
Operadores logísticos com faturamento anual superior a R$ 750 milhões deverão investir, individualmente, cerca de R$ 500 milhões na região Sudeste até 2030. A estimativa foi divulgada pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) e considera empresas associadas que atuam em operações portuárias e aeroportuárias.
Segundo a entidade, os aportes serão direcionados principalmente para ampliação de armazéns, modernização de pátios, aquisição de equipamentos, expansão de frotas, implantação de sistemas operacionais, tecnologias baseadas em inteligência artificial e machine learning, além de investimentos em terminais portuários, aeroportuários, Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIAs) e relocalização de unidades alfandegadas.
De acordo com a ABOL, os investimentos refletem a necessidade de ampliar a capacidade operacional diante das limitações de infraestrutura existentes, especialmente nos acessos aos principais corredores logísticos do país.
“O principal gargalo continua sendo a multimodalidade. Os operadores precisam investir continuamente para compensar ineficiências e garantir os níveis de serviço exigidos pelos clientes”, afirmou Ricardo Buteri, presidente do Conselho Deliberativo da ABOL e Chief Logistics Officer (CLO) da Santos Brasil, durante o Fórum Santos Export 2026.
Multimodalidade e acesso ao Porto de Santos
Durante o evento, executivos do setor defenderam a ampliação da participação ferroviária no escoamento de cargas com destino ao Porto de Santos (SP), considerado o principal corredor portuário do país.
Segundo Buteri, embora o transporte rodoviário continue desempenhando papel fundamental nas operações portuárias, o avanço da ferrovia é considerado essencial para sustentar o crescimento da movimentação de cargas nos próximos anos.
A necessidade de investimentos também foi destacada por Djalma Vilela, presidente da Multilog e conselheiro da ABOL. Segundo ele, a empresa está executando um ciclo de investimentos de R$ 1 bilhão ao longo de dois anos para ampliar em 30% sua capacidade de recebimento de cargas.
“Não adianta crescer nas retroáreas se não houver condições para que a carga chegue aos terminais. A carga segue a facilidade”, afirmou o executivo, citando como prioritárias as melhorias nos acessos rodoviários às margens direita e esquerda do Porto de Santos.
Representantes de terminais portuários também reforçaram a necessidade de acelerar projetos de infraestrutura e integração modal. Para Fábio Siccherino, CEO da DP World Brasil, o Porto de Santos precisa ampliar investimentos para garantir maior previsibilidade e competitividade no comércio exterior. Já Antonio Carlos Sepúlveda, CEO da Santos Brasil, afirmou que a expansão da participação ferroviária é fundamental para o futuro do complexo portuário.
Segundo a ABOL, os investimentos previstos pelos operadores logísticos nos próximos anos refletem a necessidade de ampliar capacidade, eficiência e resiliência em uma região que concentra parte significativa das operações de comércio exterior e distribuição de cargas do país.