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Apesar de um razoável grau de incertezas, descarbonizar é urgente e imprescindível

Por Paulo Roberto Guedes em 19 de julho de 2023 às 14h50
Paulo Roberto Guedes

Com base nas conclusões do relatório do IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (1), publicado no mês de março passado, escreveu o editorial do Estadão dia 26 daquele mesmo mês: “O mundo caminha para uma catástrofe ambiental, mas ainda é possível evitar o pior cenário”. “O futuro se define hoje e não há alternativa para a humanidade além de descarbonizar o planeta o mais rápido possível”.

E mais, afirmou o senhor Hoesung Lee, presidente do IPCC: “As mudanças abrangem todos os setores da vida e da economia: indústria e transporte menos poluidores, maior participação de energias renováveis na matriz global, produção de alimentos mais sustentável, uso racional e equilibrado do solo e dos recursos naturais”. Derretimento de geleiras, aquecimento e aumento do nível dos mares, bem como da temperatura média mundial vem, diariamente, atingindo recordes (2), como apontam os noticiários. Uma das consequências, entre tantas, como destacou a Agência Espacial Europeia, foi a perda, também recorde, de gelo na Groenlândia e na Antártida (Estadão de 22.04.23).

Já em 2022 o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente indicava, como única forma de se manter o aquecimento global em 1,5ºC, “a necessidade de se reduzir em 45% a emissão de gases de efeito estufa até 2030”. Uma das principais e urgentes providências? Segundo o Sr. Gustau Mánez Gomis, representante do programa, a adoção de programas concretos para descarbonização das atividades de transporte, responsáveis, em 2020, por aproximadamente 20% das emissões de gases de efeito estufa no mundo. Desse total, 40% foram gerados pelos automóveis particulares (3).

Considerando-se, portanto, que ter matrizes energética e de transporte mais limpas e sustentáveis está se transformando em objetivo de todos, e que o hidrogênio verde, como substituto de combustíveis fósseis, tem se mostrado como uma das melhores alternativas, é que Usula der Leyen, presidente da União Europeia (UE), em visita ao Brasil no início do mês de junho, anunciou investimentos na ordem dos € 2 bilhões no País. Informação: no Brasil o modal rodoviário, apesar de representar 62% de todo o transporte de cargas, em TKU (tonelagem por quilômetro útil), gera 85% das emissões de dióxido de carbono produzido no setor (4).

Não há qualquer dúvida que um país como o Brasil, que possui uma matriz elétrica renovável invejável (85% limpa), além de ter a possibilidade de aumentar ainda mais outras fontes de energia “não poluidoras”, chame a atenção dos países com sérias dificuldades para alcançar suas metas de descarbonização. Mas isso exigirá que o País se estruture de forma a produzir grandes quantidades de ‘hidrogênio verde’. Infelizmente, como demonstra reportagem da jornalista Denise Luna do Estadão (26/06/23), “dos 359 projetos envolvendo o produto (hidrogênio verde) pelo mundo, o País é o responsável por apenas um, em Suape, Pernambuco”. Apenas como informação, e ainda com base nas informações de Denise Luna, desde que foi lançado em 2021, o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), com o objetivo de “desenvolver o mercado e a indústria de hidrogênio no País”, realizou “uma única reunião, em agosto de 2022”.

Por outro lado, não se pode deixar de ressaltar o que disse o secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria, Rodrigo Rollemberg, em entrevista para a jornalista Amanda Pupo, do Estadão, dia 06 pp: “as empresas (brasileiras) querem regras e não subsídios para produzir hidrogênio verde”, sendo que atualmente já existem, no Ibama, “solicitações de licença para usinas eólicas offshore suficientes para dobrar “a capacidade de geração elétrica brasileira”. Complementa Rollemberg: “É impressionante o número de empresas de grande porte que têm procurado o governo com interesse na produção de hidrogênio – que pode ser gerado, entre outros processos, por meio da energia produzida pelas usinas eólicas”.

O Estadão, do dia 14 pp, comentou a respeito de um estudo realizado pela Building the Green Hydrogen Economy (Construindo a Economia do Hidrogênio Verde), do BCG (Boston Consulting Group), no qual se destaca o papel essencial e fundamental do hidrogênio verde na “descarbonização de indústrias com maior dificuldade de reduzir suas emissões, como a siderúrgica, a química e aviação”. Não à toa, espera-se “uma explosão de demanda” e dos níveis de investimento relacionados (5).

