
A Ferrovia Transnordestina realizou, no domingo (11/01), seu segundo teste de transporte de carga, transportando 20 vagões carregados com 946 toneladas de sorgo pelo percurso de 585 km entre Bela Vista do Piauí (PI) e o Terminal Integrador de Iguatu (TIPI), no Ceará.
Neste primeiro período de testes, estão sendo transportadas cargas como soja, milho, farelo de soja e calcário. Além do teste com sorgo no domingo, já foi feito o mesmo percurso carregando mil toneladas de milho em 18 de dezembro. O trajeto levou cerca de 16 horas e 34 minutos.
Em operação desde dezembro de 2025, a ferrovia já alcançou 76% de avanço físico, com seis lotes em construção e os últimos dois lotes, o 9 e o 10, contratados recentemente. A expectativa do governo federal é que a obra seja concluída até 2028 e a primeira fase esteja 100% operacional em 2027.
Integração regional
De acordo com o secretário de Fundos e Instrumentos Financeiros do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Eduardo Tavares, a finalização dos 1.061 km da primeira fase possibilitará a conexão com outras ferrovias. "A partir do momento que essa ferrovia chegar ao Porto do Pecém, ela ganhará uma nova escala, e, inclusive, mais oportunidades para viabilizarmos outras expansões — como é o caso do Porto de Suape, em Pernambuco, e uma interligação com a Ferrovia Norte-Sul", exemplificou.
Um dos diferenciais estratégicos da Transnordestina são seus terminais. Ao todo, serão seis terminais logísticos construídos pela concessionária ao longo dos 1.750 km da ferrovia. O Terminal Intermodal do Piauí (PI) e o Terminal Logístico de Iguatu (CE) já foram iniciados, e os demais ainda terão a localização definida.
20 anos de espera
A Ferrovia Transnordestina foi anunciada em 2006, há quase 20 anos, durante o primeiro mandato do presidente Lula. Inicialmente previsto para 2010, o projeto sofreu uma série de adiamentos e alterações no orçamento original de R$ 4,5 bilhões. Em 2016, apenas 600 km dos 1.753 km originais haviam sido construídos.
Deixada para escanteio nos mandatos seguintes após entraves, revisões contratuais e dificuldade de financiamento, a ferrovia recebeu novos investimentos mais recentemente, na atual gestão. Desde 2023, os recursos para financiamento da Transnordestina são captados pela Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros (SNFI) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Até o momento, os investimentos do FDNE na ferrovia ultrapassaram R$ 5,3 bilhões. A conclusão de 19 estações da ferrovia, interligando os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, será viabilizada com o investimento total de R$ 15 bilhões, dos quais R$ 4,4 bilhões são de contribuição do Governo Federal.
Um montante de R$ 3,6 bilhões, proveniente do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), faz parte de um termo aditivo assinado no ano passado, que estabeleceu desembolsos de até R$ 1 bilhão até 2027, quando a primeira fase deve ser concluída.
A Ferrovia Transnordestina é considerada um dos principais projetos estruturantes do Nordeste brasileiro. Seu traçado foi concebido para integrar áreas produtoras do interior aos portos do litoral, reduzindo custos logísticos, ampliando a competitividade das cadeias produtivas e estimulando o desenvolvimento regional.
Além do impacto direto sobre o escoamento de grãos e outras commodities, a ferrovia é apontada como vetor de geração de emprego e renda, fortalecimento da infraestrutura de transporte e redução das desigualdades regionais, ao conectar áreas historicamente afastadas dos grandes eixos logísticos do país.
Para o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Francisco Alexandre, a liberação recente consolida uma mudança de patamar do projeto. Segundo ele, a ferrovia "deixou de ser uma promessa de longo prazo para se afirmar como uma realidade operacional", ressaltando o impacto logístico e econômico esperado para a região.
Execução contratada e ligação com o Porto de Pecém