Segunda-feira, 8 de março de 2021 - 11h35
Rumo inaugura operação entre São Simão e Estrela D'Oeste da Ferrovia Norte-Sul
Terminal tem capacidade para 5,5 milhões de toneladas por ano e é empregado para o transbordo de grãos – soja e milho – e farelo de soja

A Rumo inaugurou na última quinta-feira, 4 de março, a Ferrovia Norte-Sul (FNS), trecho São Simão (GO)-Estrela D'Oeste (SP). O início das operações e do terminal, uma sociedade entre a Rumo e a Caramuru Alimentos, que já têm acordo similar em um terminal em Santos (SP), se dá após mais de 30 anos do início das obras da ferrovia, em 1987.

Compacto e multiproduto, o Terminal de São Simão é utilizado para o transbordo de grãos (soja e milho) e farelo de soja. Trata-se de um terminal bandeira branca, atendendo diversos clientes e escoando parte da produção da Caramuru.

A capacidade do local é de aproximadamente 5,5 milhões de toneladas por ano. São quatro tombadores e seis silos, com 42 mil t de capacidade estática. O terminal conta ainda com uma tulha de carregamento com capacidade para carregar 3 mil t por hora, o permite carregar um trem com 120 vagões em menos de oito horas.

O ministro da Infraestrutura (MInfra), Tarcísio de Freitas, destacou que os valores da outorga foram antecipados pela Rumo – em setembro de 2020, a concessionária pagou R$ 2,3 bilhões antecipados, referência a 59 prestações dessa concessão, além de R$ 2,8 bilhões referentes à Malha Paulista.

De acordo com o presidente dos conselhos de administração da Cosan e da Rumo, Rubens Ometto, nos últimos seis anos a Rumo possibilitou o crescimento de 50% no volume de grãos transportado pelo modal ferroviário. “Avanço ainda maior se deu no volume de contêineres movimentados por trens, que foi superior a 100% desde o início das nossas atividades em 2015. É uma realidade hoje a movimentação de produtos que, até muito recentemente, não se poderia imaginar que fossem levados por ferrovia”, afirma.

O executivo revela que a companha ainda levará a malha ao centro de Mato Grosso e a capital, Cuiabá, em um investimento de mais de R$ 10 bilhões para que todo o Centro-Oeste esteja bem atendido por ferrovias e integrado ao centro da economia do país.

O presidente do conselho de administração da Caramuru, Alberto Borges de Souza, explica que o terminal de São Simão receberá cargas de Goiás, Mato Grosso e Triângulo Mineiro e aumentará a competitividade do agronegócio nessas regiões, além de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico.

A ferrovia e a operação

Em março de 2019, a Rumo arrematou em leilão os tramos central e sul da FNS, ainda com obras para serem finalizadas. O contrato de subconcessão foi assinado em julho daquele mesmo ano, em Anápolis (GO). Com duração de 30 anos, o contrato compreende 1.537 quilômetros entre Porto Nacional (TO) e Estrela D'Oeste (SP), que a Rumo denominou Malha Central.

Para começar a torná-la operacional, a companhia investiu no ano passado R$ 711 milhões em obras de infraestrutura, terminais e material rodante. As obras executadas incluem a construção de quatro pontes entre os estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, um pátio de ligação em Estrela D´Oeste, e a implantação dos trilhos que restavam para conectar esses três estados.

A Malha Central tem um papel estratégico para a Rumo, pois permite o acesso a novos mercados e aumenta a eficiência do atendimento prestado pela concessionária aos clientes, agregando terminais de transbordo em novas geografias.

Três terminais foram projetados para atender a região sudoeste de Goiás, o leste de Mato Grosso e o Triângulo Mineiro, localizados nas cidades de São Simão (GO), Rio Verde (GO) e Iturama (MG). O Terminal de São Simão é o primeiro a ficar operacional. Em Rio Verde, a previsão é que a inauguração seja no final deste primeiro semestre, em Iturama (MG), no final do primeiro semestre de 2022. Há ainda um terminal da Brado, que responde pelas operações de contêineres da companhia, em construção em Davinópolis, região metropolitana de Imperatriz (MA).

Hoje, Goiás é o grande polo gerador de cargas da Malha Central. A Rumo optou por começar sua operação pelo sul do estado, onde ficam as cidades de São Simão e Rio Verde. O estado goiano tem um perfil de esmagador, produzindo farelo de soja para atender tanto o mercado interno quanto o externo. Em função disso, os terminais operarão com grãos e farelo. Ambos serão bandeira branca, o que garante o acesso de diversos clientes do setor agrícola.

Em linha com sua política de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa, em potuguês), a Malha Central contribuirá com a sustentabilidade na matriz de transporte de carga. A partir da previsão de volume a ser transportado em seu primeiro ano de operação, a Norte-Sul será capaz de evitar a emissão de 370 mil toneladas de CO2 (na comparação com a movimentação das mesmas cargas pelo modal rodoviário).