Sexta-feira, 26 de março de 2021 - 10h18
Rumo desenha novo modelo de operação no corredor entre Rondonópolis e o Porto de Santos
Novidade estabelece o emprego de um trem com 120 vagões, aumento de 50% na capacidade de transporte

A Rumo desenhou um novo modelo de operação para o corredor ferroviário do agronegócio brasileiro, entre Rondonópolis (MT) e o Porto de Santos (SP). Com capacidade para transportar cerca de 11.500 toneladas úteis de grãos, o trem com 120 vagões traz, segundo a empresa, um ganho de aproximadamente 50% na capacidade em relação às composições usadas antes, com no máximo 80 vagões – 7.600 t. Por dia, devem sair em média sete trens de 120 vagões em direção a Santos. Neste mês de fevereiro, cerca de 80 mil t de soja têm sido embarcadas diariamente no principal terminal de grãos da América Latina.

O vice-presidente da Operação Norte da Rumo, Darlan Fábio De David, afirma que a companhia está preparada para atender com a máxima eficiência os volumes de soja neste mês de fevereiro. “Estamos com uma média de 1.600 caminhões descarregando por dia no terminal. É uma operação a serviço do agronegócio mato-grossense, trabalhamos para encurtar a distâncias e colocar o produtor na porta do porto.”

Em testes desde junho do ano passado, a iniciativa no aumento de capacidade faz parte dos compromissos assumidos pela Rumo com a renovação antecipada do contrato de concessão da Malha Paulista até 2058. Em 2020, foram realizados 505 testes, o equivalente a mais de 830 mil quilômetros rodados.

Divulgação

“O aumento de capacidade dos trens irá proporcionar uma redução de 30% no fluxo quando toda frota for composta por esse novo modelo operacional. É uma solução que beneficia toda a cadeia logística. Desde a otimização do giro do terminal nas operações de carga e descarga até a redução no transit-time das operações ferroviárias e a oferta de fretes mais competitivos”, explica Darlan.

Estudos e investimentos

Para que o novo modelo de operação fosse viabilizado, a Rumo iniciou em 2018 um planejamento que envolveu uma série de desafios técnicos para o desenho do trem – desde o uso de simuladores, testes de campo e sensores para avaliar questões relativas as condições da via e capacidade. Ao todo, serão investidos mais de R$ 700 milhões no projeto e as obras envolvem adequações em pátios, postos de abastecimento e sinalizações.

Todas as adequações para a circulação de 100% dos trens de 120 vagões no fluxo de exportação (Rondonópolis-Porto de Santos) foram concluídas no início deste ano. Já no fluxo de importação, a previsão é que as obras sejam concluídas até 2022.

Além das adequações na Malha Paulista e Norte, toda a operação da Malha Central (ferrovia Norte-Sul) entre Porto Nacional (TO) e Estrela D' Oeste (SP) está sendo estruturada para atender as operações com os trens de 120 vagões. A projeção é de ter pelo menos um trem por dia partindo do terminal de São Simão (GO) quando for iniciada as operações neste primeiro semestre.

Operação limpa

Outro diferencial do novo modelo de operação é a economia de combustível. A cada 25 trens de 120 vagões que circulam de Rondonópolis a Santos, a empresa tem um ganho relativo a um trem que roda sem combustível neste trajeto.

“Estamos trabalhando para tornar o modal ferroviário uma referência em eficiência energética e inovação, reduzindo assim as emissões por tonelada transportada. Nosso objetivo é alavancar o transporte ferroviário com papel de destaque na busca por uma logística mais limpa”, Darlan.

Desde 2015, quando assumiu a concessão das malhas ferroviárias, a empresa já acumulou 26% na redução das emissões específicas, número que equivale a aproximadamente 750 mil toneladas de CO2, principalmente em razão da eficiência operacional relativa à redução no consumo de combustíveis e adoção de novas tecnologias como o Trip Optmizer, tecnologia de condução semiautônoma que possibilita que os trens sigam com até 10% menos diesel em relação aos não automatizados.