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Geopolítica e transição energética no setor logístico: um mapa do(s) caminho(s)

Por Mariana Avelar em 24 de junho de 2026 às 7h14
Mariana Avelar

Na minha última coluna, ressaltei que o mapa do caminho da descarbonização (ou desfossilização, como preferem alguns cientistas) do setor logístico passa pelo uso do etanol, do biodiesel, bem como do hidrogênio e seus derivativos.

Além da evidente vantajosidade ambiental, a transição tem também o potencial de gerar maior segurança e soberania energética em tempos de conflitos geopolíticos de difícil resolução, permitindo maior segurança e confiabilidade dos fluxos logísticos tão relevantes para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Por essas e outras razões, vem em boa hora as Recomendações do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS, ou "Conselhão"), para os Mapas do Caminho Global liderados pela Presidência da COP30. Uma das conclusões ali colocadas é a de que “subsídios explícitos e implícitos aos combustíveis fósseis, somados às receitas de royalties, criam dependência fiscal, distorcem preços e retardam a descarbonização”,  arrolando, como parte das propostas, o estabelecimento de  "políticas fiscais e regulatórias que incentivem a ampliação da produção e do uso de combustíveis sustentáveis, incluindo biocombustíveis e biogases", bem como a priorização da "integração com tecnologias híbridas e eletrificadas, potencializando a redução de emissões no setor de transportes e incentivando a produção e o uso locais de combustíveis sustentáveis".

Alguns pontos dessas políticas estão substancialmente atrasados, como é o caso da regulamentação do marco legal do hidrogênio verde, o desenvolvimento da regulação dos combustíveis sustentáveis para navegação e o fomento a maior coordenação dos diversos stakeholders. Como bem indicado por Tetsu Koike, atual diretor de Programa de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação do MPor, "o ideal é garantir que embarcações, portos e terminais que façam parte de um corredor verde tenham preferência nos financiamentos, o que depende de coordenação e de decisão política, institucional e técnica".

Em outras frentes, há o que comemorar. Um bom exemplo é a publicação da ISO 19870-1 no início deste ano, a enviar bom sinal para fomentar a interoperabilidade, a transparência e a confiança nos mercados globais de hidrogênio. A norma, dedicada à metodologia para determinação da avaliação de emissões de gases de efeito estufa na cadeia de suprimentos de hidrogênio, chega em um momento em que projetos transnacionais precisam falar a mesma língua.

Por fim, algumas parcerias internacionais já tem sinalizado caminhos, como o caso de estudos de viabilidade sendo conduzidos pelo Brasil em parceria com a Holanda e Noruega. Como anunciado pelo Valor Econômico, os três países planejam lançar uma chamada conjunta de P&D em 2026, em parceria com a Finep, no valor aproximado de R$ 450 milhões para pesquisa em combustíveis e tecnologias voltadas a rotas verdes. Aguardamos ansiosos!
 

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