Ainda segundo essa reportagem do Estadão, o BCG estima que entre 2025 e 2050, governos e empresas de todo o mundo destinarão “entre US$ 6 trilhões a US$ 12 trilhões para a produção e transporte de hidrogênio com baixo teor de carbono”. Como dizem diversos especialistas, entre eles o CEO da Bosch da América Latina, Sr. Gastón Diaz Perez, “o centro das discussões ambientais é a descarbonização, e não a eletrificação”.

É extremamente claro que os problemas gerados pelo aumento da temperatura, pelas inundações e deslizamentos de terra ou pela falta de água, por exemplo, quase sempre são causados pela ação do ser humano. A emissão de CO2 e outros gases de efeito estufa, o desmatamento e os incêndios florestais, a excessiva utilização de materiais descartáveis, mas que resistem ao tempo etc., apenas evidenciam a necessidade de serem adotadas providências urgentes, posto que os impactos negativos na vida de toda a humanidade, direta e indiretamente, caso nada seja feito, serão cada vez maiores.

Com o aumento do calor, por exemplo, espera-se baixa produtividade dos trabalhadores que operam ao ar livre, enquanto que inundações, seja pelo excesso de chuvas ou por avanço dos oceanos, implicam em danos físicos irreversíveis ou cuja recuperação é de altíssimo custo. Óbvio que as correspondentes interrupções dos processos de produção, com impactos e frequências maiores, desestruturam as cadeias de abastecimento e desorganizam quase toda a economia e tem impactos sociais imediatos. Aumentos de custos e de preços, e certa generalização no processo inflacionário serão sentidos em todo o mundo.

De uma forma geral, se já não era concretamente admitido pela grande maioria, a crise climática (assim como a pandemia do Covid.19) obrigou que se reconhecesse a fragilidade da situação econômica, social e política do mundo atual, forçando toda a sociedade a se mobilizar para alcançar, entre outros objetivos também nobres, melhorias nos índices relacionados à saúde, igualdade, pobreza, discriminação e racismo, e proteção do meio-ambiente.

Evidencia-se, de forma crescente, que enquanto investidores e empresários começam a defender conceitos de “economia circular”, “economia da vida”, “capitalismo consciente” e “ESG”, os consumidores, principalmente os mais jovens, preferem cada vez mais, adquirir bens e serviços de empresas que, além dos valores morais e éticos já consagrados pela sociedade, também praticam atividades que podem ser caracterizadas como de “responsabilidade social” (6), dispondo-se, inclusive, a pagar mais por produtos e serviços oriundos de empresas com essas características.

Consequentemente, e a partir do momento no qual discussões a respeito das questões ambientais, sociais e de governança (ESG) tomaram maior espaço, principalmente no momento em que se demonstra que essa agenda é um elemento de geração de valor (7), o setor empresarial, mesmo ainda com muitas incertezas, notadamente no Brasil (8), se viu obrigado a verificar, mais concretamente, se suas ações, nesse sentido, estavam gerando os resultados esperados (9). E o que se viu, segundo os sócios seniores da McKinsey, Ulrich WeiheThomas Weskamp, uma mudança de prioridades, que passaram a ser: “a) usar uma mistura mais ecológica de combustíveis; b) recapturar o calor desperdiçado; c) adquirir eletricidade produzida de forma renovável; e d) maximizar a eficiência energética.

A redução das emissões do Escopo 3, inclusive, que representa os gases emitidos ao longo da cadeia de valor de uma organização, é uma questão fundamental e complexa para ser resolvida à medida que aumentam as pressões regulatórias e de investidores. “Seleção de fornecedores e clientes e estratégias de portfólio verde, são alguns dos exemplos que fazem com que as empresas ‘capturem valor’.

A indústria química, responsável por aproximadamente 3,6% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em todo o mundo, segundo estudos da McKinsey, quer adquirir ou fazer parceria com fornecedores de matérias-primas com baixo teor de carbono, de forma a aumentar a participação de matéria-prima reciclada ou de base biológica. Sempre com o objetivo de “reduzir as emissões tanto para cima quanto para baixo na cadeia de valor”.

