Segunda-feira, 10 de junho de 2019 - 11h30
A importância dos custos logísticos na tomada de decisões estratégicas
Autoria de ALESSANDRO SCAPOL COMPATANGELO

Talvez você já tenha escutado o termo em inglês landed cost, que faz referência ao preço total de um produto, incluindo todos os custos incorridos até que o mesmo seja entregue ao seu comprador. Nesse valor estariam inclusos o transporte, taxas, custos alfandegários, seguro e embalagem, dentre outros.

Atualmente grande parte dos profissionais da área de suprimentos utiliza o landed cost para comparar proposta de fornecedores localizados em diferentes regiões e/ou países.

São várias as empresas que ainda se apoiam nesse tipo de análise para tomar decisões estratégicas de qual fornecedor contratar, sem se dar conta de que podem estar perdendo muito dinheiro por adotar uma metodologia incompleta. Apesar do landed cost ser, via de regra, a maior parcela no custo de aquisição, ele não leva em consideração de fato todos os custos. Outros componentes importantes, como o custo de oportunidade, custos transacionais, custos com treinamentos e inventários, acabam ficando de fora dessa análise.

A forma correta de se avaliar as propostas de fornecedores seria através da metodologia do total cost of ownership (TCO). Comprar produtos de fornecedores localizados em outros países, por exemplo, aumenta significativamente o lead. E sabemos que quanto maior o lead time maiores serão os estoques de segurança, implicando em aumento de custos com armazenagem, custo de oportunidade e até mesmo maior risco de obsolescência. Esses e outros custos não estão contemplados no landed cost, mas são considerados no TCO.

Vamos a um exemplo prático que ajuda a ilustrar o risco de se usar a metodologia errada para tomada de decisão. Imagine uma empresa Americana conduzindo uma análise para escolher seu fornecedor de tubos de cobre, para um contrato de longo prazo. Estão participando do processo de concorrência empresas localizadas no Brasil, Coreia, China e Estados Unidos. Na tabela 1 as informações que o profissional de Suprimentos usualmente considera para definir a empresa vencedora.

Tabela 1
Tabela 1

Nesse caso o profissional de Suprimentos provavelmente escolheria a empresa Chinesa, por aparentemente apresentar o menor custo (12% abaixo do fornecedor local). Importante aqui fazer uma ressalva. Boa parte dos profissionais de compras ainda usam essa forma de análise para justificar as contratações de fornecedores e, o pior, reportar os ganhos da área.

Empresas que trabalham com as áreas de Supply Chain totalmente integradas e que, principalmente, têm um bom sistema de comunicação, sabem que essa análise está incompleta e incluem outros custos relevantes na logística inbound. Apenas para citar alguns deles, o custo da equipe logística (gasta-se mais tempo fazendo importações do que comprando do mercado local), custo com recebimento (concentração de funcionários e maquinas para recebimento de lotes maiores e esporádicos X melhor distribuição de trabalho com lotes menores e mais frequente) e custo de estoque (custo de oportunidade – dinheiro em estoque que poderia estar sendo usado em projetos da empresa).

Adicionando esses custos na mesma planilha, nos deparamos com o cenário representado na tabela 2.

Tabela 2
Tabela 2

Ao considerar a metodologia do TCO, note que o resultado é completamente diferente. Nesse caso a aquisição do material no mercado local apresenta ser a melhor alternativa econômica, ficando 15,1% abaixo do custo total da aquisição do fornecedor chinês.

Infelizmente são poucas as empresas que utilizam de forma completa a metodologia do TCO. Algumas não usam por falta de conhecimento e outras até conhecem, mas alegam dificuldades na estimativa de alguns gastos. Aqui entra o papel do profissional de logística. Cabe a ele sensibilizar a alta direção sobre a importância de se avaliar todos os custos logísticos, incluindo armazenagem, e que vão muito além daqueles tradicionalmente conhecidos pelas equipes de compras. O profissional de logística precisa também ter pleno domínio dos custos envolvidos em cada um dos cenários e repassá-los para a área de contratações.

Independente do motivo que leva as empresas a não usarem o TCO, o resultado é o mesmo: acabam tomando decisões estratégicas baseadas em metodologias que não refletem o custo total e consequentemente impactando de forma negativa o seu resultado financeiro.