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Navio do Grupo Náutica testa combustível que pode reduzir emissões em até 80%

Projeto com investimento privado de R$ 150 milhões testa hidrogênio verde como alternativa para descarbonização do transporte marítimo
Por Redação em 30 de outubro de 2026 às 9h24
Navio do Grupo Náutica testa combustível que pode reduzir emissões em até 80%
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O hidrogênio verde deve atrair mais de R$ 108 bilhões em investimentos no Brasil até 2029, de acordo com a projeção da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV). A produção em larga escala do combustível ainda depende da maturação de projetos, da construção de infraestrutura e do fechamento de contratos de compra, segundo a entidade, mas aplicações pontuais já avaliam que o hidrogênio pode ser incorporado a setores considerados de difícil descarbonização, como o transporte marítimo.

Um dos primeiros experimentos do país com o hidrogênio verde em condições reais de navegação é o JAQ H1, embarcação de 36 metros que integra o projeto JAQ Hidrogênio Verde, idealizado pelo presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik. O navio foi apresentado pela primeira vez durante a COP30, em Belém, como um laboratório flutuante, e atualmente chegou na fase de testes de motorização com hidrogênio em Santa Catarina.

"Queremos gerar conhecimento, reunir dados e mostrar, na prática, como o hidrogênio pode ser incorporado à navegação brasileira. É um caminho que não acontece de um dia para o outro, mas que precisa começar agora para que o setor esteja preparado para as próximas décadas", afirma Ernani.

 

Nova configuração pode reduzir emissões de CO2 em até 80%

Durnate a apresentação do JAQ H1 na COP30, em novembro de 2025, o hidrogênio alimentava sistemas como ar-condicionado, iluminação, televisores e micro-ondas. Agora, o projeto avança para uma nova fase, com a aplicação do combustível na motorização da embarcação.

Para isso, o JAQ H1 utiliza motores dual-fuel da fabricante alemã MAN, preparados para operar com uma mistura de 20% de hidrogênio e 80% de diesel. De acordo com Paciornik, essa configuração pode reduzir em até 80% as emissões de dióxido de carbono.

 

Próximo passo do projeto inclui produção de hidrogênio a bordo

Além do JAQ H1, o projeto já avança para uma segunda embarcação, o JAQ H2. Com 50 metros de comprimento, o barco tem previsão de iniciar sua etapa de adaptação tecnológica em 2027, com prazo estimado de 18 meses de obras. O projeto JAQ Hidrogênio Verde prevê, ao todo, investimento privado estimado em R$ 150 milhões.

O principal diferencial do JAQ H2 estará na capacidade de produzir o próprio hidrogênio a bordo. O projeto prevê a instalação de um eletrolisador que utilizará água do mar dessalinizada, com apoio de fontes renováveis de energia disponíveis na própria embarcação.

Segundo o Grupo Náutica, a expectativa é que o JAQ H2 se torne o primeiro barco do mundo capaz de gerar seu próprio hidrogênio verde, o que reduziria a dependência de infraestrutura externa de abastecimento.

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