Sexta-feira, 20 de setembro de 2019 - 12h17
Aliança comemora 20 anos apresentando inovações e soluções gerenciais
Companhia de cabotagem expande a malha, aposta na digitalização e cobra propostas governamentais para estimular a atividade

A Aliança Navegação e Logística está completando 20 anos de atuação no mercado de cabotagem e fez um balanço de suas atividades. Além disso, a Aliança aproveita a ocasião para cobrar ações governamentais que estimulem ainda mais a modalidade e apresenta novidades quanto à gestão do transporte.

Os números comprovam a eficácia e a importância da cabotagem. Desde 2008, a companhia estima que o modal cresceu a uma média de 10% ao ano. Em 2018, por exemplo, a Aliança rompeu a marca de 700 mil TEUs embarcados na cabotagem. A empresa projeta que as operações costeiras cresçam 12% este ano, graças ao início das recentes atividades em Vila do Conde (PA) e Itaqui (MA).

Algumas ações reforçam a aposta da empresa no mercado. “Recentemente, adicionamos Vila do Conde à nossa rede de serviços para atender ao mercado promissor de Belém, grande produtor de açaí e cacau. Também estamos testando o porto de Itaqui como porta de entrada para o Maranhão”, diz o CEO da Aliança, Julian Thomas.

É preciso, porém, trabalhar em conjunto com o governo. Já há iniciativas sendo realizadas, com a companhia acompanhando de perto as ações e cobrando mudanças.

Com um conjunto de medidas para estimular a cabotagem e a indústria naval brasileira, o programa “BR do Mar”, por exemplo, prevê alterações no sistema de afretamento de embarcações, entre outras medidas que visam a diminuição de custos operacionais. O plano do governo é editar uma Medida Provisória (MP) que flexibilize as regras com o objetivo de aumentar a quantidade de navios operando na cabotagem. “Embora a intenção seja positiva, é preciso frisar que o problema do serviço de cabotagem não está na falta de capacidade, mas no custo Brasil. O custo da tripulação brasileira é sensivelmente maior do que o a estrangeira, em função dos encargos trabalhistas”, afirma o CEO.

Segundo dados da companhia, no transporte de um contêiner porta a porta, 59% do valor do frete é gasto no transporte terrestre para fazer as pontas – do cliente ao porto e vice-versa –, 11% vai para os terminais portuários, 8% é referente ao PIS/Cofins, restando 22% para arcar com os custos do navio e do contêiner.

Já Marcus Voloch, diretor executivo da companhia, vê como positiva a proposta de desonerar o combustível. “O preço do nosso combustível tem variação diária, de acordo com o mercado internacional e o dólar do dia. Sobre esse valor, aplicam-se ainda impostos, o que não é o caso para os navios de longo curso, isentos da cobrança de ICMS. Para a cabotagem continuar a crescer é preciso ter custos mais competitivos”, ressalta.

A Aliança acredita, ainda, que o crescimento do modal depende da redução da burocracia no setor. “Vivemos o excesso de ‘burrocracia’. Procedimentos, tais como o tratamento do canhoto com fluxo complexo de documentos físicos, não são mais adequados ao mundo digital. Da mesma forma, é surreal que a nota fiscal eletrônica precise ser impressa em papel, assim como diversos outros documentos eletrônicos, que obrigatoriamente precisam transitar com a mercadoria, em papel. Esperamos que as medidas a serem anunciadas pelo governo consigam simplificar os processos e reduzir, de fato, o custo do combustível, que na cabotagem é mais oneroso em função da alta carga tributária”, reforça Thomas.

Para superar os gargalos e gerar eficiência, a Aliança aposta na digitalização. Em 2018, a companhia lançou o Portal Cabotagem 2.0, com o objetivo de tornar mais simples e intuitivo o acesso às informações sobre embarques, cotações, agendamentos e rastreamento, dando acesso, inclusive, à impressão da documentação e faturas fiscais. “Em breve, poderão ver ‘in real time’ a localização de cada contêiner com sua carga, seja no navio ou no caminhão. Trata-se do início de uma viagem longa, que percorremos na era digital. Nos anima fazer parte do Grupo Maersk, que investe pesadamente nas ferramentas do futuro”, complementa o CEO da Aliança.

História

O início das movimentações foi tímido, com apenas um navio de 600 TEUs entre Rio Grande (RS), Santos (SP) e Manaus. Aos poucos, chegaram embarcações com maior capacidade para atender a uma demanda crescente do mercado, que passou a confiar no potencial e na eficiência do transporte multimodal, especialmente na combinação do transporte marítimo com o ferroviário e rodoviário.

Atualmente, a Aliança conta com 13 navios no sistema cabotagem e Mercosul, oferecendo cinco serviços semanais em rotas interligadas, conectando todos os principais portos entre Ushuaia, na Argentina, e Manaus (AM).

Ao longo dos 20 anos, a companhia transportou mais de 6 milhões de TEUs. Foram 2,4 milhões de contêineres entregues na porta do cliente e mais de 13 milhões de milhas navegadas, com 11 milhões de toneladas de CO2 a menos na atmosfera. Esse volume representa 4 milhões de viagens de caminhão de longa distância a menos nas estradas brasileiras, segundo Thomas.