Segunda-feira, 25 de outubro de 2021 - 11h10
Uma percepção sobre o setor logístico
Autoria de ANDRÉ PRADO

Após mais de um ano de pandemia, é notório que a economia e os costumes sociais mudaram e hábitos que antes eram quase automáticos, tiveram que ser transformados. Diante de uma crise humanitária que não víamos há tempos, a sociedade precisou se adequar a novas formas de interagir com relação aos efeitos econômicos e sociais deste novo cenário.

Neste contexto, durante o período de pandemia, muitos setores passaram por adversidades e reestruturações, gerando a diminuição de produção ou tendo que se adequar a novos modelos. Entretanto, no setor logístico, a realidade foi ainda mais transformacional: os consumidores passaram a comprar mais online e o setor teve que se adaptar a esse novo padrão de consumo. O setor de comércio eletrônico que já vinha em constante crescimento, tornou-se mais estratégico e soluções multicanal tiveram que ser criadas rapidamente.

De acordo com relatório da EBIT, o e-commerce no Brasil atingiu R$ 53,4 bilhões somente no primeiro semestre de 2021, um crescimento de 31% em comparação ao mesmo período do ano anterior, o que mostra que mesmo após a abertura do comércio presencial, os consumidores ainda estão optando por fazer suas compras online. Esses números são vantajosos para comércios que decidem manter tanto lojas físicas para consumidores que não abrem mão das compras presenciais, quanto para os que optam pela agilidade de fazer compras via internet.

Tal transformação acabou impactando positiva e diretamente o setor logístico, que precisou atender a alta demanda de número de pedidos em vários canais de entrega. Segundo o Índice de Movimentação de Cargas do Brasil, realizado pela AT&M, o Brasil apresentou um aumento de 38% em movimentação de carga no primeiro trimestre de 2021. O setor precisou passar por uma reestruturação para conseguir atender a todas as solicitações durante o período de quarentena com o número maior de restrições operacionais, mas agora já é possível ver o cenário totalmente positivo.

Com o crescimento dessa demanda, o segmento logístico precisou se adequar incluindo novos modelos de operação, que agora precisam estar conectados a complexidade das novas cadeias logísticas multicanal e devem ser mais ágeis e confiáveis. Além dessa adequação, também foi necessária a atenção em outros pontos fundamentais, como a utilização de tecnologia como aliada nos novos processos de controle e aumento da eficiência da gestão de ativos existentes e modelos matemáticos baseados em pesquisa operacional que buscam a solução ótima para aquele problema logístico.

Neste sentido, alterar os processos para atender à expansão dos tipos serviços, ampliação de segmentos de atendimento e canais de venda e das regiões atendidas, estão sendo cruciais para que as novas demandas de mercado sejam atendidas. Mas temos que salientar que, em todas essas mudanças, a opinião do consumidor final é imprescindível, afinal, há a busca por uma experiência bem-sucedida e completa, incluindo o transporte e o recebimento do produto, que será avaliada com base no ciclo completo de venda.

Por fim, é nítido que a logística se tornou parte fundamental da vida dos consumidores, visto que a facilidade em receber as compras no conforto de casa e confiar que serão entregues em perfeito estado tem sido fundamentais para sustentar esse novo modelo comercial. A transformação está acontecendo rápido, a cada dia aprendemos que podemos fazer mais coisas em menos tempo. Se, antes, era preciso ir a um local para realizarmos as compras, agora tudo está ao alcance em um clique, e nos empenhamos cada dia mais em realizar esse trabalho da melhor forma possível.

Compramos e pagamos praticamente qualquer produto em segundos e de qualquer lugar do mundo, as empresas distribuem por múltiplos canais e conectar esses pontos, em muitos casos, é um desafio gigante. O papel do operador logístico é cada dia mais complexo, exigindo a capacidade de oferecer diferentes serviços de forma integrada, criar soluções inovadoras e investir em qualidade e tecnologia. Nesse contexto, os operadores logísticos precisam se estruturar cada vez mais para serem capazes de atender a todas estas demandas e, naturalmente, os operadores mais estruturados e com capacidade de investimentos estarão em vantagem. Esse desafio está nas mãos dos profissionais de logística que serão os responsáveis por viabilizar este novo modelo econômico global.

André Prado, CEO da BBM Logística