
A Agesbec iniciou a operação de uma câmara fria destinada à inspeção sanitária de produtos de origem animal em seu terminal alfandegado. A nova estrutura atende cargas importadas como carnes, pescados e queijos, permitindo a realização de procedimentos exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) diretamente no local.
À Tecnologística, André Benedito, gestor de qualidade e relações institucionais da Agesbec, disse que a implantação do serviço responde a uma demanda do mercado por soluções logísticas fora da zona primária. “É um serviço que apoia o setor alimentício que trabalha com importação de produtos de origem animal e que precisa cumprir etapas de inspeção sanitária antes do desembaraço”, afirmou.
O processo começa com a chegada da carreta ao terminal. A carga passa por seleção do Mapa, que define a necessidade de inspeção e a coleta de amostras. As caixas podem ser retiradas do início, meio e final da carreta para verificação de temperatura, condições de acondicionamento, limpeza e odor. As amostras seguem para análise em laboratório, conforme os protocolos do órgão fiscalizador.
A inspeção não exige, necessariamente, a desova total da carga. De acordo com Benedito, o descarregamento integral ocorre apenas quando o fiscal identifica necessidade técnica ou quando há retenção do produto. “Na maioria dos casos, a inspeção é feita por amostragem, sem a retirada completa da mercadoria”, explicou.
A câmara fria possui área aproximada de 110 metros quadrados, pé-direito de cerca de cinco metros e capacidade para operar até três inspeções simultâneas, desde que respeitada a segregação entre tipos de produtos. O ambiente permite controle de temperatura entre 0°C e 20°C, com sistema automatizado de monitoramento remoto, acessível por dispositivos móveis.
A estrutura conta ainda com doca e rampa de atracação, vedação térmica e layout projetado para o fluxo de pessoas e volumes durante as inspeções. Após a liberação sanitária e o desembaraço aduaneiro, a carga pode seguir diretamente ao destino final ou ser armazenada em áreas refrigeradas do próprio terminal, conforme a estratégia logística do importador.
Antes da inauguração da câmara fria, esse tipo de inspeção era realizado em outros locais. Com o novo serviço, a Agesbec passa a integrar essa etapa ao seu portfólio de operações, ampliando o atendimento a importadores que atuam principalmente com produtos oriundos do Mercosul e de outros mercados fornecedores.
“Todas as cargas de produtos de origem animal passam por algum nível de inspeção. O que muda é o tipo de seleção e a profundidade da análise, de acordo com o perfil do produto e da operação”, disse Benedito.