Ibovespa
129.558,62 pts
(0,42%)
Dólar comercial
R$ 4,96
(-0,36%)
Dólar turismo
R$ 5,16
(-0,28%)
Euro
R$ 5,37
(-0,02%)

Desafios para a logística 4.0 no Brasil

Por Sérgio Fernandes em 10 de julho de 2023 às 11h44
Sérgio Fernandes

Atualmente, o fato é que grandes embarcadores globais já sabem da importância e criticidade de automação/digitalização de seus processos de armazenagem, produção e distribuição, pois sem estes, teriam processos muito lentos, dispendiosos, em suma, perderiam competitividade e consequentemente, suas receitas.

Quando olhamos mais para nosso cenário brasileiro, aí a situação se complica bem, pois atualmente podemos considerar um percentual “baixíssimo” das indústrias com tecnologia logística 4.0, ou seja, temos um “gargalo” muito grande de eficácia logística. Na maioria dos casos, usamos planilhas de EXCEL, calculadoras simples, e-mail, Whatsapp,  reforçando assim a ideia de que infelizmente nossos processos são muito manuais e arcaicos.

Se os executivos brasileiros fizessem a simples conta de “padeiro”, sobre o que custa mais caro, investir na solução tecnológica de digitalização sistêmica e sanar o problema ou não investir em NADA e permanecer com o problema, certamente na maioria esmagadora dos casos seria obviamente, muito mais valoroso e barato, investir na transformação digital da logística.

Diante dessas considerações, podemos concluir que um dos maiores entrave para a Transformação Digital, é a cultura dos gestores brasileiros, que não conferem a devida prioridade e seriedade no tratamento dessas questões, sendo esse um problema cultural, que exigirá muita difusão de conhecimento, no ensejo de demonstrar o quanto as organizações têm a ganhar com esta mudança de ação/pensamento.

Na verdade, muito trabalho necessita ser feito, precisamos difundir mais este conhecimento, promover iniciativas e projetos para democratização da transformação digital nas cadeias logísticas nacionais.
 
PESSOAS
O recurso mais valioso e com real poder de mudar cenários, foi, é e sempre será o fator humano, o capital mais importante de uma organização, o capital intelectual humano, sem dúvida alguma é o que confere todo diferencial competitivo, enganam-se aqueles que pensam que o maior valor está somente na ótima infraestrutura, no melhor maquinário, nas melhores condições financeiras, ou seja, primeiro devemos ter a mentalidade de investir na educação e preparação do fator humano, o qual irá de maneira apropriada, operar e trabalhar com as ferramentas certas para digitalizar os processos logísticos, conferir automação, celeridade e produtividade da operação na Supply Chain.

Conforme preconiza a teoria de Chiavenato, as pessoas são o ponto central da organização. E a realidade mostra exatamente que as pessoas são indispensáveis aos processos de qualquer empresa, quanto mais em processos logísticos aliados a ferramentas de alta tecnologia em TI.

A escassez de talentos em tecnologia, pessoas conectadas, perfil analítico, promove altas discussões sobre a necessidade de se investir mais em pessoas e tornar as empresas mais atrativas para elas. Benefícios, desenvolvimento, treinamentos, reconhecimento, para que essas pessoas observem que seu trabalho está gerando bons resultados para a corporação e consequentemente promovendo senso de pertencimento e que realmente elas estejam fazendo toda a diferença.

O fato é que as organizações precisam de estratégias claras e mensuráveis, para a administração dos colaboradores, como acompanhamento de desempenho, desenho de planos de carreira, cargos e salários, ações de engajamento e feedbacks, auxílio no desenvolvimento profissional, meios e ferramentas de trabalho devidamente apropriados, para assim conferir a efetividade do desenvolvimento de seus negócios.

Mas para que tudo isso apresente reais e efetivos resultados, primeiramente os LÍDERES nas organizações, precisam realmente “abrir suas mentes” e entender que vivemos em um cenário totalmente incerto, complexo, carente e difícil de colocar as inovações e projetos em PRÁTICA!

ENTRAVES E IMPULSIONADORES DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
Quando mencionamos entraves, o primeiro e mais representativo de todos é a resistência das pessoas às novas tecnologias, aos novos processos digitalizados e automatizados, podemos até mesmo afirmar com propriedade que toda inovação carrega além do bônus de suas benesses, também o ônus da desconfiança de sua aplicabilidade prática ao cotidiano.

