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Impasse no setor ferroviário

Por Redação em 24 de setembro de 2003 às 14h29 (atualizado em 04/05/2011 às 17h14)

O setor ferroviário passa por um período de renascimento, haja vista a criação de uma Câmara Setorial que congrega entidades do setor e indústria e a retomada da produção. E se a indústria setorial diz estar preparada para atender à demanda do mercado interno, fica a pergunta: Por que as operadoras vão buscar no exterior o que poderiam conseguir aqui?

Para esclarecer o assunto, o presidente do Simefre, José Antonio Fernandes Martins, afirma que a indústria ferroviária brasileira está sim preparada para atender a demanda. O problema é que não há pedidos. Desde o mês de julho, foram quatro reuniões onde indústria e operadoras negociaram pedidos. Segundo os empresários, a indústria fez ao todo quatro propostas de atendimento e programação de entrega de vagões. As operadoras nunca responderam à essas propostas.

"Agora, algumas empresas estão usando falsos argumentos para importar vagões e exigir isenção fiscal", protesta Massimo Andrea Giavina-Bianchi, da Fiesp – Federação das Indústria do Estado de São Paulo. O diretor do departamento de Infra-Estrutura Industrial do órgão informa que o vagão chinês, por exemplo, sai em média 20% a 30% mais caro que o brasileiro.

Segundo ele, as operadoras tem uma "visão imediatista, operam com prazos de entrega para pressionar o governo a dar isenção, com a desculpa de que não respeitamos os prazos". Para o presidente do Simefre, importar sem pagar impostos "é um absurdo, um crime contra a indústria nacional".

Prioridade ao nacional - Qualquer encomenda no exterior de um bem fabricado no Brasil prejudica a geração de empregos, não agrega valor. Partindo dessa premissa, empresários e entidades criticaram as operadoras que tem feito no exterior encomendas de bens produzidos no Brasil e procuram a isenção de impostos de importação.

"A Fiesp concorda que isso é um dano para o país. Onera a balança comercial e não gera empregos", ressaltou Massimo Andrea. Já o presidente do Simefre informa que a indústria tem capacidade para produzir de cinco a sete mil vagões por ano, e isso para 2004, sem dificuldades, desde que haja encomendas feitas. Há três meses a indústria aguarda a programação das operadoras, mas até agora não houve manifestação alguma.

A reunião do dia 19 de setembro marcada com o Ministério dos Transportes foi adiada sem definição de nova data. Enquanto isso, prossegue o impasse entre a indústria e as operadoras. De um lado, um setor que se diz preparado para atender as necessidades da indústria; de outro, operadoras, importadoras de peças, pivô das discussões.

Em carta enviada no dia 20 de agosto ao Ministro dos Transportes Anderson Adauto, pela Abifer e o Simefre, as entidades ressaltaram a importância da previsão de encomendas de vagões e componentes com maior antecedência; maior prazo de financiamento e carência no Finame; incentivo a formação de frotas próprias e a criação de firmas para locação de vagões.

Também consta na carta que a indústria aguarda a convocação da Brasil Ferrovias quanto à solicitação de 1.100 vagões hoppers (a empresa ainda não se manifestou); venda de vagões no mercado interno equiparado à exportação e equação da garantia para as concessionárias em função de não possuírem patrimônio próprio.

Simefre: (11) 289- 9166
www.simefre.org.br

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