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JSL reduz emissões pelo 5º ano seguido em setor que lidera poluição no transporte

Operadora logística registra cinco anos consecutivos de queda na intensidade de emissões e amplia uso de biometano, telemetria e frota Euro 6
Por Redação em 27 de fevereiro de 2026 às 7h25
JSL reduz emissões pelo 5º ano seguido em setor que lidera poluição no transporte
Foto: Reprodução/Freepik
Foto: Reprodução/Freepik

O transporte rodoviário concentra 93% das emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes no Brasil, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa. Dentro desse cenário, a JSL tem estruturado uma estratégia baseada em eficiência operacional, renovação de frota e adoção gradual de combustíveis alternativos para reduzir seu impacto ambiental.

A carga rodoviária responde por quase metade das emissões do transporte no país, estimadas entre 110 milhões e 120 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano. O setor de transportes representa cerca de 11% das emissões totais brasileiras. Apesar da relevância ambiental, o modal permanece como principal eixo logístico nacional por sua capilaridade e capacidade de acesso a regiões remotas.

De acordo com Gustavo Brito, gerente de Sustentabilidade da JSL, a principal alavanca de descarbonização da empresa é operacional. A companhia atua em todos os estados brasileiros e em outros seis países, atendendo cerca de 20 setores da economia. Segundo o executivo, a redução de consumo de combustível, de viagens e do número de veículos em circulação gera impacto direto nas emissões.

A idade média da frota da empresa é de 3,5 anos, inferior à média de mercado, que supera 13 anos. Veículos mais novos apresentam maior eficiência energética e menor emissão de poluentes. A companhia também utiliza sistemas de telemetria para monitorar o comportamento dos motoristas em tempo real, identificando padrões que elevam o consumo de diesel.

Em 2024, a empresa estruturou um projeto específico de redução de consumo de combustível, com análises individuais de desempenho, treinamentos e bonificação atrelada a metas de eficiência.

Aumento de carga e novos combustíveis

Entre as iniciativas operacionais, a JSL adotou o modelo de hexatrem no transporte de madeira, substituindo o bitrem convencional em determinadas rotas. O veículo, com 52 metros de comprimento, permite transportar até 250 toneladas por viagem. A ampliação de capacidade reduz o número de viagens necessárias e evita cerca de 8 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano, segundo estimativas da empresa.

A companhia também iniciou projeto com caminhões movidos a biometano no estado do Rio de Janeiro, abastecidos em usina dedicada. O uso de veículos a gás natural e elétricos foi ampliado em rotas curtas e operações urbanas, onde a viabilidade operacional é maior.

Outra medida foi a incorporação de veículos com tecnologia Euro 6, padrão europeu de controle de emissões. O sistema utiliza recursos como Redução Catalítica Seletiva (SCR) e Filtro de Partículas Diesel (DPF) para diminuir a emissão de óxidos de nitrogênio e material particulado.

Redução acumulada de emissões

Em 2024, a JSL registrou a quinta redução consecutiva na intensidade de emissões de gases de efeito estufa. A queda foi de 6,2% em relação a 2023 e de 24,5% no acumulado dos últimos quatro anos, considerando emissões dos Escopos 1 e 2 e categorias relevantes do Escopo 3 em relação à receita líquida.

A meta está alinhada ao compromisso da SIMPAR, controladora da JSL, que prevê redução de 15% na intensidade de emissões até 2030. O objetivo está vinculado a um Sustainability-Linked Bond, instrumento financeiro que pode alterar a taxa de juros caso as metas não sejam atingidas.

Desafios estruturais

Segundo Brito, o principal obstáculo para a transição energética no transporte pesado é estrutural. O setor depende majoritariamente do diesel, enquanto alternativas de menor emissão apresentam custo elevado, disponibilidade restrita e infraestrutura de abastecimento limitada.

Há ainda desafios contratuais. Em operações dedicadas de longo prazo, a adoção de tecnologias de menor emissão exige investimentos adicionais que precisam ser compartilhados com clientes para viabilizar a implementação.

Para ampliar a transição, a empresa aponta três frentes prioritárias: expansão da infraestrutura de combustíveis alternativos, criação de incentivos públicos e linhas de financiamento e avanço tecnológico dos veículos pesados. Parcerias entre operadores logísticos, embarcadores e fornecedores também são consideradas essenciais para viabilizar projetos-piloto e contratos de longo prazo.

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