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ESG - Catalizando atitudes empresariais

Por Paulo Roberto Leite em 23 de fevereiro de 2023 às 10h16
Paulo Roberto Leite

Sem exceção todas as mídias, em qualquer parte do mundo, fazem referência à sigla ou movimento ESG, envolvendo as empresas e instituições mais representativas da sociedade. Sua citação, e mais recentemente sua adoção por empresas líderes no mercado, tornou essa sigla singularmente importante, principalmente devido ao avanço das calamidades extemporâneas do clima, à emergência das ideias de diversidade social de todas as espécies e principalmente à necessidade de transparência em empresas e instituições em geral.

Enquanto, até a pouco, as ideias de sustentabilidade nas empresas, na busca de sua perenização no mercado, privilegiavam os resultados econômicos, sendo os aspectos ambiental e social considerados como complementos marginais de suas atividades, com o avanço das ideias do ESG tem-se uma significativa mudança de padrão de preocupação. Os aspectos econômicos são considerados inerentes aos negócios, porém as ideias de sustentabilidade são alteradas na busca da aquisição de um novo “status” da instituição, principalmente no setor financeiro.

A sigla ESG, no idioma inglês (environment, social, governance), tem cada vez mais sido usada como uma forma de medir o quanto uma empresa ou instituição está comprometida com os aspectos ambientais, sociais e de governança em suas operações. Em outras palavras, o quanto elas estão empenhadas em oferecer estas três condições aos seus principais interessados (stakeholders): funcionários, clientes, comunidade, fornecedores, acionistas, governo etc.

As ideias envolvidas pela medida de ESG são bastante abrangentes, mas podem ser resumidas, entre outros, em alguns aspectos como:

E (Environment) = (ambiental)
Refere -se às práticas de uma instituição em relação à conservação do meio-ambiente e sua atuação sobre temas como: 
- Aquecimento global;
- Poluição ambiental;
- Biodiversidade; 
- Conservação de florestas; 
- Eficiência energética; 
- Gestão de resíduos; 
- Escassez de água; etc.

S (Social) = (social)
Indica a interação da instituição com as pessoas dentro e fora da organização, tais como:
- Satisfação dos clientes;
- Proteção de dados e privacidade; 
- Diversidade da equipe; 
- Engajamento dos funcionários; 
- Relacionamento com a comunidade; 
- Respeito aos direitos humanos e às leis trabalhistas; etc.

G (Governance) = (governança)
Relaciona-se ao nível de cumprimento de boas práticas e transparência apresentada, tais como:
- Composição do conselho; 
- Estrutura do comitê de auditoria; 
- Conduta corporativa;
- Remuneração dos executivos; 
- Relação com entidades do governo e políticos; 
- Canal de denúncias; etc.

Esta sigla ESG distintiva, atribuída por institutos classificadores de sistemas ESG a certas empresas e instituições, embora ainda carecendo de medições mais universais, busca identificar aquelas que têm estas preocupações por meio de efetivas atitudes e estratégias nesses três aspectos. A distinção de ser uma empresa ESG tem permitido a elas melhores oportunidades de lucratividade nas bolsas de valores e prioridades em projetos. Instituições bancárias e de fomento de projetos, além de fundos de investimento em bolsas de valores em todo o mundo oferecem melhores condições à estas qualificadas empresas.

Observa-se, portanto, que embora as ideias de ESG e da tradicional definição de sustentabilidade “triple botton line” com seus 3 eixos:  econômico, ambiental e social,”, sejam muito próximas com a substituição do eixo de econômico pelo importante tópico de Governança, o objetivo do uso da sigla ESG está principalmente relacionado à sua distinção no meio financeiro.

Embora bastante abrangente em suas ideias a ênfase destas ideias em área tão sensível como a financeira, com suas novas e salutares preocupações, poderá contribuir e particularmente impulsionar áreas como a Logística Reversa de Pós-consumo e Economia Circular, na medida em que envolve questões relacionadas a recursos e valoração financeira que impactam mais sensivelmente as empresas. 

Importante, no entanto, como já mencionado em artigo anterior, que a questão da mensuração dos índices de ESG seja o mais possível uniformizada através de norma universal e de reconhecida validação, a exemplo de norma ISO, evitando a diversidade de critérios de atribuição do nível de ESG adotados por múltiplos organismos que confundem a sociedade. Sistema do tipo ISO privilegiaria uma avaliação realista baseada nas ações e atitudes adotadas pela  instituição e menos em simples relatórios respondidos pela própria empresa.

De qualquer forma as ideias e preocupações são muito bem recebidas pela sociedade, entendendo a intenção de busca de aperfeiçoamentos de empresas e organizações em geral para esses objetivos do ESG. É notório o avanço destas ideias nas líderes do mercado, quando se observa a criação de diretorias e outros cargos de relevância especialmente designados para tratar do avanço e regulação interna de suas atitudes.
Cresce a esperança de que, com esse direcionamento em importância na estratégica financeira, essas três áreas, até então consideradas de interesse não principal no meio empresarial, passe a alavancar mais nitidamente atitudes nesse sentido.

ESG - Catalizando atitudes empresariais

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