Uma grande gestora global de investimentos alternativos, a Apollo, já colocou no mercado o seu “Apollo Clean Transition Capital” (ACT Capital), programa de investimentos de cerca de US$ 4 bilhões, voltado especificamente para as empresas que querem instalar processos de transição para energia limpa e uma indústria sustentável. Os investimentos ocorrerão “em áreas como transição energética, descarbonização industrial, mobilidade sustentável, uso sustentável de recursos e imóveis sustentáveis”.

O IIGCC, Institutional Investors Group on Climate Change, que reúne investidores que se ocupam concretamente com o meio ambiente, já anunciou o Net Zero Engagement Initiative (NZEI), programa que tem como objetivo, “escalar e acelerar o engajamento corporativo relacionado ao clima”. Segundo informações da própria CEO da IIGCC, Stephanie Pfeifer, a iniciativa define as “expectativas para planos confiáveis de transição para uma economia “carbono neutro”, incluindo recomendações para compromissos abrangentes para o processo de transição, metas alinhadas de emissões de gases de efeito estufa, rastreamento de desempenho de emissões e uma estratégia de descarbonização confiável”. Ainda, segundo Pfeifer, a “iniciativa visa ajudar os investidores a agirem em seus compromissos “carbono neutro” para alinhar suas carteiras com as metas do Acordo de Paris”. Como se vê, volumes crescentes de investimentos são esperados como forma de se atender os quesitos mínimos recomendados (10).

A empresa espanhola Iberdrola, provedora global de energia e eletricidade, e que em 2017 comprou 60% do grupo brasileiro Neoenergia (empresa de geração de energia eólica e hídrica) por R$ 5,1 bilhões, anunciou um novo compromisso para que mais de 85% de suas compras sejam feitas de fornecedores que cumpram os critérios ESG, já a partir deste ano (https://www.esgtoday.com/iberdrola-to-require-suppliers-representing-85-of-spend-to-meet-esg-criterial/). Isso resultará na promoção de melhores práticas em 20.000 fornecedores e que representam compras de quase € 18 bilhões.

Pelo menos 10 mil empresas estrangeiras (33% americanas, 13% canadenses, 11% britânicos e 43% de outras nações) “terão que intensificar seus relatórios de sustentabilidade sob as regras da União Europeia que entrarão em vigor a partir dos próximos anos, em um esforço regulatório para aumentar a visibilidade sobre tudo, desde as emissões de gases de efeito estufa das empresas até as diferenças salariais entre gêneros”. A orientação é a de que empresas fora da UE façam de forma independente um conjunto de divulgações com respeito à sustentabilidade (informações obtidas junto a um estudo realizado pela Refinity, empresa de dados financeiros e divulgado recentemente no The Wall Street Journal).

Não há dúvidas de que as mudanças climáticas, diferentemente de outras épocas, estão sendo devidamente consideradas quando, tanto o setor público quanto o privado, planejam o futuro. Temas voltados à proteção das pessoas e dos ativos, à manutenção de climas organizacionais e físicos mais saudáveis e suportáveis para todos, ao aumento da resiliência, à redução de exposição, ao aumento da eficiência energética e de diminuição da emissão de GEE, à utilização de produtos e insumos menos poluidores, entre outros, estão cada vez mais presentes nas agendas de empresários e políticos de todos os espectros. Há que se considerar, inclusive, a necessidade de se revisar os sistemas de auditoria e controle, de tal forma que sejam introduzidos indicadores que retratem os temas aqui abordados.

