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Demanda global de carga aérea alcança recorde histórico em 2025

Crescimento dos volumes reforça papel do modal aéreo na logística internacional em meio a mudanças nos fluxos comerciais
Por Redação em 3 de fevereiro de 2026 às 7h39
Demanda global de carga aérea alcança recorde histórico em 2025
Foto: Reprodução/Freepik
Foto: Reprodução/Freepik

A demanda global por carga aérea atingiu um volume recorde em 2025, com crescimento de 3,4% em relação a 2024, segundo dados divulgados em 30 de janeiro de 2026 pela Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA), em Genebra. O resultado, medido em toneladas-quilômetro de carga (CTK), reflete a consolidação do modal aéreo como componente estratégico das cadeias logísticas globais, especialmente diante de ajustes nos fluxos comerciais e de um ambiente geopolítico marcado por incertezas.

No mesmo período, a capacidade global de carga aérea, medida em toneladas-quilômetro disponíveis (ACTK), aumentou 3,7% na comparação anual. Nas operações internacionais, o crescimento foi mais intenso, com alta de 4,2% na demanda e de 5,1% na capacidade. O desempenho indica um movimento de reequilíbrio entre oferta e demanda após os picos registrados durante e após a pandemia.

O mês de dezembro de 2025 confirmou a tendência observada ao longo do ano. A demanda global ficou 4,3% acima dos níveis de dezembro de 2024, enquanto a capacidade avançou 4,5% no mesmo intervalo. No segmento internacional, as altas foram de 5,5% na demanda e 6,4% na capacidade, encerrando o ano com volumes elevados e sustentando a atividade logística aérea no período de maior movimento sazonal.

A IATA também informou que os yields médios da carga aérea recuaram 1,5% em 2025 frente ao ano anterior. Trata-se da menor queda observada nos últimos três anos, à medida que o mercado se aproxima de um patamar mais estável entre oferta e demanda. Mesmo com a redução, os rendimentos permanecem 37,2% acima dos níveis registrados em 2019, antes da pandemia, indicando que o setor ainda opera em um patamar superior ao histórico.

De acordo com a associação, o desempenho da carga aérea em 2025 foi impulsionado principalmente pelo crescimento do comércio eletrônico global e pela necessidade de maior agilidade nas cadeias de suprimentos. O setor respondeu a mudanças nas políticas comerciais, como o aumento de tarifas e a revisão de isenções nos Estados Unidos, além da antecipação de embarques por parte de empresas que buscaram mitigar riscos regulatórios e logísticos.

No ambiente operacional, o comércio global de mercadorias cresceu 2,5% em 2024 e acelerou em 2025. Entre janeiro e novembro, o índice de comércio internacional avançou 4,4%, ante 2,4% no mesmo período do ano anterior. Os preços do combustível de aviação registraram queda média de 9,1% em 2025 em relação a 2024, embora margens mais elevadas de refino tenham limitado o impacto positivo para as companhias aéreas.

Indicadores da indústria também influenciaram o desempenho do setor. O sentimento da manufatura global atingiu 50,9 pontos em dezembro, sinalizando estabilidade, enquanto os novos pedidos de exportação permaneceram abaixo do nível de expansão, refletindo cautela das empresas diante do cenário tarifário e geopolítico.

Na análise regional, as companhias aéreas da Ásia-Pacífico lideraram o crescimento da demanda em 2025, com alta de 8,4% em relação a 2024, acompanhada por um aumento de 7,4% na capacidade. Em dezembro, a demanda na região avançou 9,4%. O desempenho reflete a reorganização das cadeias produtivas asiáticas e o fortalecimento dos fluxos intrarregionais e com a Europa.

As transportadoras europeias registraram crescimento anual de 2,9% na demanda e de 3,1% na capacidade. Em dezembro, a alta da demanda foi de 4,9%. No Oriente Médio, a demanda avançou 0,3% em 2025, enquanto a capacidade cresceu 4,5%, evidenciando ajustes de oferta em hubs logísticos da região.

A América do Norte apresentou retração de 1,3% na demanda anual, sendo a única região com desempenho negativo em 2025. A capacidade também recuou 1,1%. Em dezembro, a queda da demanda foi de 2,2%. Já a América Latina e o Caribe registraram crescimento anual de 2,3% na demanda, embora dezembro tenha apresentado recuo de 4,1%. A África encerrou o ano com alta de 6,0% na demanda e destacou-se em dezembro, com crescimento de 10,1%.

Os dados de rotas comerciais indicam uma mudança relevante nos fluxos globais de carga aérea. Em 2025, houve deslocamento da rota Ásia–América do Norte para a rota Ásia–Europa, influenciado por pressões tarifárias e alterações regulatórias nos Estados Unidos. Os corredores intra-Ásia e Oriente Médio–Ásia também apresentaram crescimento, reforçando a importância de hubs regionais na reorganização logística global.

Para 2026, a IATA projeta uma moderação no crescimento da demanda global de carga aérea para cerca de 2,4%, em linha com médias históricas. A associação avalia que o desempenho continuará condicionado a fatores comerciais e geopolíticos, mas destaca que a dependência do transporte aéreo para a manutenção das cadeias globais de suprimentos tende a permanecer. Nesse contexto, as companhias aéreas seguem ajustando capacidade e redes de rotas para garantir flexibilidade e atender às exigências logísticas de um comércio internacional em transformação.

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