
O mercado brasileiro de condomínios logísticos de alto padrão encerrou o segundo trimestre de 2026 com desempenho histórico: a taxa de vacância recuou ao menor nível já registrado na série histórica, atingindo 5%, ao mesmo tempo em que a área devolvida pelos ocupantes caiu ao patamar mais baixo dos últimos sete anos. Os dados foram apresentados pela Colliers em seu relatório trimestral.
A pesquisa também aponta que inventário nacional avançou 8% nos últimos 12 meses, refletindo o ritmo acelerado de entregas, com São Paulo concentrando os principais empreendimentos incorporados ao estoque no período. A atividade construtiva permanece aquecida, com cerca de 2 milhões de m² em obras, sinal de que os desenvolvedores seguem confiantes na continuidade da demanda.
E-commerce lidera demanda por locação
Empresas ligadas ao e-commerce seguem no topo do ranking das maiores locações. As cinco maiores transações registradas no primeiro semestre de 2026 pertencem a operadores desse segmento. De acordo com a Colliers, o resultado demonstra a expansão contínua das redes de distribuição de varejistas digitais e a busca crescente por espaços logísticos estratégicos próximos a grandes centros urbanos.
A área devolvida registrou o menor nível em sete anos, evidenciando que os locatários estão mantendo e em muitos casos expandindo suas operações. Esse indicador, aliado à forte atividade de absorção, confirma o cenário de demanda robusta que caracterizou o primeiro semestre.
Preço médio de locação se mantém estável
O preço médio de locação encerrou o semestre em R$ 30/m²/mês, mantendo-se estável pelo terceiro trimestre consecutivo. Os maiores valores são encontrados no Distrito Federal (R$35/m²/mês), no Ceará (R$34,6/m²/mês) e em São Paulo (R$33,7/m²/mês), enquanto os menores estão no Espírito Santo (R$25,1/m²/mês) e Paraíba (R$22,4/m²/mês).
Para Ricardo Betancourt, CEO da Colliers, os dados acumulados do primeiro semestre reforçam a consistência do mercado de condomínios logísticos no Brasil. A baixa vacância tem estimulado o desenvolvimento de novos empreendimentos e a ampliação do estoque no setor. "Essa expansão acompanha o ritmo ainda aquecido da demanda, especialmente de segmentos como e-commerce, que seguem entre os principais vetores das locações de grande porte.", afirma.
Expectativa para o segundo semestre mantém-se alta
De acordo com o executivo, é possível manter expectativas otimistas. A combinação entre baixa vacância, demanda resiliente e novos projetos em desenvolvimento deve sustentar o ritmo positivo do mercado ao longo do segundo semestre. "Para o segundo semestre, nossa expectativa é de continuidade desse cenário, com absorção positiva e novos lançamentos ganhando espaço no mercado", conta.