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Após protestos, governo revoga decreto sobre concessão de hidrovias na Amazônia

Por Redação em 27 de fevereiro de 2026 às 7h37
Após protestos, governo revoga decreto sobre concessão de hidrovias na Amazônia
Hidrovia do Rio Madeira. Foto: Divulgação / Ministério de Portos e Aeroportos
Hidrovia do Rio Madeira. Foto: Divulgação / Ministério de Portos e Aeroportos

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (23/02) que vai revogar o Decreto 12.600, assinado no ano passado, que previa estudos para a concessão à iniciativa privada de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A desistência foi comunicada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e pela ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, após reunião no Palácio do Planalto, em Brasília. 

A decisão acontece após uma série de protestos de comunidades indígenas e ribeirinhas, além de ambientalistas. O grupo iniciou os bloqueios ao acesso de veículos ao terminal portuário da Cargill em 22 de janeiro e, ao longo das semanas seguintes, chegou a interceptar balsas no rio Tapajós. Na noite de sexta-feira (20/02), manifestantes ocuparam o terminal portuário da Cargill, forçaram os funcionários a deixar o local e interromperam as operações da empresa norte-americana de comércio de grãos. Protestos paralelos também ocorreram em frente ao escritório da Cargill em São Paulo e em Brasília.

Após a ocupação, que enfrentou repúdio de entidades ligadas à logística e ao transporte de cargas, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou a suspensão da licitação de dragagem. A Cargill classificou os atos como "violentos" e afirmou que não tem controle sobre os planos de dragagem dos rios.

Após uma série de reuniões, o governo federal optou por revogar o decreto 12.600, que incluiria os três rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização. "Os povos indígenas vêm de uma manifestação de mais de 30 dias questionando o decreto, apontando os efeitos que poderiam ter para suas comunidades, também para quilombolas e ribeirinhos. A Secretaria-Geral da Presidência e o Ministério dos Povos Indígenas têm feito o diálogo nesse período e, após um processo de discussão dentro do governo, que ouviu várias posições, hoje se firmou a decisão pela revogação do Decreto 12.600", disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

 

Disputa sobre hidrovias na Amazônia

O modal aquaviário é considerado um importante corredor logístico para escoar produtos do agronegócio, especialmente oriundos do Mato Grosso e que usam portos do Pará para a exportação. O modelo, no entanto, enfrenta resistência das comunidades instaladas nas áreas ribeirinhas. Em nota, o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) afirma que a dragagem dos rios para navegabilidade afetaria a qualidade da água e a pesca da qual dependem para sobreviverO Cita estima que cerca de 7 mil indígenas de 14 etnias diferentes vivam na região do Baixo Tapajós.

 

 

 

 

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