A participação de governos (11) e empresas privadas (12), assim como das pessoas (13) torna-se essencial. E mesmo considerando que o tema “proteção ao meio ambiente” ainda seja algo discutível para alguns, é fundamental que as empresas, por exemplo, incluam técnicas mais modernas de combate, controle e diminuição dos níveis de poluição. No limite de suas atuações há um conjunto enorme de providências que não exigem esforços ou investimentos ‘espetaculares’. Alguns exemplos:

  • Adequar as políticas empresariais às políticas ambientais já existentes e, quando possível, adiantar-se a elas de forma a atender as exigências dos seus clientes nesse “mister”;
  • Aumentar os níveis de eficiência em todos os processos operacionais, melhorando a produtividade dos equipamentos operados, notadamente nas atividades de transporte, instituindo processos de medição, inventários e auditoria relativos às emissões de GEE;
  • Estimular fornecedores, aí incluídos os prestadores de serviços de transporte, a: (i) total e correta observação à política ambiental estabelecida, bem como o devido respeito às normas e aos procedimentos instituídos; (ii) adoção de melhores práticas operacionais que, entre outras exigências, devem contemplar aumento de produtividade e maior eficiência energética;
  • Definir e adotar estratégias de compensação das ‘pegadas de carbono’ por meio de créditos de carbono como mecanismo imediato e transitório de mitigação dos impactos das mudanças climáticas, e complementar as iniciativas de redução das emissões de GEE. (segundo o Acordo de Paris, os 197 países signatários precisarão estabelecer regulações compatíveis para que já em 2050 sejam consideradas “economias de carbono neutro”).

Evidente que a realização de programas desse tipo exigirá um gerenciamento eficiente e, de preferência, ligado diretamente à alta direção da empresa, pois como se trata de programa estratégico, fundamental e prioritário, será preciso que todos, funcionários, fornecedores, clientes e demais colaboradores, entendam essas providências com o mesmo nível de importância. Assim como, vale repetir, os governos de plantão, posto que é essencial o estabelecimento de procedimentos, inclusive setoriais, de redução de emissão de GEE (14).

Os objetivos brasileiros, no entanto, não estão somente vinculados aos processos de descarbonização, mas “aproveitar essa pegada para fazer uma transformação no setor produtivo brasileiro, e que se torne uma vantagem para o Brasil, não apenas um custo. Até porque o custo de não fazer nada seria maior”, disse Rafael Dubeux, assessor especial do ministro Fernando Haddad, ao Estadão/Broadcast. Essas medidas, também chamadas de “Pacote Verde”, se dividem em seis blocos: Incentivos econômicos, Adensamento tecnológico, Bioeconomia, Transição energética, Resíduos e economia circular e Mudança climática.

Também se mobilizam as empresas brasileiras, posto que o próprio Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) já está realizando estudos para elaborar um projeto de lei para definir metas de redução de emissão de gases de efeito estufa para todos os segmentos econômicos brasileiros. 

Os operadores logísticos, mais especificamente, ao oferecerem soluções de transporte de carbono neutro, além protegerem concretamente o meio ambiente, terão maiores vantagens competitiva, pois estarão enviando um sinal positivo ao mercado, na medida em que se apresentarão de forma responsável. Além disso, converterão ‘compliance’ em oportunidades comercial e de aumento incremental de receita, posto que terão condições de “vender” produtos e serviços de carbono neutro.

Ou, como explica e defende Rafael Fanchini, CEO da Verda (15), “a descarbonização do setor de logística, tanto pela dimensão tecnológica quanto financeira, se apresenta como um enorme desafio a essas empresas”, posto que “instrumentos de créditos de carbono, combinados com tecnologia aplicada, permitem que seja oferecido, ao mercado, produtos e serviços de transporte neutros sob o ponto de vista de ‘pagadas de carbono’”. Não deixa de ser atrativo, na medida em que possibilita converter “desafios regulatórios em alavancas de geração de valor, fundamental para o financiamento da transição tecnológica que se exige”.

Com planos de ação semelhantes – e outros ainda melhores e mais inovadores – temos certeza que é possível produzir e prestar mais serviços e poluir menos, contribuindo efetivamente para que a sustentabilidade, no seu conceito mais amplo, possa ser exercida na sua plenitude, isto é, como definido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1987 e publicada no Relatório Brundtland: “Sustentabilidade é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”. Ainda há tempo!

