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Quarta-feira, 17 de junho de 2020 - 10h01
Paragon e a logística ideal para o combate ao coronavírus
Modelo matemático criado pela empresa traça o melhor cenário para a distribuição de equipamentos de proteção individual para equipes de todos os hospitais do país

Em função da pandemia da Covid-19, o Ministério da Infraestrutura procurou a Paragon Decision Science, empresa que desenvolve ferramentas a fim de facilitar decisões em ambientes de negócios complexos, com um grande desafio: calcular a quantidade ideal de equipamentos de proteção individual (EPIs) que as equipes médicas que trabalham em unidades de tratamento intensivo (UTIs) precisariam para enfrentar a doença em todos os hospitais públicos e privados do Brasil.

O governo federal precisava não só descobrir quantos equipamentos eram necessários, mas também como realizar a distribuição nos hospitais de todo o país em tempo recorde, para que não faltassem máscaras, luvas e outros itens essenciais para a proteção dos profissionais de saúde. Assim, o desafio incluía a proposta de uma logística ideal para entrega e adequação dos estoques por um período de 60 dias.

Para atender a essa demanda, Luiz Augusto Franzese, CEO da Paragon, explica que correu atrás de todos os dados necessários, como o número de hospitais com que o Brasil conta, quais são os itens essenciais de proteção e também como entregar esse conjunto de materiais em todos os cantos do país. Para isso, foi criado um simulador que rodou diversos cenários até chegar a um modelo ideal. “Não foi nada fácil, mas conseguimos disponibilizar ao ministério qual era a quantidade ideal de equipamentos necessários para proteger as equipes e como fazer isso chegar a todos os hospitais rapidamente”, conta o executivo.

O trabalho foi realizado pela Paragon sem qualquer custo, o estudo ficou pronto em meados de maio e o simulador foi doado ao governo, a quem caberia colocar em prática a proposta apresentada.

Franzese, CEO da Paragon

De acordo com Franzese, o estudo fez com que a empresa se deparasse com números impressionantes. Ele mostrou, por exemplo, que para apenas um leito de UTI são necessários 96 aventais descartáveis por dia. O executivo destaca que quem o ajudou a fazer essa conta foi a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), que calculou o tamanho da equipe médica necessária para uma UTI e quantas vezes ela precisa entrar e sair do leito em um só dia. “Toda vez que um auxiliar de enfermagem sai de um leito para outro ele precisa trocar de avental”, conta.

Ao todo, foram listados oito EPIs essenciais às equipes médicas: álcool etílico, álcool em gel, avental descartável, luva não cirúrgica, máscara cirúrgica, máscara N95/PFF2, propé (protetor para os sapatos) e touca hospitalar. “O dimensionamento serviu não somente para leitos de UTI, mas também para leitos de enfermaria, ou seja, para o hospital como um todo, já que todos os profissionais de saúde – como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas etc. – usam os EPIs”, destaca Franzese.

Em termos logísticos, foi traçado um cenário de distribuição multimodal, que envolve o uso de aviões e caminhões, com o tipo de transporte variando conforme o tamanho da carga transportada. O estudo estabeleceu 47 centros de distribuição para os materiais em todo o país, tendo Guarulhos (SP) como centro nacional de abastecimento. “A partir dali você abasteceria o Brasil inteiro ou por avião ou por caminhão, ou com o avião somado ao caminhão”, explica o executivo.

Para chegar a essa solução, a Paragon contou com a ajuda do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pois era necessário contar com inúmeros dados atualizados, envolvendo os voos regulares em operação no país, por exemplo, e até mesmo a capacidade das aeronaves.

Depois de entregar o simulador, a Paragon realizou também o treinamento de diversos funcionários do governo federal, de diferentes ministérios, para que pudessem utilizar a tecnologia.

Em agradecimento ao trabalho prestado, a empresa recebeu um oficio do Ministério da Infraestrutura com cumprimentos pela excelência dos serviços. “É sabido que em tempos de crise e em situações de emergência nacional são necessárias ações rápidas por parte do poder público para a garantia do bem-estar social. No cenário de calamidade instaurado pelo novo coronavírus, a Paragon se dispôs a atuar no desenvolvimento de uma ferramenta de modelagem da distribuição de EPIs para os hospitais que atuam no enfrentamento da doença. Nesse contexto, merecem destaque o compromisso demonstrado pela empresa para com a sociedade brasileira, a excelência técnica, o caráter inovador do produto desenvolvido e a celeridade e disponibilidade dos colaboradores envolvidos no atendimento das demandas do Ministério da lnfraestrutura”, diz o ofício.

Fernando Fischer