
O transporte rodoviário de cargas encerrou o segundo semestre de 2025 com nível de confiança abaixo de 50% em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, segundo dados do Índice CNT de Confiança do Transportador. A sondagem mostra que o ambiente macroeconômico segue como fator central de pressão sobre a logística nacional, afetando decisões empresariais, planejamento operacional e expectativas do setor, ao mesmo tempo em que evidencia respostas baseadas em eficiência interna e reorganização das operações.
Os resultados indicam que, apesar do patamar reduzido de confiança, os empresários do transporte rodoviário de cargas adotaram medidas para manter a atividade logística em funcionamento, com foco na gestão, na racionalização de custos e na incorporação de tecnologia. As expectativas para os próximos seis meses, embora contidas, apresentam melhora em relação à percepção das condições atuais, sinalizando ajustes internos como principal vetor de sustentação do setor.
Em Santa Catarina, estado que participou pela primeira vez da pesquisa, o índice geral de confiança ficou em 38,7%. O resultado foi influenciado pela avaliação negativa do ambiente econômico no momento da coleta dos dados. Ainda assim, a sondagem registrou expectativas menos pessimistas em relação ao futuro, associadas à adoção de ferramentas tecnológicas, à busca por maior eficiência operacional e à qualificação de equipes como estratégias para garantir a continuidade das operações logísticas.
Em São Paulo, principal polo do transporte rodoviário de cargas do país, o índice geral recuou de 45,9% para 45,3%, o menor nível desde o início da série, em 2023. A queda reflete a piora na percepção sobre as condições atuais da economia e dos negócios, com impactos diretos sobre o planejamento logístico e a contratação de serviços. Mesmo assim, as expectativas para o próximo semestre indicam que os empresários mantêm confiança na capacidade de gestão das empresas e na reorganização dos processos internos.
No Rio Grande do Sul, que possui a série histórica mais longa da pesquisa, o índice alcançou 46,7%, acima do registrado no semestre anterior, quando havia ficado em 41,4%. A elevação foi impulsionada pela melhora na avaliação das condições atuais e pelo avanço das expectativas, embora permaneçam desafios relacionados à infraestrutura rodoviária, aos custos operacionais e ao ambiente regulatório, fatores que afetam diretamente a eficiência da logística no estado.
No Rio de Janeiro, o índice geral de confiança ficou em 47,2%, com recuo em relação à rodada anterior. A sondagem aponta que a avaliação negativa das condições atuais está associada a juros elevados, aumento de custos, insegurança jurídica e questões ligadas à segurança pública, elementos que impactam o fluxo logístico e a previsibilidade das operações. Apesar disso, as expectativas para os próximos meses permaneceram ligeiramente acima de 50%, indicando confiança na organização interna das empresas.
De forma transversal, os dados coletados nos quatro estados mostram que a queda da confiança está ligada a fatores macroeconômicos e estruturais, como crédito com custo elevado, pressão sobre os custos operacionais, incertezas fiscais, limitações da infraestrutura rodoviária e insegurança jurídica. Ao mesmo tempo, a sondagem registra um movimento do setor em direção ao aumento da produtividade, à diversificação da base de clientes, ao uso mais intenso de tecnologia e ao controle rigoroso de despesas.
Segundo a CNT, os resultados refletem um ambiente econômico que influencia diretamente a percepção dos transportadores, mas também apontam para mudanças na forma como as empresas de logística lidam com cenários adversos. A expectativa positiva não decorre de uma melhora do contexto macroeconômico, mas da capacidade de adaptação desenvolvida ao longo dos últimos anos, com foco em eficiência operacional e gestão.
O Índice CNT de Confiança do Transportador é uma pesquisa periódica realizada com empresários do Transporte Rodoviário de Cargas e tem como finalidade acompanhar a percepção do setor sobre o ambiente econômico, oferecendo subsídios para análises técnicas, ações de representação institucional e apoio à tomada de decisão no segmento logístico.