
O PIB brasileiro alcançou um total de R$ 12,7 trilhões e cresceu 2,3% em 2025, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 3 de março. Apesar de os números representarem o quinto ano seguido de crescimento após a queda de 2020 (-3,3%), a taxa é a menor dos últimos cinco anos, depois de um forte efeito de recomposição pós-pandemia em 2021 (4,8%), desaceleração em 2022 (2,9%) e 2023 (2,9%) e alta de 3,4% em 2024.
Com o resultado, o Brasil cai da 9ª para a 11ª posição no ranking das maiores economias do mundo, superado por Rússia e Canadá, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O principal destaque de 2025 foi a agropecuária, que apresentou avanço de 11,7% em 2025. O setor de serviços cresceu em todas as atividades e obteve alta total de 1,8% no ano, com destaque para a atividade de transporte, armazenagem e correio, que cresceu 2,1%. A indústria também apresentou crescimento, de 1,4%, com destaque para as extrativas (8,6%) e construção (0,5%).
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, ressalta que "Quatro atividades: Agropecuária, Indústrias extrativas, Informação e comunicação e Outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do Valor Adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista".
Dados do setor de transporte, armazenagem e correio
De acordo com a análise da Confederação Nacional do Transporte (CNT), como se trata de uma demanda derivada, o desempenho do setor de transporte depende diretamente das decisões de produção, consumo e investimento dos demais segmentos da economia. Após a forte contração de 2020 (-12,7%) e o efeito de recomposição em 2021 (6,5%) e 2022 (8,1%), o transporte cresceu a taxas decrescentes em 2023 (2,4%) e 2024 (1,9%), tendência que se prolonga na projeção para 2026.
A entidade pondera que o cenário de crédito mais caro, com a taxa Selic em 15,0% ao ano, elevou o custo do capital e desestimulou investimentos na economia brasileira. Os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo (FBKF), cresceram apenas 2,9% em 2025, após crescimento de 6,9%, em 2024.
Os investimentos federais em infraestruturas de transporte representaram apenas 0,13% do PIB, valor inferior ao pico registrado no início da década de 2010. Já proporção do investimento rodoviário em relação ao PIB apresenta tendência de
declínio e chegou a 0,10% do PIB em 2025.
Ainda no caso dos investimentos em rodovias, a CNT destaca que a participação do capital privado apresenta elevada eficiência para compensar a lacuna de recursos. Em exercício comparativo, a entidade observa que um aporte inicial de R$ 1,00 na infraestrutura rodoviária tem mais impacto imediato sobre o PIB do transporte quando o recurso provém do setor privado, gerando retorno de R$ 2,58. O valor é 4,2 vezes maior que os R$ 0,61 associados ao mesmo investimento público federal, embora a entidade ressalte que o avanço do capital privado deve ocorrer de forma complementar à atuação do Estado.
De acordo com a entidade, a diferença sugere maior capacidade de alocação eficiente, execução mais célere das obras e ativação mais direta da cadeia produtiva vinculada às rodovias, ampliando de forma mais rápida os efeitos multiplicadores sobre renda e emprego.
Para 2026, a CNT projeta um crescimento de 1,28% no PIB e expansão entre 0,37% e 0,97% para o PIB do transporte, armazenagem e correio.