Quarta-feira, 27 de outubro de 2021 - 10h19
Renner investe R$ 750 milhões e estrutura centro de distribuição em Cabreúva
Unidade conta com mais de 163 mil m² de área de armazenagem, o que irá dobrar a capacidade logística da companhia

A Lojas Renner inaugurou um centro de distribuição (CD) na cidade de Cabreúva (SP) que, segundo a empresa, vai representar um salto na eficiência logística, na transformação digital e na integração multicanal da  varejista. No fim de agosto, foi concluída a construção do galpão do CD, o que permite dar andamento ao restante das obras do empreendimento.

O investimento direto da Lojas Renner no projeto é de R$ 750 milhões. A maior parte – cerca de R$ 453 milhões – corresponde à tecnologia e aos equipamentos adquiridos. A unidade conta com uma área de mais de 163 mil m² de área de armazenagem, o que supera a área dos quatro CDs atuais da Lojas Renner, que somam 160 mil m² divididos entre São José (SC), Rio de Janeiro, Arujá (SP) e Embu das Artes (SP). Na prática, a varejista vai mais do que dobrar a sua estrutura logística.

Apenas a construção do CD, que será erguido sob o modelo built to suit, demandará aporte superior a R$ 520 milhões, realizado pela Kinea Investimentos, gestora de fundos do grupo Itaú, por meio do seu Fundo de Investimento Imobiliário Kinea Renda. O valor será pago pela companhia em aluguéis mensais durante os próximos 15 anos.

Previsto para entrar em operação de forma gradual ao longo de 2022, o local atenderá tanto as lojas físicas quanto o e-commerce das marcas da companhia – incluindo a Ashua, a Youcom e a Camicado –, garantindo, afirma a empresa, que as marcas tenham capacidade para suportar o crescimento do mercado pelo menos até 2035.

A companhia conta que a estrutura terá sistemas de automação para armazenagem, processamento e despacho de mercadorias, organizando os produtos por meio do agrupamento de tipos de SKU por caixa. A tecnologia a ser implementada permite também trabalhar com itens de diferentes dimensões, peças em cabides e dobradas, calçados, bolsas e bijuterias, tudo de forma simultânea.

De acordo com informações da varejista, o novo centro de distribuição reduzirá praticamente pela metade o tempo necessário para abastecer suas lojas em todo o país e acelerará a entrega dos produtos adquiridos pelos consumidores por meio dos canais digitais. Além disso, dará um suporte às operações internacionais, abrindo espaço no CD de Santa Catarina para tornar mais ágil o envio de mercadorias para o Uruguai e a Argentina, onde a marca Renner tem lojas.

Inovação

 O diretor de Supply Chain da Lojas Renner, Pedro Pereira, ressalta que os  ganhos gerados pelo aumento de área e pela inovação de processos vão elevar a qualidade dos serviços prestados aos clientes. “Também serão essenciais para a estratégia de crescimento da companhia, dentro da jornada de desenvolvimento do nosso ecossistema de moda e lifestyle.”

A tecnologia aplicada é um dos diferenciais. Entre as soluções trazidas para o Brasil estão 312 robôs para armazenamento de itens dobrados e um novo sistema de classificação e separação de produtos que permitirá a reconfiguração quase instantânea dos processos para responder, por exemplo, a eventuais picos de aumento da participação das vendas on-line em comparação com as lojas físicas.

Ao mesmo tempo, a unificação dos estoques dará maior sinergia e flexibilidade aos negócios, incluindo a possibilidade de despachar mercadorias de todas as marcas em um único veículo.

Divulgação

“Este ativo segue o racional e a lógica de investimentos do Kinea Renda, aliando o que há de melhor em centros de distribuição no mundo, com excelente padrão construtivo, além de uma localização estratégica. Soma-se a isso a parceria com a Renner, companhia que mais cresceu no seu setor nos últimos anos e que evoluirá ainda mais com este centro de distribuição", afirma o gestor de Fundos Imobiliários da Kinea, Carlos Martins,.

O empreendimento adotará ainda padrões de sustentabilidade visando a obtenção da certificação internacional Leadership in Energy and Environmental Design (LEED). Sistemas automatizados vão monitorar a temperatura e o consumo de água e energia, além das emissões de dióxido de carbono (CO2), enquanto a iluminação terá sensores de presença, usará somente lâmpadas LED e será suprida integralmente por uma usina de geração fotovoltaica localizada dentro do próprio empreendimento.

Todos os efluentes gerados serão tratados em instalações próprias, com capacidade para gerar água de reuso propícia para a irrigação de todas as áreas verdes e jardinagem. Mais de 70 mil árvores nativas serão replantadas no terreno como contrapartida ambiental pela construção e haverá segregação e compostagem de resíduos.

O prédio também utilizará paredes de concreto montadas no canteiro de obras, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa no transporte, e a cobertura terá proteção termoacústica para favorecer a climatização do prédio. As vias de circulação interna terão piso intertravado, com blocos de concreto encaixados para proporcionar maior permeabilidade do solo, e os colaboradores contarão com bicicletário e tomadas para carregamento de veículos elétricos.