
O hidrogênio verde deve atrair mais de R$ 108 bilhões em investimentos no Brasil até 2029, de acordo com a projeção da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV). A produção em larga escala do combustível ainda depende da maturação de projetos, da construção de infraestrutura e do fechamento de contratos de compra, segundo a entidade, mas aplicações pontuais já avaliam que o hidrogênio pode ser incorporado a setores considerados de difícil descarbonização, como o transporte marítimo.
Um dos primeiros experimentos do país com o hidrogênio verde em condições reais de navegação é o JAQ H1, embarcação de 36 metros que integra o projeto JAQ Hidrogênio Verde, idealizado pelo presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik. O navio foi apresentado pela primeira vez durante a COP30, em Belém, como um laboratório flutuante, e atualmente chegou na fase de testes de motorização com hidrogênio em Santa Catarina.
"Queremos gerar conhecimento, reunir dados e mostrar, na prática, como o hidrogênio pode ser incorporado à navegação brasileira. É um caminho que não acontece de um dia para o outro, mas que precisa começar agora para que o setor esteja preparado para as próximas décadas", afirma Ernani.
Nova configuração pode reduzir emissões de CO2 em até 80%
Durnate a apresentação do JAQ H1 na COP30, em novembro de 2025, o hidrogênio alimentava sistemas como ar-condicionado, iluminação, televisores e micro-ondas. Agora, o projeto avança para uma nova fase, com a aplicação do combustível na motorização da embarcação.
Para isso, o JAQ H1 utiliza motores dual-fuel da fabricante alemã MAN, preparados para operar com uma mistura de 20% de hidrogênio e 80% de diesel. De acordo com Paciornik, essa configuração pode reduzir em até 80% as emissões de dióxido de carbono.
Próximo passo do projeto inclui produção de hidrogênio a bordo
Além do JAQ H1, o projeto já avança para uma segunda embarcação, o JAQ H2. Com 50 metros de comprimento, o barco tem previsão de iniciar sua etapa de adaptação tecnológica em 2027, com prazo estimado de 18 meses de obras. O projeto JAQ Hidrogênio Verde prevê, ao todo, investimento privado estimado em R$ 150 milhões.
O principal diferencial do JAQ H2 estará na capacidade de produzir o próprio hidrogênio a bordo. O projeto prevê a instalação de um eletrolisador que utilizará água do mar dessalinizada, com apoio de fontes renováveis de energia disponíveis na própria embarcação.
Segundo o Grupo Náutica, a expectativa é que o JAQ H2 se torne o primeiro barco do mundo capaz de gerar seu próprio hidrogênio verde, o que reduziria a dependência de infraestrutura externa de abastecimento.