As pessoas tendem a encarar a Transformação Digital (processo que incorpora o uso da tecnologia digital às soluções de problemas tradicionais nas áreas estratégicas das corporações) como mero custo e não investimento e aí está um erro muito grande de conceito, no que resulta em máxima postergação deste supracitado e necessário processo na evolução das empresas, principalmente na área CHAVE da Logística Empresarial, a tão falada “Logística 4.0”.

A indústria no papel de embarcador sofre com processos e tecnologias que não acompanharam esse crescimento e as novas demandas. Conforme escrito anteriormente a questão do “MINDSET”, pois muitos ainda controlam sua logística em planilhas e documentam a operação por e-mail, dificultando extremamente na apuração de custos, qualidade do serviço, integração das informações e players em tempo real, bem como, economia no processo.

O grande erro do embarcador é pensar! "Minha logística está funcionando, não preciso mexer nisso agora”. Realmente a preocupação maior da indústria está no seu core, a produção. Contudo, o custo logístico pode participar de 5% a 20% do total. Além disso, cada vez mais os players da cadeia logística precisam estar integrados para reduzir erros, manter a qualidade dos serviços e prazos.

A não integração implica em custos diretos (OPEX), falhas de auditoria e quebra de “compliances”, impactando diretamente no resultado da empresa.

A maior parte das indústrias brasileiras pequenas, médias e grandes está no estágio 1 e 2 de maturidade para a indústria 4.0, definida pela ACATECH, a Academia de Ciências e Tecnologia da Alemanha.

Vide figura abaixo:

Desafios para a logística 4.0 no Brasil

Neste cenário, a tecnologia pode colaborar significativamente. Porém, as indústrias esbarram na necessidade de investimentos, dificuldade de aprovações internas ou até mesmo na adaptação ou melhoria de processos.
Um grande impulsionador são as novas demandas acerca de alta tecnologia para gestão da Cadeia Logística, bem como, cenário recessivo mundial, onde as exigências por produtividade e redução de custos desnecessários  aumentam consideravelmente.

Também não podemos deixar de observar as exigências cada vez mais qualitativas por parte do poder público, por exemplo a ANVISA com a RDC 653 que versa sobre as boas práticas com rastreamento, controle de temperatura e umidade em alguns tipos de medicamentos e insumos da saúde, ou seja, demanda por alta tecnologia para gerir estes processos.

MINDSET DO GESTOR E DO COLABORADOR
Infelizmente, hoje, 2023, ainda é muito latente por grande parte dos gestores, a grande resistência em priorizar a importância da Transformação Digital na área da Logística, bem como, querer aprender realmente o que é transformação digital, saber acerca de seus benefícios, quando e como implantar.

Para aqueles que trabalham na “Linha de frente de combate” quando indagam estes gestores, os mesmos, costumam responder com as seguintes considerações: "Para que investir em software para logística, aqui nós usamos muitos funcionários que controlam em planilhas EXCEL e em pranchetas de papel” “ Mal ou bem vou tocando minha logística do mesmo jeito de sempre” “Meu pessoal é tudo limitado no uso de tecnologia e digitalização” “Aqui na nossa empresa, logística não tem vez para investimentos” “Rapaz essa tal de transformação digital para logística vai depender de aprovação de muita gente internamente aqui, precisará de TI, Compras, Financeiro, ahhh vai dar muito trabalho, não tenho tempo pra essas coisas agora não”...

Caros leitores observaram as frases acima, pois então, infelizmente são absolutamente reais, nos evidencia mais uma vez o quanto o mindset (pensamento/mentalidade) dos gestores ainda está aquém das atuais necessidades globais para atendimento da onda 4.0 ou mesmo a vindoura 5.0, ou seja, você gestor precisa mudar o mais rápido possível, para não ficar defasado, desta forma, te pergunto, o que você está fazendo atualmente em sua organização para alterar este tenebroso cenário?

Você gestor, precisa ser um verdadeiro agente de mudança na sua organização, em um mundo onde vivemos, cujos cenários mudam abruptamente a todo instante, onde observamos um gigantesco volume e velocidade de informações, você gestor, não pode se dar ao “luxo” de permanecer na inércia, ficar esperando “as coisas se resolverem por si próprias”, ou seja, você precisa ser o protagonista nesta história, ser dinâmico, ser rápido, ser proativo e procurar soluções automatizadas e digitais, que sejam realmente confiáveis, para assim poder conferir maior robustez à sua operação e integração em sua Cadeia de Suprimentos.

