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Motiva registra lucro de R$ 3,42 bilhões no 3º trimestre, alta de 177,9%

Venda de aeroportos respondeu por R$ 2,72 bilhões do resultado; receita líquida ajustada cresceu 13,6%, enquanto investimentos em rodovias e trilhos somaram R$ 2,27 bilhões
Por Redação em 30 de outubro de 2026 às 8h10
Motiva registra lucro de R$ 3,42 bilhões no 3º trimestre, alta de 177,9%
Foto: Divulgação
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A Motiva registrou lucro líquido societário de R$ 3,42 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 177,9% em relação aos R$ 1,23 bilhão apurados no mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado principalmente pela venda de sua antiga plataforma de aeroportos, concluída em setembro, que gerou impacto positivo de R$ 2,72 bilhões no lucro. A companhia também registrou crescimento operacional nas concessões rodoviárias e ferroviárias.

Sem considerar o efeito extraordinário da venda, o lucro líquido ajustado avançou 9,8% na comparação anual, passando de R$ 683 milhões para R$ 750 milhões. A transação envolveu 20 aeroportos vendidos ao grupo mexicano ASUR por R$ 12,21 bilhões, incluindo R$ 5,187 bilhões em participação acionária e R$ 7,024 bilhões em dívidas dos ativos.

A receita líquida ajustada da companhia alcançou R$ 3,8 bilhões, crescimento de 13,6% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior. O Ebitda ajustado aumentou 13,4%, para R$ 2,52 bilhões, com margem de 66,2%. Além do desempenho das concessões, os resultados foram favorecidos por reajustes tarifários e pelo crescimento da plataforma de trilhos.

Nas rodovias, o tráfego cresceu 33,3%, para 377,87 milhões de veículos equivalentes, considerando todas as concessões. Em bases comparáveis, que excluem concessões incorporadas recentemente e a operação encerrada da ViaOeste, a alta foi de 1,6%, para 254,06 milhões. A RioSP, responsável pela administração da Rodovia Presidente Dutra, registrou aumento de 13,5% no tráfego, atribuído pela companhia, entre outros fatores, ao fim das obras em Guarulhos (SP).

A plataforma de trilhos transportou 195,55 milhões de passageiros no trimestre, crescimento de 0,5% na comparação anual. Entre os destaques estão o aumento de 2,1% no VLT Carioca e as altas de 0,9% nas Linhas 8 e 9 da ViaMobilidade e de 0,8% na Linha 5. Segundo a empresa, os resultados em São Paulo refletem melhorias na integração da estação Santo Amaro e a entrada em operação da estação Varginha, na Linha 9-Esmeralda.

Investimentos em infraestrutura

A Motiva investiu R$ 2,27 bilhões em rodovias e trilhos entre julho e setembro, alta de 2,9% em relação ao mesmo trimestre de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos somaram R$ 5,57 bilhões, avanço de 2%.

Do total trimestral, R$ 1,93 bilhão foi destinado às rodovias, incluindo obras de ampliação de capacidade, restauração de pavimentos, duplicações e implantação de faixas adicionais. Na Serra das Araras, no Rio de Janeiro, a execução superou 84% do cronograma físico, com 11 dos 24 viadutos previstos já entregues.

Em trilhos, foram aplicados R$ 316 milhões. Desse montante, R$ 134 milhões foram destinados ao início das obras de expansão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra (SP), enquanto outros R$ 140 milhões foram aplicados nas Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, incluindo intervenções na rede elétrica, cabines, subestações e espaços comerciais.

Novos negócios e endividamento

A companhia também anunciou iniciativas para diversificar as receitas. Uma delas é a criação de uma joint venture com a Eletromidia e a EcoRodovias para explorar publicidade em rodovias. A Eletromidia terá 51% da nova empresa, enquanto Motiva e EcoRodovias deterão 24,5% cada. A conclusão depende de aprovações regulatórias e de defesa da concorrência.

Outra frente é a eletromobilidade. A Motiva investiu R$ 5 milhões em infraestrutura de recarga para ônibus elétricos no Pátio Guido Calo, da Linha 5-Lilás, em São Paulo. Foram instalados 12 carregadores de 180 kVA, com capacidade para atender até 24 ônibus simultaneamente e recarregar as baterias em até três horas. O primeiro contrato prevê o atendimento de 40 ônibus elétricos.

No encerramento do trimestre, a alavancagem ajustada da Motiva ficou em 3,2 vezes, redução de 0,5 vez em relação ao fim de junho. A dívida líquida da holding caiu de R$ 6,82 bilhões para R$ 2,44 bilhões após a venda dos aeroportos. A companhia também informou que 48% de seu estoque de dívida vence a partir de 2033, e que o prazo médio do endividamento é de 5,3 anos.

No período, a empresa global de serviços financeiros e de análise de riscos Moody's elevou a classificação de risco da Motiva de AA para AAA na escala nacional. Com a mudança, a empresa passou a ter classificação triplo A nas três principais agências citadas pela companhia: Moody's, Fitch Ratings e S&P.

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