Sexta-feira, 14 de maio de 2021 - 11h05
Rangel Logística foca serviços especializados e estratégias no continente americano
No Brasil, empresa irá reforçar atuação da Rangel 2 Supply e criar uma empresa de logística voltada aos varejos físico e eletrônico e tornar país originador de carga

A Rangel Logística anuncia que está preparando a expansão operacional no continente americano, priorizando setores e países que a empresa vê demandantes de serviços logísticos especializados. A estratégia é iniciada após a companhia registrar receita de 203 milhões de euros em 2020.

Partindo da estrutura atual na região, que compreende um escritório em São Paulo desde 2013 e outro no México, aberto em 2020, a meta é chegar em 2025 com bases também na Colômbia e no Peru, totalizando unidades em nove países espalhados pela Europa, África e Américas.

“Chegamos à conclusão de que estávamos focados demais nos negócios gerados em Portugal, que é hora de destacar no mercado latino-americano os diferenciais pelos quais a Rangel é conhecida no mundo, explorar as oportunidades do agronegócio brasileiro e atacar outras geografias”, diz o diretor de Desenvolvimento de Negócios para América Latina da Rangel Logística, Enrique Garcia.

Com a ampliação concluída, a expectativa do executivo é que a empresa tenha um crescimento substancial na região já a partir de 2024. A projeção divulgada pela Rangel é operar até lá 20% da movimentação de contêineres de vintes pés de carga seca originados em Portugal e Espanha com destino ao Brasil. Atualmente, a empresa movimenta 2,1% desse volume.

A meta é conservadora e não inclui cargas originadas no Brasil, nem em outros países. Garcia explica que, na Colômbia e no Peru, países-alvo da expansão, a meta é ampliar a captação de carregamentos de alimentos e têxteis já exportados regularmente para o mercado brasileiro.

O executivo afirma, contudo, que o Brasil também deve se tornar um polo originador de carga de mais importância. Garcia acredita que o país pode bater em 2021 o recorde de superávit de US$ 50 bilhões obtidos no ano passado, com a demanda global por alimentos intensificada pela pandemia, a desvalorização histórica do real a facilitar exportações e a expectativa de safra recorde para o ciclo 2021/22.

Nos planos da Rangel para o país está ainda a criação de outra empresa de logística voltada aos varejos físico e eletrônico. Segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios, o foco será atender São Paulo e o interior paulista. Numa segunda etapa, a operação será expandida para as outras capitais, e não estão descartadas aquisições para facilitar a inserção da Rangel no segmento, que recebeu investimento em diversas frentes com o boom do e-commerce na pandemia.

Estratégias

O coração da expansão, no entanto, é o reposicionamento do portfólio no mercado latino-americano, que passa a atender de forma mais incisiva as necessidades de pequenas e médias empresas em processo de internacionalização.

Garcia anuncia que deseja disponibilizar os mesmos serviços que já habilitam os clientes da Rangel em outras regiões a participarem de fluxos internacionais sem ter necessariamente departamento de exportação. A proposta de valor visa unir a expertise em logística e a assessoria efetiva de comércio exterior.

Um passo importante para este objetivo é a estruturação até o fim deste ano da Rangel 2 Supply, empresa de importação e exportação em Extrema (MG) a serviço dos clientes da Rangel. A empresa vai prestar serviços de compra e venda de mercadorias, demanda por clientes não presentes no Brasil, mas com clientes na região. A expectativa com isso é que a ação se torne um recurso estratégico também dos clientes brasileiros em busca de mercados no exterior.

Em linha com essa iniciativa, a Rangel põe colocou no ar em março um sistema de Big Data para orientar clientes sobre o momento de comprar ou vender produtos considerando sazonalidades de produção e consumo. Além disso, as cargas nas Américas serão monitoradas em tempo real por um sistema conectado à operação global da Rangel, ligada a 220 países e territórios.

“A Rangel cresceu movida por desafios lançados pelos seus clientes. É mais importante que nos vejam como um parceiro de negócios, até mais que um prestador de serviços logísticos. Esperamos que nossa expertise nos mercados africanos, onde também temos estrutura proprietária, motive o interesse dos brasileiros em desbravá-los”, pontua Garcia.