Quinta-feira, 15 de agosto de 2019 - 11h02
E-commerce e os desafios para se implantar uma estratégia logística integral
Estudo da DHL aponta a importância de colocar as expectativas dos clientes como o centro de qualquer planejamento

A DHL divulgou, na última terça-feira, 13 de agosto, o relatório sobre a evolução da cadeia de suprimentos no setor de e-commerce. O estudo, intitulado The E-commerce Supply Chain: Overcoming Growing Pains, foi elaborado com base em uma pesquisa global com a participação de cerca de 900 diretores de logística e supply chain vinculados ao e-commerce. Os entrevistados atuam nos principais setores da indústria, incluindo varejo, bens de consumo, saúde, tecnologia, automotivo, engenharia e manufatura.

O estudo revelou que 70% das empresas B2C e 60% das empresas B2B ainda estão trabalhando para alcançar a implementação de uma estratégia de logística integral. Além disso, 70% dos pesquisados classificam o e-commerce como muito importante ou extremamente importante para seus negócios em termos de volume de vendas e receita. Descobriu, ainda, as principais barreiras para a implementação total de uma estratégia de logística, que incluem mudanças nas expectativas dos clientes, no ritmo de entrega e nas limitações da infraestrutura existente.

Segundo o Global e-Commerce Product lead da DHL Supply Chain, Nabil Malouli, o novo estudo mostra a importância crítica de colocar as expectativas dos clientes como o centro de qualquer estratégia de e-commerce. “A dificuldade é que, ao fazer isso, as empresas estão tentando alcançar um objetivo em constante mudança”, diz.

O executivo completa dizendo que o mercado chegou a um ponto em que as demandas dos clientes evoluem constantemente e as empresas estão sob enorme pressão para manter-se atualizadas. “Elas vivem um processo contínuo de adaptação de seus modelos de e-commerce para atender às constantes mudanças, o que se torna um verdadeiro desafio para alcançar a implementação integral de seus planos de e-commerce”, pontua.

A análise divulgada pela DHL também demonstra que o setor de supply chain deve continuar focando-se na satisfação dos consumidores, sendo ágil o suficiente para responder a novos modelos de negócios, a expectativas de serviço e às necessidades tecnológicas dos compradores a fim de reter os clientes existentes e atrair novos.

A evolução da demanda por e-commerce indica que, nos próximos três a cinco anos, mais de 50% das empresas farão algum tipo de mudança em sua estratégia de distribuição. Para lidar com essa pressão, muitas empresas estão optando por fazer parcerias com operadores logísticos independentes (3PL), com os quais conseguem aumentar seus recursos e suas capacidades internas a fim de escalar de forma rápida e eficaz e, dessa maneira, explorar todas as oportunidades oferecidas pelo e-commerce.

“O que as empresas precisam neste processo varia dependendo do ponto em que elas se encontram neste caminho, já que todas estão em diferentes estágios de implementação da estratégia de e-commerce”, afirma Malouli.

Esse cenário também se aplica aos principais países latino-americanos, principalmente Brasil, Colômbia, México, Chile e Argentina. Com diferentes taxas de crescimento e níveis de infraestrutura, os desafios são distintos. O Brasil, por exemplo, se encontra em um momento de grande transformação e desenvolvimento nesta área.

Para o CCO de Desenvolvimento de Negócios da DHL Supply Chain América Latina, Luiz Moreira, o mercado de e-commerce cresceu dois dígitos nos últimos anos e ainda tem muitas opções de expansão. “Tanto que muitas empresas, de diferentes segmentos e tamanhos, estão investindo fortemente nesta área e a logística tem que acompanhar esse desenvolvimento”, diz.

Ainda segundo Moreira, no e-commerce, o que aparenta ser simples, operacionalmente é desafiador. “Primeiro, há o desafio de mover o estoque de vários fornecedores para perto dos consumidores, mantendo uma enorme variedade de itens em estoque e atendendo a uma expectativa de agilidade que vira a questão central da logística para o comércio eletrônico. Ao mesmo tempo, esta demanda pode ser bastante volátil, requerendo habilidade para gerenciar picos de recursos humanos e transportes.”