
A Log Commercial Properties, empresa brasileira líder no setor de condomínios logísticos, anunciou um plano ambicioso para entregar 2 milhões de m² em área bruta locável (ABL) até 2028. A empresa apresentou novas frentes de negócios em gestão de obras e seguros, consultoria imobiliária e fundos de investimentos durante seu Investor Day, realizado nesta sexta-feira (22/05).
De acordo com Sérgio Fischer, CEO da Log, a alta demanda do e-commerce criou condições de crescimento históricas para a companhia. "Estamos vivendo hoje a melhor demanda da história da empresa. 100% dos novos projetos estão sendo locados ao longo das obras, e o e-commerce é uma grande parcela disso. A gente vê os marketplaces se organizando para conseguir entregar em 24 horas em qualquer região do Brasil e a penetração do e-commerce ainda é pequena, cerca de 10% do varejo total no Brasil", explica.
A empresa tem projetos em andamento com gigantes do comércio eletrônico como Mercado Livre, Shopee e Amazon. O executivo afirma já ter fechado um contrato de 350 mil m² de ABL com um único marketplace apenas para este ano, um feito inédito para a companhia.
Log 360: ecossistema de negócios para além dos galpões
Buscando diversificar suas fontes de receita, a Log anunciou a criação do Log360, ecossistema de negócios que expande a atuação da empresa com novos serviços integrados e formas de levantamento de capital. A novidade integra iniciativas anteriores da empresa, como a Log ADM, de administração de condomínios; a Log Shop, marketplace de serviços terceirizados para locatários com empresas parceiras; o serviço de gestão de energia, voltado à eficiência energética e à compra de energia no Mercado Livre, e o Centro de Controle Operacional com novas unidades de negócios.
A empresa passa a oferecer novos serviços de gestão de seguros, gestão de obras, consultoria imobiliária, Log Social e Log CSC.
Com o novo posicionamento, a Log deixa de ser apenas uma incorporadora e locadora de galpões para se tornar uma plataforma completa de serviços e investimentos logísticos, buscando modelo de negócios "asset light" e maior rentabilidade. A meta global da companhia é de incrementar as receitas de serviços em 500% até 2030, elevando a representatividade desses serviços para até 16 pontos percentuais do EBITDA total da Log.
Uma business venture importante que agora integra o Log360 é a Log Capital, gestora de recursos criada para estruturar fundos de investimento imobiliário (FIIs) de renda, desenvolvimento e recebíveis. O objetivo é atrair capital de terceiros (varejo e institucional) para financiar o crescimento da empresa, adicionando aos quatro fundos assessorados já existentes cerca de um a dois novos fundos ao ano até 2030, trazendo cerca de R$ 1 bilhão ao ano.
"Esse movimento representa uma mudança importante na forma como enxergamos o futuro da Log. Ao longo de 18 anos construímos uma operação nacional, desenvolvemos inteligência operacional e uma expertise reconhecida pelo mercado. Agora, com a expertise que consolidamos, estamos transformando nossa forma de atuar, que vai além da construção, locação e venda dos empreendimentos", explica Sergio Fischer.
Expansão para novas regiões do Brasil
A Log tem o plano de entregar 2 milhões de m² em ABL até 2028, e Sérgio está confiante de que a empresa pode ultrapassar a meta em cerca de 10%. Para isso, a empresa tem um plano de obras intenso com uma média de 70 mil m² por mês.
A desenvolvedora já tem 14 obras em andamento hoje e pretender chegar a dezembro com 19 obras simultâneas. O plano de expansão inclui novos condomínios logísticos em áreas de alta demanda e a entrada em novas praças este ano: dentre as novas cidades entrando no portfólio da Log, já existem obras em andamento nas cidades de Joinville e Florianópolis (SC), obras confirmadas em São Luís (MA) e Teresina (PI). A empresa também tem segundos empreendimentos confirmados em São José dos Campos (SP) e Belém (PA).
O Nordeste está no centro dos planos de crescimento da companhia. Com baixa oferta de galpões logísticos, parque existente obsoleto e demanda crescente, a região é considerada a nova fronteira de galpões classe A. Além da entrada em São Luís e Teresina, a estratégia da empresa é focar em regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes e aumentar a escala em praças onde já possui operação, como seu quinto projeto em Fortaleza (CE) e terceiro em Salvador (BA).
O objetivo da incorporadora é consolidar sua presença nas cinco regiões do Brasil e estabelecer presença nas oito capitais do Nordeste até o final do ano.
Construções até 30% mais baratas: a estratégia da empresa para construir por menos
Parte integral do plano de crescimento da Log depende do manejo dos custos de construção, que têm sido pressionados pela guerra entre Estados Unidos e Irã. A empresa relata uma projeção de aumento geral de 7,2% nos custos de construção no mercado brasileiro devido ao conflito, que poderão ser repassados nos contratos da empresa.
Mesmo em um cenário desafiador, a Log afirma ter custos de construção 20% a 30% mais baratos que o mercado (Índice Nacional de Custo da Construção - INCC), graças a um modelo de negócio que combina verticalização de processos, tecnologia avançada e economia de escala.
De acordo com Márcio Siqueira, diretor executivo de operações na Log, um dos pilares que sustentam essa vantagem competitiva é a verticalização de processos: a companhia assumiu integralmente a construção e todo o ciclo de desenvolvimento, desde a legalização e execução de projetos até o orçamento, planeamento e controle de obras. Ter uma equipe própria de produção, composta por cerca de 40 engenheiros e analistas internos, garante que as obras sejam executadas com maior agilidade e rigoroso controle de qualidade.
A empresa implementou a filosofia lean construction em todos os seus projetos, um modelo inspirado na indústria automóvel da Toyota que visa otimização de recursos, eliminação de desperdícios e máxima eficiência operacional. Cerca de 60% a 70% dos terrenos são adquiridos através de permuta,reduzindo a exposiçào de caixa, e materiais são negociados em escala e adquiridos em pacotes devido ao grande volume de construções.
A Log utiliza projetos padronizados e tecnologia BIM (Building Information Modeling) para integrar todas as disciplinas da engenharia. Isso permite detectar interferências antes mesmo do início da construção, o que reduz drasticamente o retrabalho, os custos e a perda de tempo no estaleiro.