  • Grupo de 278 cientistas de 65 países, reunido pela Organização das Nações Unidas (ONU) que tinha, como um dos objetivos, “fornecer uma visão panorâmica, que deverá ser a grande baliza para ações ao longo da próxima década”.
  • O Centro Nacional de Previsão Ambiental dos EUA, ao informar que o “gelo marinho”, formado na Antártida está diminuindo, também comentou a respeito do recorde de temperatura média na Terra, ocorrido no último dia 4, que chegou aos 17,09°C.  O recorde anterior era de agosto de 2016: 16,92ºC.
  • Artigo de André Vidal, CEO da Marcopolo (Estadão de 14 pp), e com base no estudo da McKinsey, “mais de 150 cidades implementaram medidas para reduzir o uso dos veículos particulares e, consequentemente, das emissões de gases, em busca de um sistema de transporte mais amigável para o ambiente”. E mais, ainda, segundo Vidal e com base em dados produzidos pela plataforma E-Bus Radar, a “frota de ônibus elétricos na América Latina saltou de 725 veículos, em 2017, para 4.133, em 2023. O transporte coletivo de passageiros, cada vez mais necessário para combater o excesso de trânsito, mais notadamente das grandes metrópoles, também está buscando diminuir a emissão de GEE.
  • Dados levantados pelo Instituto de Logística (ILOS), relativos a 2021, indicam que enquanto o transporte de cargas brasileiro, em todos os seus modais, representava 65,1% do custo logístico total (cerca de R$ 775 bilhões e equivalente a 8,9% do PIB), o modal rodoviário era o de maior valor: R$ 677 bilhões, ou seja, 87,7% do custo do transporte nacional de carga. Em termos de TKU (tonelada transportada por quilometro útil), as participações de cada modal de transporte são um pouco diferentes: Rodoviário, 61,9% (1.193 bilhões de TKU); Ferroviário, 19,1% (368 bilhões de TKU); Aquaviário, 15,3% (294 bilhões de TKU); Dutoviário, 3,6% (70 bilhões de TKU); e Aéreo, 0,1% (menos de 1 bilhão de TKU). Vale ressaltar que mesmo assim, ao ser comparado com outros países, a infraestrutura de transporte rodoviário brasileira ainda deixa a desejar. Dados publicados pelo ILOS são claros: para um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, o País conta com apenas 214 mil quilômetros de estradas asfaltadas, enquanto a Índia, quase 3 vezes menor, tem 3.502 mil quilômetros. Os EUA, 7% maior em dimensão territorial que o Brasil, possui 4.577 mil quilômetros de estradas asfaltadas, ou seja, 21,4 vezes mais. A China tem 4.867 mil quilômetros de estradas asfaltadas e a Rússia 1.096 mil.
  • Segundo reportagem de Denise Luna (Estadão de 26.06.23), e com base em estudos feitos pelo banco de investimento Goldman Sachs, “até 2050 o mercado de hidrogênio no mundo ultrapassará US$ 11 trilhões. Tamanha euforia se deve ao potencial do produto. O hidrogênio tem três vezes mais energia do que a gasolina com a vantagem de ser uma fonte limpa”. 
  • Aliás, como tem defendido o ex-governador do Estado do Espírito Santo, Paulo Hartung, é preciso encarar a Política ambiental como motor social, uma vez que “cuidar da natureza deixou o romantismo no passado e se tornou pauta urgente para as atuais gerações que têm a missão de enfrentar a convulsão climática, um dos maiores desafios da contemporaneidade”. Hartung conclui: “Retrocedemos nos últimos anos. Novamente temos de superar esse desafio, especialmente no bioma Amazônia. Agora, além dos benefícios ambientais, o cuidado com a natureza pode ser uma alavanca para enfrentar a desigualdade social do País” (grifos meus).
  • Pesquisa realizada pelo Institute for Business Value, da IBM, publicada em abril deste ano, demonstra que a geração de dados e a capacidade ESG podem gerar valor para os negócios empresariais, e que empresas líderes nesse mister “têm 43% mais probabilidade de superar seus pares em lucratividade”. Além do que “a clareza sobre governança corporativa pode atrair fundos de investimento responsáveis ou investidores de impacto”, posto que essa prática “pode se transformar em uma plataforma catalisadora e impulsionadora do crescimento transformacional”. Como identificou a pesquisa da IBM, a “ESG é mais do que compliance e relatórios. Os líderes de negócios que elevam seu papel e podem lidar com os dados podem impulsionar o engajamento, inspirar inovação, melhorar as operações e unificar os parceiros do ecossistema em torno de objetivos estratégicos compartilhados. Para fazer isso, as organizações devem canalizar os dados em duas direções. Olhando internamente, incorporando dados ESG nas operações para impulsionar melhorias de desempenho. Por exemplo, a integração de dados de emissões em sistemas operacionais ou de gerenciamento de ativos corporativos pode ajudar os líderes a reduzir a pegada de carbono da empresa”.
