
O Porto de Santos (SP) recebeu, no dia 12 deste mês de julho, o primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol realizado no Brasil. A operação envolveu o CMA CGM IRON, embarcação de 13 mil TEUs equipada com motor tricombustível certificado, e foi conduzida em parceria entre CMA CGM, Copersucar, Bunker One, Santos Brasil, AGEO Terminais e Everllence.
O abastecimento posiciona o Brasil entre os países aptos a realizar esse tipo de operação e reforça o potencial do etanol como alternativa para a descarbonização do transporte marítimo. O combustível utilizado foi fornecido pela Copersucar, cuja cadeia de produção atende critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo programa RenovaBio.
A operação exigiu a integração de diferentes agentes da cadeia logística, desde o transporte e armazenagem do etanol até sua transferência para o navio por meio de uma barcaça especializada, seguindo padrões internacionais de segurança. A iniciativa também contou com o apoio de órgãos reguladores e autoridades portuárias para viabilizar a operação.
Segundo Christine Cabau Woehrel, vice-presidente executiva de Ativos e Operações da CMA CGM, a certificação do primeiro navio da companhia equipado com motor tricombustível representa um avanço tecnológico importante para ampliar o uso de combustíveis de menor intensidade de carbono na navegação. O CMA CGM IRON, entregue em 2025, é o primeiro de uma série de 12 navios de 13 mil TEUs equipados com motores capazes de operar com etanol, metanol e combustível convencional.
Para Tomás Manzano, presidente da Copersucar, a operação demonstra a capacidade de integrar produção, logística e mercado para viabilizar soluções bioenergéticas em escala. Já Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One, destaca que a iniciativa acompanha um movimento global de transição energética, impulsionado pelo crescimento da frota de navios preparados para utilizar combustíveis alternativos.
Além de marcar o início desse tipo de abastecimento no país, a operação reforça a estratégia da CMA CGM de ampliar o uso de combustíveis de baixo carbono. A companhia pretende operar cerca de 200 navios porta-contêineres aptos a utilizar energias alternativas até 2031 e considera o Porto de Santos um potencial hub sul-americano para abastecimento de combustíveis marítimos de baixa emissão, favorecido por sua infraestrutura e pela disponibilidade de biocombustíveis produzidos no Brasil.