
A ABOL avalia que a recente alta do diesel, somada às tensões geopolíticas internacionais, reforça a necessidade de acelerar o debate sobre multimodalidade e transição energética no setor logístico brasileiro.
Segundo a diretora executiva da entidade, Marcella Cunha, o cenário evidencia a dependência do diesel em diferentes modais de transporte e aumenta a pressão por alternativas energéticas, como biometano, GNV, eletrificação e etanol. “Sabemos que o diesel é um insumo transversal, presente em diferentes modais, como o rodoviário, a cabotagem e a ferrovia, além de compor o querosene de aviação”, afirma.
A executiva destaca que a multimodalidade precisa ser tratada como política pública estruturante, envolvendo investimentos em infraestrutura, integração operacional entre modais e desenvolvimento de novas tecnologias e combustíveis.
De acordo com a ABOL, o custo do diesel representa atualmente cerca de 40% das despesas dos operadores logísticos, o que amplia os impactos das oscilações internacionais sobre contratos e operações.
Marcella também cita a Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, como um dos principais instrumentos para estimular investimentos em fontes mais sustentáveis e reduzir a dependência de combustíveis fósseis no transporte. “O objetivo era estimular a produção e a expansão de outras fontes mais sustentáveis”, afirma.
A entidade avalia ainda que o avanço da transição energética depende da articulação entre operadores logísticos, indústria automotiva, fornecedores de combustível e órgãos reguladores.
Segundo a diretora da ABOL, o biometano aparece como uma das alternativas mais promissoras para determinadas operações logísticas, embora a adoção ainda enfrente desafios ligados à infraestrutura de abastecimento e exigências regulatórias.
A associação também aponta que projetos já em andamento no agronegócio mostram um movimento gradual de busca por maior autonomia energética nas operações logísticas.