ENVOLVIMENTO E ENGAJAMENTO DE PESSOAS PARA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA LOGÍSTICA
Dentre as várias boas práticas internacionalmente reconhecidas e utilizadas pela moderna gestão ágil de projetos, ou seja, a técnica do processo de envolvimento o mais prematuro possível de todas as partes interessadas em um novo projeto, esta referida prática realmente se destaca, vide figura abaixo que ilustra bem isto:

Desafios para a logística 4.0 no Brasil


O intuito primordial é promover a integração e colaboração das pessoas no ensejo de se empreender esforços focados para obtenção dos objetivos do projeto. Esta técnica evita falta de validação de escopo, erros de entendimentos, atrasos gerais, retrabalho e consequente aumento desnecessário de custos.

Para que haja este envolvimento prematuro o gestor ou pessoa focal point em um determinado projeto para implantação da transformação digital, definitivamente necessitará comunicar e envolver as partes interessadas com alto interesse e alta influência, desde o princípio do referido projeto, evidenciando assim os aspectos positivos do projeto, obtendo anuência, opiniões, considerações, demandas, exigências e principalmente as tão “relevantes” aprovações, para poder conferir continuidade e progresso salutar das atividades críticas de negociação e implantação.

Os ganhos com o engajamento de pessoas são muito representativos, pessoas engajadas, “compram a ideia do projeto”, sentem valor no que estão fazendo, tendem a colaborar de maneira efetiva umas com as outras e principalmente não desistir, diante dos desafios que possam por ventura surgir na implantação do projeto, resumindo este tópico, quando não temos pessoas engajadas, logo corremos o grande risco de não iniciar o projeto ou então se iniciado o mesmo, logo então, não obtermos a sua conclusão!

ENVOLVIMENTO DE ÁREAS CHAVE NO PROCESSO (FINANCEIRO, FISCAL, COMPRAS)
O grande erro dos profissionais no mercado é quando se almeja um projeto de transformação digital na logística, acreditar e envolver somente pessoal da logística, bem como, acreditar que tais mudanças só causarão impactos na área e operações logísticas.

O fato é que num processo MADURO de transformação digital, deverá haver um dimensionamento acuraz dos valores a serem investidos, sendo estes referidos valores provisionados em um “budget” (Orçamento), que dependerá em muito da aprovação do Financeiro, para isto este Departamento deve ser envolvido o mais prematura possível e ser muito bem assessorado sobre estas demandas. O time de implantação precisa se focar em demonstrar o quanto plataformas sérias de transformação digital, podem reduzir consideravelmente os custos logísticos, contribuindo assim para a boa saúde da área Financeira da organização.

Desafios para a logística 4.0 no Brasil

Por exemplo, o Dep.Financeiro se beneficia podendo observar em tempo real a gestão de faturas, auditorias de fretes, simulações e cotações e relatórios executivos, tudo isto contribuindo para melhoria de processos e redução de custos para a organização!

Em contrapartida, a área Fiscal poderá se beneficiar usando as altas tecnologias para automatizar a escrituração fiscal dos CT-es da gestão eletrônica de canhotos digitalizados, minimizando erros, evitando gastos desnecessários novamente.

A área de compras se beneficia ao usar a sistemática de gestão de faturas, ordem de compras. Mas tanto as áreas fiscais como a de compras necessitam ser devidamente envolvidas desde o início do projeto, a fim de promover suas valiosas aprovações.
                       
CONCLUSÃO
Mesmo com um atraso significativo em relação aos países desenvolvidos, o Brasil colocou definitivamente na pauta os temas de Indústria 4.0, Transformação Digital e Logística 4.0. e agora mais do que nunca, precisa evoluir de verdade com esta crítica temática, do contrário, estará fadado a perder competitividade para as grandes corporações globais!!!

*Sérgio Henrique Fernandes, CCO do INTEGRA CARGO e Professor convidado dos programas de MBA da Fundação Getúlio Vargas em gestão de projetos.

Usamos cookies e tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência, analisar estatísticas e personalizar a publicidade. Ao prosseguir no site, você concorda com esse uso, em conformidade com a Política de Privacidade.
Aceitar
Gerenciar