Quinta-feira, 27 de abril de 2006 - 17h24
Porto de Santos terá novo Terminal de Exportação de Veículos

Construção do TEV é resultado da pressão das montadoras

Com a presença de autoridades da Companhia Docas de São Paulo (Codesp), diretores da Santos Brasil e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foi apresentado ontem o Terminal de Exportação de Veículos (TEV). O terminal fica na margem esquerda do Porto de Santos e terá capacidade estática para dez mil veículos, podendo movimentar mais de 200 mil unidades por ano.

Para Wady Jasmin, presidente da Santos Brasil, que investiu R$ 40 milhões na construção do TEV, a obra era extremamente necessária. “O TEV não era só correto, mas inadiável”, disse. Pela Anfavea, estava presente Richard Schues, diretor da Comissão de Logística e também diretor da Volkswagen. “Em 2004, o Brasil exportou 240 mil veículos pelo Porto de Santos, mas metade disso em situação caótica”, disse ele, lembrando que o terminal da Deicmar, na margem direita do porto, não tinha capacidade para atender ao aumento das exportações. O resultado dessas dificuldades foi a queda para 210 mil unidades em 2005, pois a Volkswagen passou a embarcar muitos veículos por São Sebastião e a GM levou suas exportações para o Rio de Janeiro.

Com o TEV, a média de veículos embarcados por hora deve chegar a 220, o dobro da atual. As montadoras também vão ganhar em competitividade, pois o valor adicional por unidade para levar o carro a ser exportado para outro porto chegava a US$ 70.

A decisão de construir o TEV foi tomada graças à pressão da Anfavea e, principalmente, da Volkswagen. A montadora cogitou não instalar a linha de produção do Fox em São Paulo, pois o Porto de Santos não teria condições de suportar a crescente exportação. Pressionada, a Codesp buscou uma solução rápida. A Anfavea estabeleceu como prazo o final de 2004, mas o tempo não era suficiente para a licitação ser realizada. “Nós buscamos uma parceria e a Santos Brasil, vizinha da área escolhida, se ofereceu para construir o terminal”, explica Fabrizio Pierdomenico, diretor Comercial e de Desenvolvimento da Codesp. “Emitimos então um Termo de Permissão de Uso (TPU) para a área e abrimos a licitação logo em seguida”.

Com o TPU, instrumento jurídico antes usado apenas para pequenas áreas do porto, a Codesp atendeu às demandas da Anfavea e conseguiu ampliar o prazo até a metade de 2005, quando o TEV ficou pronto. A licitação ainda não terminou, mas quando o vencedor for conhecido, ele ressarcirá a Santos Brasil com valor corrigido pelo IGPM. Segundo Jasmin, a Santos ainda não sabe se vai participar da licitação, mas a obra permite que o Brasil atenda à demanda internacional. “O País não pode se dar ao luxo de não alcançar um mercado por falta de logística”, diz ele.

O TEV está instalado em uma área de 185.300 m2, sendo 19.874 de cais. Os primeiros embarques de veículos para exportação devem ser feitos em 16 de maio, com dois navios. Um é o Buenos Aires, da Grimaldi, com destino à Europa e carregamento de mil veículos. O outro é o Rio Bueno, da Mitsui, que levará 1,6 mil unidades para o México.

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