A política tarifária dos EUA em 2025 provocou uma ruptura estrutural no comércio global e mudou permanentemente a forma como as empresas executam suas cadeias de suprimentos. Esta é a conclusão da pesquisa "The Rise of the Tariff-Optimized Supply Chain: Inside the New Rules of Global Trade", realizada pela empresa global de tecnologia para logística integrada Infios e publicada nesta quinta-feira (21/05).
O relatório comparou dados de maio a dezembro e de julho a dezembro de 2024 e 2025 de mais de um milhão de registros de importação americanos, e concluiu que as tarifas deixaram de ser uma linha de custo previsível. Elas se tornaram uma variável de execução ativa, gerenciada pelas empresas por meio de classificação, seleção de modal, roteamento, armazenagem e sequenciamento financeiro.
"Esta pesquisa evidencia como os padrões do comércio global estão evoluindo e onde as empresas estão ajustando rotas, modais de transporte e estratégias de execução em resposta a esse cenário. As organizações que identificarem essas mudanças cedo e responderem com agilidade estarão mais bem posicionadas para garantir uma execução sem interrupções", comenta Ed Auriemma, CEO da Infios.
Duas fases de resposta ao tarifaço
O relatório identifica duas fases distintas de resposta. No período de choque inicial, os importadores experimentaram o chamado "panic routing": mudanças emergenciais de modal e surtos temporários de uso do United States-Mexico-Canada Agreement (USMCA).
A faixa de alíquotas acima de 50%, praticamente inexistente antes de 2025, disparou antes de se estabilizar em um patamar menor, porém ainda elevado. Com a urgência sobrepondo-se à disciplina de custos, as participações do frete aéreo e do frete rodoviário aumentaram, tornando a velocidade a prioridade central.
Com o tempo, os comportamentos que se consolidaram resultaram em um redesenho estrutural e deliberado da execução do comércio global.
As tarifas introduziram um nível de volatilidade que as empresas não conseguem mais gerenciar com ajustes periódicos ou processos manuais. "O que estamos observando não é apenas uma mudança nas fontes de fornecimento ou no mix de fornecedores. É uma transformação fundamental na forma como o comércio é executado", afirma Don Mabry, SVP, Global Trade Solutions da Infios.
Para o executivo, as organizações capazes de perceber mudanças cedo, avaliar opções rapidamente e reconfigurar seus caminhos de execução vão superar aquelas que operam em sistemas rígidos e de caminho único que contam com cenários mais estáveis. "As organizações que tratam a execução comercial como uma disciplina dinâmica — e não como uma função de retaguarda — são as que estão conquistando vantagem competitiva duradoura", completa.
Principais insights da pesquisa:
Nem toda a redistribuição de fontes de fornecimento ocorreu da mesma forma. Bens de consumo e manufatura leve diversificaram-se em relação à China; produtos químicos de especialidade e componentes industriais permaneceram dependentes de suas origens habituais, independentemente da exposição tarifária.
Ao mesmo tempo, corredores comerciais inteiramente novos surgiram, enquanto outros entraram em colapso sob a pressão das políticas adotadas. Os dados revelam um cenário de cadeia de suprimentos em movimento: novos corredores se abrindo, rotas inviáveis sendo abandonadas e sinais incipientes de relocalização industrial — fazendo da inteligência de rotas um ativo estratégico, e não um detalhe logístico secundário.
A análise da Infios conclui que esta não é uma história de fornecimento, mas de execução. Em um ambiente de política comercial volátil, a flexibilidade supera a eficiência, e a precisão na execução é determinante. As empresas que prosperam serão aquelas capazes de perceber mudanças cedo, avaliar opções rapidamente e reconfigurar caminhos de execução antes que as condições as forcem a agir.
O relatório apresenta uma definição consistente para este novo modelo operacional: a tariff-optimized supply chain (cadeia de suprimentos otimizada para tarifas), que trata as alíquotas como uma variável de execução ativa, gerenciada por meio de classificação, seleção de modal, roteamento, armazenagem e sequenciamento financeiro, em vez de tratá-las como um custo fixo a ser absorvido. Em um ambiente onde a volatilidade é estrutural, essas capacidades serão o que diferenciará os líderes no comércio global.