
A São Martinho, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país, anunciou o lançamento do projeto Rota Verde, operação logística multimodal desenvolvida em parceria com a Rumo, a Necta e a Transvale para o transporte de açúcar com menor emissão de carbono.
A iniciativa combina transporte rodoviário realizado por caminhões movidos a gás natural e, futuramente, biometano, com o transporte ferroviário até o Porto de Santos (SP). A operação atenderá a Unidade Santa Cruz, localizada em Américo Brasiliense (SP), e tem previsão de movimentar cerca de 350 mil toneladas de açúcar por ano.
O projeto utilizará inicialmente caminhões Scania G460 Gás para transportar a carga até o terminal ferroviário da Rumo em Itirapina (SP), de onde o produto seguirá por ferrovia até Santos.
Segundo as empresas, um dos diferenciais da operação é a utilização do biometano produzido pela própria São Martinho em sua planta de Américo Brasiliense, inaugurada em 2025 após investimentos de R$ 250 milhões. A expectativa é que a frota migre gradualmente para o uso integral desse combustível renovável.
De acordo com estudo de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) citado pelas companhias, a combinação entre biometano e transporte ferroviário poderá reduzir em até 87% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com operações convencionais movidas a diesel.
“A Rota Verde marca um avanço significativo na integração entre eficiência logística e responsabilidade ambiental”, afirma Helder Gosling, diretor omercial e de logística da São Martinho.
A operação será conduzida pela Transvale, que investirá cerca de R$ 15 milhões na aquisição de dez conjuntos rodotrem com capacidade para 47 toneladas. O contrato prevê operação contínua até março de 2030.
Para a Rumo, o projeto reforça o papel da complementaridade entre os modais rodoviário e ferroviário na estratégia de descarbonização da logística brasileira. A iniciativa também busca aumentar a produtividade das operações da São Martinho, com expectativa de ganho de até 20% em eficiência logística.