  • Ainda recentemente, no seminário Estadão Summit ESG 2023, realizado dia 15 pp. para discutir a evolução do ESG no Brasil, a conclusão foi unânime: “apesar da transformação vivida na última década pelas corporações brasileiras, ainda precisa passar por um processo de maturação. O que não significa que não existam avanços e, principalmente, vários bons exemplos que podem até ser replicados em larga escala”. E mesmo considerando que muitas empresas “estão comprometidas, a partir de metas baseadas na ciência, em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, pelo menos da porta para dentro”, “o horizonte para que o planeta consiga manter o aquecimento em 1,5 graus Celsius em média está distante”.
  • Segundo pesquisa da IBM, aqui já citada, há muitos atrasos na implementação desses processos, posto que “enquanto 95% das empresas têm metas operacionais ESG, apenas 10% fizeram progressos significativos para cumpri-las”. Não à toa, o consumidor mostra-se cético com relação à prática da sustentabilidade empresarial, já que “apenas 2 em cada 10 dizem confiar nas declarações das empresas sobre sustentabilidade ambiental, contra 5 em cada 10 há apenas dois anos”. Ainda segundo a pesquisa, os “stakeholders” sentem-se frustrados porque não identificam conexões concretas entre as metas ESG e os planos de ação instalados.
  • Baseado em pesquisa realizada, a Fidelity International, gestora de investimentos, destaca que das empresas multinacionais – evidentemente que não foram todas - que se comprometeram com “emissões netzero” até 2050, apenas 60% delas acreditam alcançar esse objetivo.
  • Pesquisa Global da McKinsey, indicou que 90% dos 1.100 pesquisados disseram que “as questões ESG estão nas agendas de suas empresas”. E mais: “um terço disse que as ações relacionadas a ESG, em suas organizações melhoraram a retenção de funcionários”.
  • De acordo com relatório da McKinsey, publicado no site ESG Today do dia 06 pp, investimentos de até US$ 4 trilhões poderão “ser necessários até 2030 para preparar toda a cadeia de suprimentos de materiais para lidar com a provável escassez de metais-chave e materiais necessários para cumprir as metas globais de descarbonização”. Nesse relatório fica claro, também, o importante papel da cadeia de suprimentos de materiais como facilitador no processo de transição global para o net zero. “Tecnologias de energia renovável e armazenamento, incluindo-se as baterias de veículos elétricos”, serão cada vez mais exigidas para substituírem as tecnologias atuais. Além disso “o relatório estima a necessidade de se adicionar mais de 600 mil profissionais especializados em mineração, bem como um suprimento adicional de energia de 200 GW a 500 GW.
  • No Brasil, o Plano Estratégico para Implementação do Código Florestal (PlanaFlor), cujo objetivo é iluminar um caminho de desenvolvimento sustentável, tem como seus principais objetivos: fortalecer a capacidade institucional dos órgãos de governo; expandir a agricultura sem desmatamento; desenvolver a agropecuária de baixo carbono; promover a agricultura familiar; proteger vegetação nativa em áreas privadas e recuperá-las em áreas desmatadas/degradadas; estimular melhorias no sistema de crédito e incentivos financeiros.
  • Mantendo os níveis de segurança e qualidade operacional exigidos, muitos navios já economizam combustível com a ajuda da Inteligência Artificial (IA), comentou Pelle Sommansson da ZeroNorth. Eles se utilizam de uma plataforma interativa que fornece simulações, previsões, análises e informações suficientes para fornecer condições de “viagens com menos consumo de combustível”. A ZeroNorth, start-up fundada em junho de 2020 em Copenhague e proprietária da plataforma, assegura que os navios de seus clientes, em 2022, já evitaram a emissão de mais de 440.000 toneladas de CO2.
