomos em sua mina Brucutu, localizada no município de São Gonçalo (MG). Os veículos fora de estrada e de grande porte, com capacidade para carregar 240 toneladas de carga, circulam pelas vias da área de mineração sem operadores, controlados apenas por sistemas de computador, GPS, radares e inteligência artificial.

Crédito: Daniel Mansur/Vale
Crédito: Daniel Mansur/Vale

Resultado de seis anos de pesquisa e testes, os caminhões são utilizados no transporte de minério de ferro da frente de lavra até a usina de beneficiamento, juntamente com outros seis veículos operados de maneira tradicional. Quando toda a frota for substituída por caminhões com a nova tecnologia, no início de 2019, Brucutu será a primeira mina a operar de forma autônoma no Brasil.

Dentre os benefícios proporcionados pela adoção dos veículos autônomos estão o aumento da produtividade e da vida útil do equipamento, que apresenta menor desgaste de peças, e também a redução dos custos de manutenção. Com base em dados de mercado, a Vale espera conseguir um aumento da vida útil da ordem de 15%. O consumo de combustível e os custos de manutenção devem ser reduzidos em 10% e deve haver também um aumento na velocidade média dos caminhões durante a operação.

Além disso, há o aspecto ambiental, com a economia do combustível usado nas máquinas resultando em um volume mais baixo de emissões na atmosfera. “O uso deste tipo de tecnologia é crescente no mercado mundial, não só na área de mineração. A utilização de equipamentos autônomos vai trazer ganhos de produtividade e competitividade para a Vale e a indústria brasileira”, afirma Lúcio Cavalli, diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos da companhia.

Os operadores de equipamentos de Brucutu foram deslocados para outras funções na própria mina ou em outras unidades da Vale na região. Parte da equipe foi aproveitada na gestão e no controle dos caminhões autônomos, após ter passado por cursos de capacitação que podem durar até dois anos. De acordo com a própria companhia, a tendência deve criar novas oportunidades para profissionais altamente qualificados nas áreas técnicas, de engenharia de automação, robótica e de tecnologia da informação.

Crédito: Daniel Mansur/Vale
Crédito: Daniel Mansur/Vale

O processo de monitoramento pode ser feito a quilômetros de distância da operação e, com menos pessoas presentes nas atividades de lavra, onde há movimentação de veículos pesados e grandes volumes de carga, diminui-se a exposição aos riscos de acidentes. A tecnologia utilizada nos caminhões consegue identificar obstáculos e mudanças não previstas no trajeto determinado pelo centro de controle. Ao detectar riscos, os equipamentos paralisam suas operações até que o caminho volte a ser liberado.