
O novo paradigma das cadeias de suprimentos é marcado por interrupções persistentes que desafiam embarcadores e provedores de logística.
Este é o tema central do Relatório State of Logistics 2026, publicação elaborada anualmente pela consultoria global Kearney e apresentada pela empresa de supply chain Penske Logistics e pelo Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP).
A edição deste ano oferece um panorama da economia americana sob o prisma do setor de cadeia de suprimentos. Os fatos mais notáveis do relatório do ano incluem:
Custos logísticos:
Os custos logísticos das empresas norte-americanas atingiram US$ 2,4 trilhões, o equivalente a 7,8% do PIB nacional. Em 2025, esses números foram de US$ 2,6 trilhões e 8,7% do PIB.
Cinco forças estruturais:
Cinco forças estruturais definem o macroambiente e não dão sinais de resolução: crescimento global assimétrico; aperto das condições financeiras devido à inflação persistente e ao aumento da dívida pública; aceleração dos fluxos comerciais e realinhamento geoeconômico; restrições no mercado de trabalho e na produtividade; e volatilidade nos preços de energia.
Inteligência Artificial:
A IA fez a transição de uma tecnologia experimental para uma ferramenta que entrega retornos comerciais mensuráveis em aplicações específicas e bem definidas. O uso da IA na cadeia de suprimentos gera valor por meio de quatro capacidades: interpretação, previsão, recomendação e execução.
A adoção continua desigual entre embarcadores e provedores de logística, com uma grande lacuna entre as empresas que integraram a IA em seus fluxos de trabalho centrais versus aquelas que ainda estão limitadas a soluções pontuais isoladas — sendo que muitas ainda não utilizam nenhuma.
Mão de Obra:
As empresas estão respondendo às restrições de mão de obra acelerando o uso de automação e investimentos digitais em IA.
Implicações Estratégicas:
O relatório apresenta direcionamentos estratégicos aplicáveis ao ambiente atual, incluindo: planejar com foco na resiliência, e não apenas na eficiência; priorizar a produtividade dos ativos em vez da expansão da infraestrutura física (footprint); inteligência e as capacidades competitivas que acompanham a visibilidade ponta a ponta; aceleração do ROI digital e de automação; e reavaliação da estrutura de capital e do ritmo dos investimentos.
"O relatório deste ano chega em um momento em que as forças que moldam as cadeias de suprimentos globais não são mais interrupções temporárias, mas características permanentes do ambiente operacional. Os custos crescentes impulsionados pela volatilidade da energia, pela inflação e pela instabilidade geopolítica estão pressionando as margens e forçando os líderes a repensar os modelos operacionais tradicionais. Ao mesmo tempo, alcançamos um verdadeiro ponto de virada na era autônoma. IA, robótica e transporte rodoviário autônomo estão migrando rapidamente de projetos-piloto para implementações em escala", afirma Korhan Acar, sócio da Kearney e autor principal do Relatório State of Logistics.
Para o executivo, o crescimento lucrativo tornou-se a prioridade definidora nesse cenário. "As empresas que liderarão são aquelas que combinam resiliência, logística inteligente e execução disciplinada para proteger as margens e superar os desafios em um mundo cada vez mais volátil", completa.
Já para Mark Baxa, presidente e CEO do CSCMP, a cadeia de suprimentos atual é incrivelmente complexa e exige uma série de ajustes constantes. "O Relatório State of Logistics deste ano, elaborado com maestria pela Kearney e apresentado pela Penske Logistics, pinta um retrato fiel das inúmeras dinâmicas envolvidas na gestão de uma rede logística construída para navegar no atual cenário empresarial e geopolítico. A cadeia de suprimentos do ano passado já parece diferente da de hoje. Arrisco dizer que a rede logística do próximo ano será quase irreconhecível", afirma.