  • “9 em cada 10 empresas brasileiras, notadamente dos setores de agronegócio, transporte, saneamento, mineração e energia, querem poluir menos... têm motivação para se engajar em uma jornada de descarbonização e já conseguem calcular parte de suas emissões de carbono”, escreveu a jornalista Bulla no Estadão dia 3 pp., com base em estudo realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds) e pelo Boston Consulting Group (BCG). Principais fatores de “pressão”, ainda segundo o estudo: “75% das empresas, representando os maiores líderes, cobram o envolvimento em uma jornada de descarbonização e 64% relatam que há pressão dos investidores pelo mesmo movimento”.
  • No site do RESET AVISA, Natalia Viri, dia 4 pp, informa que “uma das pioneiras na conservação de grandes áreas nativas no Brasil, a Votorantim, se prepara para entrar no reflorestamento em escala para geração de créditos de carbono”. Continua a reportagem, agora nas palavras do diretor da Reservas Votorantin, David Canassa: “Estamos apenas esperando uma revisão de metodologia da Verra (principal certificadora do mercado voluntário de carbono), que deve ser concluída até o fim deste ano para já fazemos nesse novo modelo”.
  • “Compensar CO2 é mais fácil do que parece” é o título do artigo publicado pelo Estadão dia 6pp., elaborado pela jornalista Lucas A. W. Gonsalves, que mostra o quão fácil já é, atualmente, calcular e comprar créditos de carbono. Uma plataforma, a Moss (startup voltada a soluções ambientais com uso de blockchain), disponível no mercado, permite que isso seja feito até por ‘particulares’. “Na prática, os recursos podem ir para algum projeto de reflorestamento, conservação de mata ou para a área social. Na Moss, apenas no primeiro ano de operação, US$ 13 milhões foram destinados à preservação da Amazônia. Ou seja, é possível comprar um título e preservar um pedacinho da floresta. Cálculos apontam que cada pessoa gera por ano 7 toneladas de CO2”. “Companhias como o Bradesco, o C6 e a Ambipar também oferecem aos clientes alternativa de contribuir para a redução do aquecimento global. Cálculos apontam que cada brasileiro gera, em média, cerca de sete toneladas anuais de CO2 equivalente. Nessa conta, o custo para uma pessoa compensar suas emissões de carbono seria de R$ 1,4 mil ao ano”. “Na Ambipar, empresa de gestão ambiental, o site e um aplicativo chamado Ambify permitem a qualquer pessoa estimar a sua pegada de carbono e compensá-la pagando um valor convertido em créditos”. “A cada um quilo de CO2 emitido na atmosfera por atividades do dia a dia, como alimentação, deslocamento e custos de moradia, a empresa cobra R$ 0,20 para a compensação dos poluentes, que ocorre por meio de créditos de carbono. Os valores são doados a entidades parceiras, como Médicos Sem Fronteiras, Instituto Jô Clemente e Fundo Luz Alliance”. “Em uma iniciativa parecida, os bancos Bradesco e C6 também oferecem aos clientes formas de compensar parte da sua própria emissão. No programa do banco digital, direto do aplicativo, os correntistas – pessoas física e jurídica – podem calcular o seu gasto pessoal e gerar um extrato de carbono a ser compensado”.
  • Vale lembrar que recentemente, aqui no Brasil, foi revogado o Decreto11075, que estabelecia os procedimentos para a elaboração dos Planos Setoriais de Mitigação das Mudanças Climáticas e instituía o Sistema Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa. Atualmente o que se tem é a proposta de um Projeto de Lei, elaborada pelo poder executivo, em processo de consulta pública (https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticia/2023/junho/grupo-de-trabalho-interministerial-conclui-proposta-para-o-sistema-brasileiro-de-comercio-de-emissoes).
  • Já existem no Brasil empresas especializadas para isso. Particularmente eu tive a oportunidade de visitar a empresa Verda, que desenvolveu uma plataforma (Eco Transportation), marketplace flexível, que de forma organizada e transparente, e para todos os modais e em todas as etapas do transporte, realiza o cálculo granular da ‘pegada’ de carbono, por viagem, produto, cliente e item, faz a compensação granular dessa ‘pegada’ e produz, em tempo real, todas as informações pertinentes, incluindo todos os aspectos formais como registro das transações e aposentadoria de créditos utilizados na compensação junto às certificadoras, como por exemplo a Verra.
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