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Plano Nacional de Logística mapeia falhas no transporte e na logística da Amazônia Legal

Diagnóstico oficial identifica entraves no escoamento de cargas, no abastecimento interno e na mobilidade regional e orienta futuros investimentos até 2050
Por Redação em 20 de janeiro de 2026 às 7h34
Plano Nacional de Logística mapeia falhas no transporte e na logística da Amazônia Legal
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O governo federal identificou 24 problemas no sistema de transporte e logística da Amazônia Legal, com impactos diretos sobre o escoamento de cargas, o abastecimento do mercado interno, o transporte de passageiros e a movimentação de mercadorias destinadas à exportação. O levantamento integra a Avaliação Estratégica do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, elaborada pelo Ministério dos Transportes, e serve de base para a definição de projetos de infraestrutura previstos para as próximas décadas.

O diagnóstico está em consulta pública até o dia 18 e deverá orientar a seleção das prioridades que irão compor o cenário de investimentos em transportes no país até 2050. O documento aponta limitações estruturais em rodovias, ferrovias, portos e hidrovias, além de restrições operacionais relacionadas à navegabilidade fluvial e à recorrência de eventos climáticos extremos, que afetam corredores logísticos que atravessam a região amazônica.

Entre os principais pontos destacados estão as dificuldades no escoamento de grãos, especialmente soja, milho e farelo de soja, provenientes de estados como Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará, além da região do MATOPIBA, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O plano também registra entraves logísticos em eixos de transporte associados às bacias dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins-Araguaia, considerados fundamentais para a circulação de cargas destinadas aos portos de exportação.

No que se refere ao mercado doméstico, o diagnóstico aponta limitações na saída de produtos industrializados e siderúrgicos dos estados do Amazonas e do Pará, além de dificuldades logísticas no Acre. Segundo o documento, esses gargalos afetam cadeias produtivas regionais e indicam desalinhamentos entre o planejamento logístico nacional e as demandas econômicas locais.

O abastecimento interno também é tratado como um dos eixos críticos do sistema de transportes na Amazônia Legal. O governo identifica dificuldades no transporte de fertilizantes, alimentos, combustíveis e outros bens essenciais que abastecem estados como Amazonas, Roraima, Acre, Rondônia, Pará, Amapá, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Essas limitações logísticas impactam os custos de distribuição e influenciam a disponibilidade de produtos em áreas urbanas e remotas da região.

No transporte de passageiros, o PNL 2050 reconhece a existência de áreas com acesso limitado a serviços de mobilidade. O diagnóstico aponta a concentração da infraestrutura aeroportuária em poucos centros urbanos, a baixa integração aérea regional e obstáculos à integração hidroviária. As longas distâncias entre localidades e a ausência de alternativas de transporte regular dificultam o deslocamento da população e o acesso a serviços públicos como saúde, educação e assistência social.

O plano também registra problemas de caráter sistêmico que afetam o conjunto da logística regional, incluindo a exposição da infraestrutura de transportes às mudanças climáticas, restrições à expansão das hidrovias, desafios relacionados à integração com países da América do Sul, questões de segurança pública em corredores logísticos e os custos associados ao transporte de produtos ligados à sociobiodiversidade.

De acordo com o Ministério dos Transportes, os problemas identificados servirão como base para a formulação de projetos e políticas públicas voltadas à ampliação e à reorganização da infraestrutura de transportes na Amazônia Legal. O documento adota a metodologia de mapear os entraves existentes antes da proposição de novas obras e intervenções, com foco na estruturação do planejamento de longo prazo.

Organizações da sociedade civil acompanham o processo de consulta pública e solicitaram a ampliação do prazo de contribuições em 15 dias, argumentando que o período de participação coincide com o recesso de fim de ano. As contribuições recebidas deverão ser analisadas pelo governo federal antes da consolidação do plano final e da definição dos investimentos previstos para o setor de logística e transportes na região até 2050.

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