
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) manifestou preocupação com a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país. Segundo a entidade, a medida não encontra respaldo na relação comercial entre os dois países e tende a aumentar custos e a insegurança nas cadeias produtivas.
De acordo com a Abiquim, os Estados Unidos registram superávit na balança comercial do setor químico com o Brasil. Em 2025, as exportações norte-americanas de produtos químicos para o mercado brasileiro somaram cerca de US$ 11,5 bilhões, enquanto as importações de produtos químicos brasileiros ficaram em aproximadamente US$ 2,1 bilhões. Para o presidente-executivo da entidade, André Passos Cordeiro, os números demonstram que não há desequilíbrio comercial desfavorável aos Estados Unidos que justifique a adoção da medida.
A associação também argumenta que parte dos produtos brasileiros atingidos pela nova tarifa abastece segmentos em que a produção norte-americana é insuficiente ou inexistente, o que pode elevar os custos para empresas dos próprios Estados Unidos que utilizam esses insumos em suas cadeias produtivas.
Segundo levantamento da Abiquim, dos 1.177 códigos tarifários de produtos químicos exportados aos Estados Unidos, 493 ficaram isentos da sobretaxa, enquanto 684 permanecem sujeitos à tarifa adicional. Embora os produtos isentos representem entre 64% e 71% do valor exportado pelo setor, a maior parte da pauta exportadora, em número de itens, continua afetada.
Com base no fluxo de exportações registrado em 2024, 2025 e no primeiro semestre de 2026, a entidade estima que a sobretaxa represente um custo adicional de aproximadamente US$ 66 milhões até o fim deste ano, ou cerca de US$ 133 milhões em termos anualizados. Os segmentos mais impactados tendem a ser os de tintas, vernizes e lacas, fibras têxteis sintéticas, sabões, detergentes e produtos de perfumaria, além de químicos orgânicos e resinas.
Diante desse cenário, a Abiquim defende a adoção de medidas temporárias de mitigação pelo governo brasileiro, como instrumentos de crédito, redução de custos e aperfeiçoamentos tributários para os setores exportadores mais afetados. A entidade também pede a continuidade das negociações com o governo norte-americano para ampliar a lista de produtos isentos da tarifa e a manutenção das medidas brasileiras de defesa comercial para evitar o aumento de importações em condições consideradas desleais.